O medo

TENHA MEDO DO QUE O GOVERNO PODE FAZER COM VOCÊ. NO BRASIL GOVERNAR É SATISFAZER NECESSIDADES FISIOLÓGICAS.

20 de out de 2014

DILMA X AÉCIO
UM FLA-FLU POR RAPADURA

E a gente ainda se presta para assistir pra lá das dez da noite, um de(m)bate como o deste domingo entre Aécio e Dilma, na TV Record. Foi assim como se Flamengo e Fluminenses já estivessem classificados para a partida final de um Campeonato Brasileiro.

Jogaram por jogar. Disputaram um Fla-Flu por rapadura. Entraram em campo para não dispender energias e não perder nem ganhar.

Dilma e Aécio se pouparam para o de(m)bate final na TV Globo. Quem pagou pra ver fez papel de bobo.

Assim mesmo, sempre que pôde, a atacante Dilma interpretou o papel de Coração Valente.

Ao longo do programa foi soltando pejorativos tipo assim "oportunista", "engraçado", "ousado" e até de "desmemoriado" quando, com ares de ventilador, espanejou "eu vou refrescar sua memória, candidato".

Aécio Neves não aceitou nenhum desses convites para entrar na grande área do barraco da president@ mais candidata que o Brasil já teve.

O Casal 20 da TV brasileira fez troca-troca o tempo todo. Mas tudo muito de leve, muito por cima; muito por baixo. Foi como se estivessem nas preliminares.

Trocaram leves cutucões sobre educação, saúde, economia, segurança, mobilidade urbana, corrupção, Petrozorra, barcarolas do rio São Francisco, inflação, crescimento, creches não concluídas, obras inacabadas, estagnação e coisinhas quetais. Tudo sempre muito retrô. Sempre com um pé atrás e o outro pronto para enfiar no outro.

Dilma Vana a certa altura, ninguém deve se lembrar por que razão, trocou de animal social no seu repertório de tiradas populares.

Lá pelo meio do bate-papo, ela mudou com certa rispidez o seu famoso "nem que a vaca tussa" por um inusitado "você me deixou com três pulgas atrás da orelha".

Acho que naquele momento ela faltou com a verdade: Dilma já estava com o microfone-ponto nos ouvidos, ali não caberiam mais três pulgas.

Desse Fla-Flu comedido e retrancado, eu só me lembraria por algum tempo, no máximo até à Missa de 7° Dia, da tirada mais profunda de Dilma Vana: dar um jeito na segurança pública. Ela disse que no seu próximo governo, vai fazer tudo como fez durante a Copa das Copas.

Foi nesse ponto do de(m)bate que a Dama da Copa conseguiu me embaralhar.

Pensei logo: Oba! Vamos ter uma Copa do Mundo por mês aqui no Brasil, pelos próximos quatro anos.

Isso não é pouco, não, meus camaradinhas. Quer dizer apenas que, de 1° de janeiro em diante o brasileiro vai levar a vida no bem bom; no maior e melhor padrão Fifa de relaxar e gozar. Sem medo de ser feliz, porque vai ter Copa e não vai ter baderna nunca mais.

Essa Dilma Vana não é fraca, não. Mas também, nunca foi tão Tim Maia assim. Foi então que me senti meio argentino, meio Francisco e rezei a oração que o Papa nos ensinou: Bota fé!

De resto, aguarde a próxima atração. Vem aí, na sexta-feira, antevéspera da eleição, pela minha, pela sua, pela nossa TV Globo, mais um campeão de audiência.