O medo

TENHA MEDO DO QUE O GOVERNO PODE FAZER COM VOCÊ. NO BRASIL GOVERNAR É SATISFAZER NECESSIDADES FISIOLÓGICAS.

3 de ago de 2015

A JUSTIÇA FEITA NO GRITO

Então tá, minhas queridas companheiras e meus diletos companheiros, saiam às ruas no dia 16. Mas, pelo amor dos seus filhinhos, vejam bem a que impulso estão obedecendo; analisem com muito cuidado a que tipo de liderança vocês estão seguindo.

De minha parte, forço-me a dizer-lhes que não são os partidos, não são as centrais sindicais, não é a OAB, nem esses organismos de fachada tipo institutos, ONGs, confederações e federações, muito menos o Congresso Nacional que podem endireitar o governo e reorganizar o Brasil.

O caminho hoje é a Justiça. E coitado do nosso país se tiver uma Justiça constituída por juízes que se deixem levar pelo clamor social, pela voz rouca das ruas, mesmo que essa voz seja a nossa voz.

Pense nesse nosso Brasil sem fronteiras. Pobre do Brasil das bugingangas se um dia tiver mais chineses do que brasileiros morando por aqui. A máfia chinesa que já domina as feiras de badulaques e badamecos dos principais centros urbanos brasileiros colocaria seus súditos na rua e na base do grito e da manifestação popular modificariam, com seus celularaços e pulseiraços de relógio de legítima imitação o julgamento dos nossos juízes a seu bel prazer.

Se não forem os chineses, podem ser os sindicalistas pelegos. Se eles forem mais numerosos nas ruas do que o verdadeiro trabalhador brasileiro, terão mais poder de convencimento do que os panelaços e apitaços da sociedade indignada que abomina a corrupção e quer saúde, educação, transporte, segurança, qualidade de vida e igualdades sociais.

Justiça não é uma questão de grito. Justiça é cumprir com probidade e isenção as leis que devem emanar do povo, mas justiça não se faz como quem faz favores a esse povo. Então ganhar no berro, na pressão, a conivência das cortes do Judiciário é dar-lhes um poder desmedido. É apenas desaforar o poder e o jugo.

É tirar a democratura do Palácio do Planalto e colocá-la nos tribunais sensíveis e tementes às manifestações de rua que, infelizmente, podem ser um notável e embriagador instrumento que nos transforma em massa de manobra. E, quando menos a gente esperar, estará sendo mais forte do que as leis, com o despótico prazer de - cruz, credo! - mandar e desmandar na justiça. É aí que o grito pode tirar a legitimidade da justiça.

Então tá, minhas queridas companheiras e meus diletos companheiros, saiam às ruas outra vez nesse dia 16. Mas pelo amor dos seus filhinhos e dos nossos, vejam bem a que impulso estão obedecendo; a que tipo de sentimento e de liderança vocês estão seguindo.

RODAPÉ - "Eu não troco a justiça pela soberba. Eu não deixo o direito pela força. Eu não esqueço a fraternidade pela tolerância. Eu não substituo a fé pela superstição, a realidade pelo ídolo". (Rui Barbosa).