O medo

TENHA MEDO DO QUE O GOVERNO PODE FAZER COM VOCÊ. NO BRASIL GOVERNAR É SATISFAZER NECESSIDADES FISIOLÓGICAS.

25 de ago de 2015

DOIS DELATORES CARA A CARA
COM GOVERNISTAS E OPOSITORES

Já tive o desprazer profissional de assistir a algumas sessões de CPIs plurais, mistas e singulares, nas salas comuns que o Congresso lhes coloca à disposição. De tudo que vi e ouvi, de nada gostei do que rimbombou em meus ouvidos e do que aos meus olhos reviraram.

Hoje cometi o risco de me arrepiar e dei uma olhada na transmissão da acareação entre dois delatores premiadíssimos, Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef.

Foi uma passagem fortuita pelos canais Band News e Globo também News. Peguei um momento de pura sorte. Um dos deputados quis saber de Paulinho, da Petrobras, sobre a compra da refinaria de Pasadena, lá da Terra de Obama.

E o delator, com ar enfastiado e tão impoluto quanto a pose dos parlamentares ali empenhados em defender, a sua maneira e devida missão, ora o governo e ora a oposição, disse com clareza cristalina: "A responsabilidade da compra de Pasadena é toda e exclusiva do Conselho de Administração da Petrobras".

E explicou ainda: "A diretoria da Petrobras não tem competência técnica, nem autoridade administrativa para autorizar a compra de uma refinaria. Isso compete ao Conselho de Administração". E pra mim, deu. Mudei de canal e mudei de sala.

Fiz um café e eis-me aqui para lhes perguntar o seguinte: Quem presidia então o Conselho de Administração que deu aval à compra daquela refinaria sucateada no Texas? Quem presidia o Conselhão que fez a Petrobras pagar US$ 360 milhões por metade de uma refinaria que, um ano antes, tinha custado à empresa belga Astra Oil nada mais que US$ 42,5 milhões? Quem era, quem?...

Pois, era ninguém mais nem menos do que a ínclita criatura dona Dilma Vana, ministra do seu criador, então presidente da República.

Pronto, o que me tocava nesse latifúndio da Petrobras com a refinaria de Pasadena, eu já reparti com vocês. Mas, antes de ir tratar das lidas da vida de um jornalista aposentado, mas não inativo, lembro a cada um de vocês que as gravações com a ata dessa decisiva e quentíssima reunião do Conselhão, incendiaram-se sozinhas, não faz muito tempo.

Agora sim, deu pra mim, baixo astral de Petrolão e desse Conselhão que não roubava nem deixava roubar. Por enquanto é isso. Saibam, pois que é por essas e outras que, morando há quase quarenta anos em Brasília, só ponho os pés no Congresso Nacional no extremo limite de minha tolerância, quando não posso mesmo evitá-lo. Mas só enfio os pés.