O medo

TENHA MEDO DO QUE O GOVERNO PODE FAZER COM VOCÊ. NO BRASIL GOVERNAR É SATISFAZER NECESSIDADES FISIOLÓGICAS.

30 de set de 2015

OLHA A LAVA JATO AÍ, GENTE!
Mas já está chegando a hora de acabar com essa micareta; com esse carnaval fora de hora.

O mundo é um circo e o Brasil, um carnaval. E olha a escola da Lava Jato aí, gente! Os passistas já estão entrando na avenida. E o mestre-sala já dá as caras e mostra o rebolado. O enredo é o seguinte: "Lula fez Lobby para Odebrecht".

Quem escreveu a letra do samba de crioulo doido foi o ministro Miguel Jorge, ex-titular da Academia Carnavalesca do Desenvolvimento.

Ele relata a saga do maior arrombamento de um cofre da nação cabocla, condensada numa troca de e-mails. Resume a festa momesca de Lula para favorecer a empreiteira, numa refrão curto e grosso: "PR fez o lobby".

Para quem transita, ou perambula pela Esplanada dos Ministérios sabe que ,em todo e qualquer papelucho, ou recado, ou torpedo dentro da máquina pública a abreviatura PR significa Presidente da República. Então, "PR fez lobby" quer dizer o Presidente da República foi o corretor.

E foi assim e é assim que os investigadores da Operação Lava Jato, patrimônio do Brasil, interpretaram e interpretam o texto que, no contexto tratava do esforço de Lula em conseguir mais um negócio da China lá na África, nesse caso, mais precisamente, a Namíbia.

Os porta-vozes de Lula que para esses casos sempre está rouco demais para abrir o bico, também não dizem nada; quem dá o pitaco é uma coisa de extrema confiança que atende pelo nome de Instituto Lula.

E assim, a gente volta ao mundo da fantasia, aquele universo em que os abjetos, mesmo não sendo delatores premiados, falam pelas criaturas.

A alegoria do Instituto Lula é esta que a revista Veja editou, na sua sanha persecutória ao notável cidadão acima de qualquer suspeita, Lula da Silva, o popular Brahma do Clube dos Empreiteiros:

"O e-mail é de autoria do ex-ministro Miguel Jorge, por isso cabe a ele falar sobre sua mensagem, que indica que o assunto foi levantado pelo presidente da Namíbia, dentro das relações entre os dois países. O Itamaraty detém as informações sobre o referido almoço e os presentes na recepção ao presidente da Namíbia. A visita oficial e o almoço do presidente da Namíbia fizeram parte da agenda do ex-presidente, publicamente divulgada para a imprensa naquele dia".

Então note aí que Lula já nem presidente do Brasil era mais. Tratava-se então de um grandioso patriota, travestido de camelô de luxo da garbosa e generosa Odebrecht. Em todo caso, como o Instituto sugeriu, vamos ver o que a Veja ficou sabendo com o ex-ministro do ex-presidente. Conta-nos a revista:

O ex-ministro Miguel Jorge escreveu o seguinte e-mail para a reportagem: "Eu não me lembro desse episódio nem de como foi a reunião entre os dois presidentes, mas havia uma atuação institucional em favor de empresas brasileiras, sendo a Embraer uma espécie de cartão de visita da capacidade da indústria nacional. Em praticamente todas as viagens do presidente, havia reuniões com empresas, embora elas não viajassem com ele - mas, sempre, havia uma reunião pública e aberta, em que falavam o PR e ministros (das Relações Exteriores, ou do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, ou da Agricultura (nessas duas regiões, havia um enorme interesse pelo trabalho de pesquisa da Embrapa). Nas reuniões do PR com outros presidentes, das quais participei, não havia a presença de empresas.Durante meu tempo no Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, organizei mais de 10 missões comerciais, usando o Sucatão da Presidência, e cerca de mil empresas participaram dessas missões - empresas grandes, como Embraer, Sadia etc - e muitas médias e pequenas, que aliás, eram nossa prioridade."

O carnaval é intenso. E a Odebrecht desfila a sua imponência que a Veja editou neste fim de semana:


A Odebrecht divulgou a seguinte nova: "A Odebrecht esclarece que os trechos de mensagens eletrônicas divulgados apenas registram uma atuação institucional legítima e natural da empresa e sua participação nos debates de projetos estratégicos para o País - nos quais atua, em especial como investidora. A empresa lamenta, no entanto, a divulgação e interpretações equivocadas sobre mensagens sem qualquer relação com o processo em curso".

O enredo é complicado e, ao mesmo tempo de uma simplicidade oceânica. No no meio do desfile o destaque é Lula palestrando para o ditador da Namíbia. A palestra, no entanto é ininteligível, os tambores africanos soam mais alto. 

Ninguém sabe sobre o que foi mesmo que Lula falou, a peso de ouro, para o ditador Sam Nujoma. Vai ver que foi uma versão republicana do samba do crioulo doido. Sobre o quê mais, Lula teria o que falar e para contar aos homens da Mama África?!? 

Mas, a força-tarefa da Lava Jato a tudo assiste de camarote, atenta e prestes a acabar com essa micareta de luxo. E ai, ai, aiai, tá chegando a hora... A hora de acabar com esse carnaval fora de hora.