O medo

TENHA MEDO DO QUE O GOVERNO PODE FAZER COM VOCÊ. NO BRASIL GOVERNAR É SATISFAZER NECESSIDADES FISIOLÓGICAS.

28 de fev de 2016

MEUS PERSONAGENS DA PRESIDÊNCIA DO BRASIL

Sei lá porque, me deu na telha de rebuscar o perfil dos presidentes do Brasil tipo assim café soçaite, coisa bem light, tipo gossips, como tudo se sabe em sociedade.

Cruzes, me lembrei do Eurico Dutra e, embora as distâncias de tempo e de lugar - ele presidiu o Brasil lá do Rio de Janeiro - associo sempre sua figura com a mesma coruja que me lembra o general Castello Branco.

Eram até bem alinhados, mas não tinham pescoço. Articulado e bem organizado mentalmente para os meus padrões, vislumbrei Getúlio Vargas e me dividi entre um daqueles saleiros barrigudinhos com a tampa em forma de boné e um sabonete acorrentado dos sanitários de estação rodoviária.

Aí saltito, de propósito e sem qualquer interesse, por Café Filho, Carlos Luz e Nereu Ramos - bolas, o Café, sem doçura, era intragável; o Carlos só tinha luz no nome, não brilhava; Nereu, pobre Nereu, era mais galhos do que Ramos. Pelo menos nas minhas caraminholas.

Surge então, JK o presidente bossa-nova - fino, elegante e impecável como se fosse um modelo dos anos dourados para ser copiado por Michel Temer que ainda nem é o presidente que ele sempre sonho ser.

Eu diria que Temer tem assim o perfil montado e preparado para ser o presidente-sachê, daqueles saquinhos arrumadinhos, que param sozinhos em pé.

Aí me assombram os perfis de Jânio Quadros que procuro logo varrer da minha frente e o de Jango, o presidente-patinete que conduziu o país ao Castelo Branco que teimou em voltar agora a minha caixola, só para que eu o achasse parecido com todos os demais presidentes-militares, dos quais sempre guardo na memória o gesto de bater continência, mesmo diante do gol mil de Pelé, o presidente das criancinhas dentro dos estádios nacionais.

Costa e Silva era um poker face, mas gostava mesmo era de canastra e pife-pafe de bater com a louca. Sempre que olhei para Garrastazu Médici eu vi na minha frente e vejo agora, uma bandeira do Grêmio - impecável e indecifrável - nunca se sabe quando perde ou ganha.

Sei lá porque, até hoje guardo na memória e sei de cor, que Ernesto Geisel era filho de um pastor alemão. Era, mas não tinha o faro que João Baptista Figueiredo tinha para os cavalos.

Aí, morreu Tancredo que não podia ter feito a sacanagem que nos fez de deixar Zé Sarney no seu lugar. Acho, acho, não, tenho certeza de que Sarney roubou a vassoura de Jânio e fez aquele bigode que nos furunga até hoje.

Epa! Fernandinho Beira-Collor passa voando pela minha cabeça; sua figura dura sempre muito pouco aqui comigo, talvez num ato falho de minha consciência que torce para fazer perdurar o topete de Itamar Franco, o melhor - e ainda assim fracote - dessa chorumela de presidentes que vieram depois do Sarney que quis fazer do Brasil um imenso Maranhão.

Não consigo ver Fernando Henrique Cardoso, mais do que um escasso FHC. É pouco para o Brasil que o Brasil pode e deve ser e ainda assim ele me chamou de "vagabundo". Sua banca de príncipe dos sociólogos brasileiros não fede nem cheira em lugar nenhum, mas em todo caso, atendendo a seu próprio pedido, esqueci o que ele escreveu.

E aí então vem Lula, o indescritível, com toda a sua pança e circunstança. É a única imagem que conheço de um camaleão gordo, retaco e fugidio que só pode mesmo ser fruto da minha ojeriza por quem se classifica como uma Metamorfose Ambulante.

Por mim, se Presidência da República fosse jogo do bicho, eu jamais desejaria que desse Lula na cabeça: é que se eu acertasse, jamais receberia o prêmio.

E, por fim, o fim em matéria de perfís presidenciais: Dilma Vana que por mais guerrilheira que tenha sido, ou não; por mais Mulher Sapiens, Mãe do PAC, Rainha do Aegyptis, Oradora da Mandioca, Cleópatra do Paranoá ou coisa que o valha, jamais me passa pela cabeça e pelas profundezas da alma que ela precise ser mais do que a Dilma, simplesmente Dilma.

É quando me dá cãibras na cabeça e, antes que o Brasil acabe, eu paro de escrever.