GOSTO DE VER O BARCELONA AOS DOMINGOS:
ELE ME LEMBRA O MEU IMBATÍVEL VASCO DA GAMA
Sempre que posso reinvento na minha sala de TV aquelas velhas tardes de domingo no antigo País do Futebol.
Hoje a tela do meu televisor foi tomada por inteiro pelo espetáculo de uma impressionante máquina de jogar bola.
Era o Barcelona de Neymar, Messi e Soares, necessariamente nessa ordem de escalação e de minha preferência.
Gosto do futebol sério e eficaz do pequeno argentino Messi; sou maluco pelo futebol moleque e fagueiro do precoce menino brasileiro, Neymar e respeito os gols de bico que o uruguaio Soares sempre marca. Com eles é sempre assim: matam e depois vão chorar no velório. Quer dizer, respeitam a dor do adversário.

E que torcida. Até a torcida espanhola é um show. Lá estava ela vestida rigorosamente a rigor para assistir a mais um grande espetáculo e ao mesmo tempo prevenir-se contra o frio gostoso que hoje fez naquele canto bonito da Europa.
Ah, sim... o jogo. Pois olha, o Sevilla, time enjoado quando contra-ataca, atreveu-se a marcar primeiro. Então Messi empatou de falta, no ângulo superior esquerdo do goleiro.

Depois, assim que começou o segundo tempo, o zagueirão Piquet fez 2 x 1, marcando um gol piquetipicamente de zagueiro: enfiou sem arte nenhuma mas com raça pura a peronha para o fundo das redes. Veja que até o tratamento que dou à bola é uma volta às velhas tardes de domingo.
O resto do jogo foi o resto: o Sevilla incomodando e o Barça jogando e andando para a insistência do adversário. E aí então o referee bafejou o apito final, encerrando de vez as cortinas do espetáculo
Fim de festa. O barcelona está invicto há 33 jogos. Lidera o campeonato da Espanha com 13 pontos de diferença sobre o segundo colocado, o esquadrão merengue do Real Madrid.
Gosto de ver o Barcelona aos domingos à tarde. Ele me lembra o meu bom Vasco da Gama.
Tão bom que me vejo, assistindo ao Barça, no velho estádio do Maracanã onde brilhava o ataque fulminante do meu incrível, fantástico, extraordinário "Expresso da Vitória", o campeão dos campeões: Sabará, Maneca, Ademir, Ipojucã e eu.
Isso mesmo, eu, Sérgio Siqueira, seu criado e malcriado, na ponta esquerda - goleador do time, batedor de todas as faltas, laterais e pênaltis.
E até mais um pouco, eu era também o editor do regulamento dos jogos, amistosos ou de campeonato; mesário e treinador do melhor time do Vasco em toda a sua história. Mas nã era só por isso que eu garantia a titularidade, deixando no banco de reservas Friaça, Chico, Pinga e Simão. Eu também jogava muito. Era meio Messi, um pouco de Neymar e muito melhor que o Luizito Soares.
Então é isso: gosto de ver o Barça jogando porque ele me dá uma saudade enorme dessas velhas tardes de domingo, do meu imbatível Vasco da Gama, no meu saudoso Maracanã: a minha velha mesa de jogo de botão.