O medo

TENHA MEDO DO QUE O GOVERNO PODE FAZER COM VOCÊ. NO BRASIL GOVERNAR É SATISFAZER NECESSIDADES FISIOLÓGICAS.

4 de mar de 2016

LULA SE FAZ DE "POBRE COITADO", DEBOCHA DA
COERÇÃO, MAS NÃO DIZ PORQUE NÃO DORME DIREITO

Com a cara de quem está mais indignado do que vexado por ter sido levado pela Polícia Federal para prestar na Lava Jato o depoimento que na véspera tinha bazofiado pra Deus e todo mundo que não iria prestar "coisa nenhuma", Lula deu nesta rica sexta-feira sua versão pública de "pobre coitado" uma vez mais.

Na sede do PT, partido notável que preside com muita honra, Lula deitou e rolou, como sempre faz quando discursa para uma claque extasiada em ambiente fechado - que em lugares abertos o mar não tá pra peixe, nem para moluscos. E como de hábito, disse umas coisas que eram outras.

Falou de tudo um pouco, fazendo blague com as coisas que são objeto de investigação na sua nababesca vida de um trabalhador que, por incansável e honesto que sempre foi, é cercada hoje de conforto, luxo e riqueza que "a zelites não admitem que possam fazer parte da história dos mais desamparados, humildes e injustiçados da sociedade brasileira".

Coitado do Lula. Que vergonha ele estaria agora se soubesse o que é isso, pelo vexame que essa tal de Lava Jato impingiu a sua família, sua mulher e seus filhos, ao levá-lo coercitivamente a prestar depoimento na sede da Polícia Federal, no aeroporto de Congonhas.

FOI E... VOLTOU

Bolas, deveria dizer o quanto exulta e vibra sua alma viva e mais honesta do que a de qualquer outro brasileiro, delegado, puliça, promotor, juiz e o escambau pelo simples fato de  que ele, Lula o até então intocável cidadão acima de qualquer suspeita ter ido até a Polícia e... voltado.

Mas que nada, Lula falou de outras coisas.

E quando fala de outras coisas nunca diz o que teria mesmo que dizer.

O que Lula diz para a imprensa e para o povão não tem a menor importância diante do que ele tenha, ainda que histrionicamente com cacoetes de verdade, dito durante três horas para a Justiça e assinado embaixo.

Para a Lava Jato, vale o que está escrito. Lex, dura lex, sed lex.

Lula falar para uma plateia curiosa vale como uma sessão de descarrego. É uma espécie de vai-te cobra! Sai de mim.

É uma coisa tipo assim como aquilo que se deu com Delcídio Amaral o Tal e a revista Isto É... O que vale para o grande e respeitável público é o espetáculo pirotécnico, mas o que bota na cadeia ou garante a liberdade, ainda que vigiada e com tornozeleiras eletrônicas é o que Delcídio disse e assinou para a mesma Lava Jato há mais de 15 dias.

O MISTÉRIO

E seja lá o que possa parecer  aos olhos desse país, o que não tem deixado Lula dormir em paz há muito tempo é um mistério que ele precisa elucidar de uma vez por todas: quem foi o imbecil da sua pandilha de "operadores", da sua abominável e perniciosa "estratégia de coalizão pela governabilidade".

Quem foi esse imbecil que não conseguiu coalizar, nem cooptar, nem comprar a turma da Polícia Federal, do Ministério Público Federal, do Judiciário, dessa tal de Magistratura da danada Vara do juiz Sérgio Moro e sua insistente Operação Lava Jato.

Esse imbecil e infortunado companheiro de Lula, está botando tudo a perder. Esse idiota está correndo o sério risco de ser esganado. Pô, todo mundo coalizou todo mundo, menos essa turma de rebeldes que está passando o Brasil da Silva a limpo e se metendo a desmontar o crime organizado que tomou de assalto o Estado.

Se Lula fosse vaca estaria ruminando, mas como Lula é um animal social preparado pra esse tipo de dificuldades, abre sua alma honesta, seu coração e vida para quem está ali para ver e para crer em tudo ou nada que seu ídolo bafejar. Fora dos holofotes, das câmeras de TV, dos microfones, em descuidado off, Lula desabafou sua angústia dos últimos tempos:

"Pô, meus cumpanhêro e minhas querida cumpanhêra eu nem era pra tá dizendo isso aqui e agora, mas como tô entre essas quatro parede aqui da nossa sede vô dizê e que ninguém mais nos ouva; eu digo e me garanto: - Ah, se eu pego esse imbecil eu esmago as fuça dele! Esse cumpanhêro me apunhalou pelas costas".

RODAPÉ - Se Lula quando diz uma coisa está dizendo outra, por que a gente não pode escutar o que não escutou, ou escrever o que pensa que escutou?