O medo

TENHA MEDO DO QUE O GOVERNO PODE FAZER COM VOCÊ. NO BRASIL GOVERNAR É SATISFAZER NECESSIDADES FISIOLÓGICAS.

21 de mar de 2016

MATARAM MORO!
Mataram Moro! Brigadas Vermelhas, mataram Moro. 
Calma companheiro! Não precisa exultar. Isso foi em maio de 1978, na Itália. 

Sei lá por que, esse crime me deu agora na telha. Isso aconteceu na Itália, 12 anos antes de ser deflagrada a Operação Mãos Limpas que, há 35 anos desencravou e desbaratou o crime organizado - que lá se chama Máfia - do governo, do Estado italiano.

Assim como Aldo Moro me projeta na telha a Operação Mãos Limpas, a vermelhidão com que o governo Lula/Dilma vestiu a camisa vermelha no peito desse gênio Aragão que quer desbaratar a Polícia Federal, me remete à Operação Lava Jato.

E quando essas coisas me dão na cabeça, eu enfio o pé na porta, seja lá qual for a porta; tanto faz que seja a do status quo, quanto a da latrina dessa democracia de gabinete, cheia de gaveteiros.

MÃOS LIMPAS

Lá naquelas priscas eras da dolce vita italiana, todo mundo - que nem a gente hoje por aqui - ficou sabendo que o Partido Comunista Italiano (PCI) tinha sido propinado com pelo menos quatro milhões de dólares pela KGB.

Aí, com medo da voz rouca das ruas, o Parlamento italiano resolveu realizar uma devassa fiscal em todos os metidos até os gargalos na maracutaia. Foi um troço tipo assim chutar o pau do barraco nos ciclistas italianos que andavam pedalando por lá, como se pedala hoje por aqui.

Quando eles viram, todos os partidos políticos acabaram sendo investigados. Só o Partido Comunista é que não deixava que os investigadores sequer chegassem perto de suas sedes para ver o que havia por trás das portas. Essa batalha pegou o nome de Mãos Limpas, um verdadeiro prenúncio do que hoje é a Lava Jato aqui no Brasil da Silva.

Aqui todos os partidos podem e devem ser investigados, desde que sejam coxinhas. Os demais são todos inocentes até prova em contrário, ou enquanto a Dilma tussa.

E a Operação Mãos Limpas começou, devagar e sempre. Desde 1980, no entanto, o lado bom da Justiça italiana já furungava no cangote da máfia.

BORSELLINO & FALCONE
TIPO ASSIM SERGIO MORO 

Dois juízes, tipo assim Sérgio Moro, se notabilizaram nessa luta do bem contra o mal: Paolo Borsellino e Giovani Falcone. Falcone pegou no pé de Tommaso Buscetta, um cara que se não fosse pelo sobrenome, poderia ser chamado pelo que há de pior em matéria de codinome no submundo que enfia a vida pública na privada. Mas Buscetta valia a pena porque ele era il capo de tutti capi.

Foi Buscetta - esse protótipo do chefão dissimulado - quem desmantelou o crime organizado que se tornara o Estado na Itália, a partir domemnto em que foi desmascarado pelo lado Falcone da Operação Mãos Limpas.

Covarde, como são todos os chefes de todos os chefes quando flagrados com a boca na botija, Buscetta - desculpem o sotaque de baixo calão - se abriu, acabou com a omertá, o código do silêncio siciliano: fez acordo de delação premiada e, então sim, ficou acreditado.

Ele entregou tudo, tudinho. Apunhalou todo mundo pelas costas. Como gostam de fazer também os canalhocratas mais notórios desse país que já foi nosso.  De tal forma, dedurou e apunhalou meio mundo, que Buscetta acabou desmantelando o crime organizado que, naquela época, governava a Itália.

MÃOS LIMPAS ME
LEMBRAM SANTOS

A Operação Mãos Limpas mostrou que a vida política e administrativa da Itália estava soterrada num mar de lama e corrupção - bem como a gente anda vendo por aqui - com pagamento de propina para concessão de todo e qualquer contrato de governo.

A Operação Mãos Limpas - a nossa Lava Jato de hoje - acabou com os quatro partidos do governo em 1992.  O Partido Liberal, a Democracia Cristã, o Partido Social Democrata e o Partido Socialista despareceram do mapa da Velha Bota.

Ah, Falcone... Sim, sim, o juiz Falcone foi morto. Em maio de 1992, Giovanni Falcone foi assassinado em Capaci, uma comuna italiana na Sicília. Bem menor, por exemplo, que São Bernardo.

Sei lá, porque me deu na telha essa coisa maluca de comparar Capaci com São Bernardo. Sei lá. Poderia ter me dado na telha, o nome de outra divindade qualquer... Santo André, por exemplo.