O medo

TENHA MEDO DO QUE O GOVERNO PODE FAZER COM VOCÊ. NO BRASIL GOVERNAR É SATISFAZER NECESSIDADES FISIOLÓGICAS.

29 de mar de 2016

O ABRAÇO DOS AFOGADOS


Está previsto para hoje o desembarque da pirataria companheira da nau dos insensatos. 

E nesse mar de lama, o PMDB promete e faz de tudo para mostrar que é na hora de mostrar coragem e companheirismo que os maremotos nos obrigam a abandonar o navio que está naufragando. 

A maioria desses velhos marinheiros de águyas turvas e revoltas deve deixar o convés e os camarotes; os mais denodados vão permanecer pelos porões. 

Enquanto isso o comandante Lula e a imediata Dilma, andam à cata de uma boia, de uma tábua de salvação, no desesperador prenúncio de que estão mais próximos do que nunca de se conformarem com o velho e inevitável abraço dos afogados.


O FRACASSO REMETE 
AO 31 DE MARÇO DE 64

Então, já que o PMDB, ou parte desse partido que sempre foi governo nesse país desde 31 de março de 64 - há um dia apenas de celebrar o 52° aniversário da Redentora - está abandonando o Titanic capitaneado por Lula e tendo Dilma por timoneira, uma coisa fica mais do que evidente nessa tragédia brasileira: o Lula já morreu e não sabe. 

Morreu, no bom sentido, é claro. Morreu como grande articulador político desse mar de lama. Seu decantado talento para fazer amigos e influenciar pessoas não apenas naufragou como fez afundar o navio. 

Está mais do que provado que Lula só é capaz de convencer alguém quando tem alguma coisa para oferecer. Sua "estratégia de coalizão pela governabilidade" só funciona quando ele tem o que não é dele para dar e vender: cargos públicos, salários, ministérios, diretorias de estatais, bocas-ricas governamentais... 

Hoje, como um simples e velho lobo do mar, sem iscas e sem anzóis, não pesca mais ninguém para dizer do seu cardume. Lula ficou com a vara e a carretilha na mão olhando para as costas dos seguidores de Michel Temer. 

De um modo geral, falta para Lula ter o canto de sereia e para seus interlocutores falta apetite para engolir frutos do mar, ainda mais quando sejam moluscos não destripados.

Quer dizer, na mais completa tradução do português para o português: sem bala na agulha para corromper os mais graúdos e distribuir esmolas para a arraia miúda, Lula é um zero à esquerda, um irrelevante, um desnecessário. 

E não apenas um inútil para os outros, mas um insignificante até para si mesmo. Sem os bom bocados que sempre conseguiu morder da coisa pública nesses últimos 13 anos de Brasil da Silva, Lula não teria sequer se transferido de Brasília para São Bernardo do Campo com 11 caminhões de mudança. 

Lula não moraria no duplex onde mora; não sonharia em ter ou não ter o triplex com sauna, piscina e frontispício para o mar de Guarujá; Lula, sem a bufunfa dos cofres públicos e as engrenagens da máquina pública, não teria nem mesmo feito aquelas 111 viagens àquele sítio de amigos, em Atibaia. 

Lula, sem coringa na manga, é carta fora do baralho; é esse fracasso que aí está: não conseguiu sequer convencer o PMDB a ficar ao lado do PT, nem que fosse apenas por um tempinho mais; só um tempinho...

Um tempinho de nada; digamos, o bastante para que ele mesmo derrubasse a Dilma que, furando o trato de passar só quatro anos no Palácio, lhe passou a perna quando se reelegeu em 2014. 

Mas aí vem agora o PMDB e mata a cobra e mostra o pau: quando não tem nada para oferecer Lula fica boiando. É quando ele já morreu e não sabe. Morreu, morreu, no melhor sentido da expressão, é evidente. 

Como a Lava Jato provoca essa tsunami de pobreza no coração do PT e nas entranhas do governo, Lula se revela menos hoje, muito menos que o Lula que ontem arrombava portões de fábricas nos velhos tempos do ABC paulista. Ele é hoje muito mais, muito mais rico do que há exatos 52 anos. 

Neste dia 31 de março, os que ainda restam daqueles que fizeram a Revolução de 64, vão convidar Lula para ser o Pai do 1° de Abril. Um arremedo de ditador do Dia dos Bobos.