O medo

TENHA MEDO DO QUE O GOVERNO PODE FAZER COM VOCÊ. NO BRASIL GOVERNAR É SATISFAZER NECESSIDADES FISIOLÓGICAS.

13 de mai de 2016

QUEM TRAI SE TRAI A SI MESMO

Quando você trai alguém que confia cega ou interesseiramente em você, você trai a si mesmo, no riso, no abraço, no beijo, no olhar... Mas isso é coisa do velho cancioneiro popular. Na real, você contrai uma culpa que não tem reparação possível, já que depende apenas de você perdoar a si mesmo.

Então é difícil. Você, como ninguém mais, conhece você. E você então deixa pra lá, mas no fundo, no fundo, não esquece e volta e meia se condena.


Hoje Dilma padece a dor do abandono, porque passou a perna no Lula. Tá foi bonito, não é qualquer um que o "apunhala pelas costas", malgrado ele viva se queixando de uma punhalada aqui, outra punhalada ali.


E foi assim, a lâmpada apagou: Lula fez de Dilma um poste iluminado; deu-lhe de mão beijada quatro anos de presidência do Brasil da Silva. Mas, pô, ela bem sabia que era a criatura do criador do Brasil. Brasil, vírgula, Brasil da Silva; Brasil dele, pô!

Mas, eis que o poder pode com qualquer um, desde quando, o Zé Gilberto Moura, curador do Museu Natura, escrevia farmácia com PH.

E foi por isso que Dilma gostou e, em 2010 fincou pé no chão e um punhal nas costas de Lula. Encomendou o replay do seu mandato, mesmo sabendo dos riscos que todo mundo logo ali soubesse que o país, objeto do desejo dos dois, estava quebrado.

Dilma sabia que o seu governo tinha arrombado e deixado arrombar. E sabe lá você, qual a razão mais forte que levou a criatura a devorar o criador? É que Dilma Mulher Sapiens sabia, pela tosse, com que boi estava lavrando.

Dilma Vana, mais do que ninguém, tinha certeza de que se tivesse cumprido o trato e deixado Lula se candidatar em 2010, quando essa roubalheira, esse destrambelhamento todo viesse à tona, como veio mesmo, o agora presidente Lula diria - como é da sua natureza: - Não fui eu; foi Dilma!

E então, você assim como eu e Rita Lee - uns filhos de Deus que não acreditam em nada e até duvidamos da fé - seria convencido de que Lula, o Imortal, chegaria nesta sexta-feira 13, a mais um final infeliz de sua estrambólica carreira de pobre bilionário. Mas chegaria uma vez mais, apunhalado pelas costas.

E Dilma Vana, pobre doidiVana, estaria tão abandonada e triste, como agora, remoendo a incômoda companhia da mesma culpa de não se perdoar pela traição que a corrói agora. Só que seria uma tristeza já bem mais antiga. Essa pedra, até Dolores Duran já cantava.