O medo

TENHA MEDO DO QUE O GOVERNO PODE FAZER COM VOCÊ. NO BRASIL GOVERNAR É SATISFAZER NECESSIDADES FISIOLÓGICAS.

16 de mai de 2016

O CRIME ORGANIZADO É O ESTADO
E O ESTADO SOMOS NÓS

Vamos combinar que fica tudo a combinar, mas antes de tudo e de mais nada, a gente precisa reconhecer que já se acostumou com o fato de que o crime organizado está protegido nas gavetas dessa Democracia de Gabinetes que nasceu no Brasil em 1985.

Tudo se organizou e sistematizou a partir daí, quando Zé Sarney assumiu a Presidência da República, no lugar de Tancredo Neves, eleito e sepultado pelas Diretas-já.

Nesse Brasil da Silva descoberto em 15 de março daquele ano sarneyziano, o crime organizado começou a ser infiltrado pelo poder dominante até que passou a ser o próprio Estado.

DESVIRTUAMENTO ÉTICO

Porque você não tinha se dado conta disso, não quer dizer que não seja isso mesmo a realidade que corre nas artérias do país de ponta a ponta e nas veias desprotegidas e distraídas da população.

O crime organizado aqui é coisa natural. A gente tá nem aí para uma realidade tão trivial e tão banalizada. É futilidade corriqueira na vida desse país tomado de assalto pelos tidos e havidos como salvadores da pátria.

Nesse Brasil da Silva, o desvirtuamento ético já nem é mais chamado pejorativamente de “jeitinho brasileiro”; hoje é como se fosse um benéfico e louvável desvio de conduta.

VEM DE CIMA E NOS ATINGE

Assim é que movidos pelo mau exemplo que vem de cima, os brasileiros levam a vidinha numa boa, sem perceber que têm a corrupção no sangue contaminado pelo vírus do Estado bandido. E para nós, democratas de gaveta, já não há nada demais quando...

Peraí, só um pouquinho que eu vou repassar uma lista de dez velhacarias que observadores atentos listaram, quanto a comportamentos que já não consideramos mais como corrupção. Vamos lá, venha comigo: 

1) Não dar nota fiscal; 2) Não declarar Imposto de Renda; 3) Subornar o guarda da esquina; 4) Dar ou aceitar troco errado; 5) Usar carteirinha falsa de estudante; 6) Furar a fila; 7) Fazer gambiarra de TV a cabo; 8) Comprar produtos piratas; 9) Falsificar assinaturas; 10) Bater ponto pelo colega.

Feito isso, bem do jeitinho que todo mundo faz, a gente põe a culpa nos maiorais dessa República dos Calamares, põe a culpa nas chamadas “forças-vivas” desse Brasil da Silva, hoje refém do crime organizado que governa o país com pompa e circunstância, sem medo de ser feliz.

E eles, por sua vez, nos usam como desculpa para continuarem agindo como agem, ao arrepio da lei e sob o manto da dita cuja.

O VIZINHO OU NÓS MESMOS

Eles dissimulam a origem de seus recursos, de suas incomensuráveis fortunas ilegais à custa de licitações fraudadas, tráfico de influência, obras públicas hiperfaturadas, falsidade ideológica, chantagem, propinagem, corrupção ativa e passiva, consultorias, operação, receptação, laranjais, palestras milionárias, lavagem de dinheiro.

Eles colocam – e já nem nos escandalizamos mais com isso – a vida pública na privada; botam seus ganhos e arreganhos em paraísos fiscais. Puxam a descarga de um escândalo atrás do outro como a mais regular e fútil necessidade fisiológica.

E, como já nos conformamos em carregar conosco a distorção do caráter ético que chamamos de “jeitinho brasileiro”, amortecemos na consciência o doloroso fato de que já nos conformamos:  Bolas, se o governo rouba e deixa roubar, por que eu também não posso furar a fila, ou comer a mulher do vizinho se o vizinho não está vendo?

Só vamos chutar o pau da barraca se a mulher da gente for comer o vizinho quando a gente não estiver vendo; ou se o vizinho fizer com a mulher da gente o mesmo que a gente fez com a mulher dele.

“ISSO AQUI NÃO É A ROMA ANTIGA”

E, no entanto, parece até que essa pandilha de sevandijas que botou o crime organizado no lugar do Estado não está furando a fila bem na nossa frente. Ah, é que está chegando a hora de comer a mulher...

Peralá, vamos dar tempo ao tempo. O cara recém está chegando no Palácio do Planalto. Só não podemos agora é relaxar e permitir que ele traia a primeira-dama em exercício.


Afinal, como disse já faz tempo a hoje afastada Dilma Sapiens: “Isso aqui não é a Roma antiga!”. Não basta ser honesto, tem que parecer honesto.