O medo

TENHA MEDO DO QUE O GOVERNO PODE FAZER COM VOCÊ. NO BRASIL GOVERNAR É SATISFAZER NECESSIDADES FISIOLÓGICAS.

18 de mai de 2016

DIANTE DA HERANÇA MALDITA
É SÓ CALAR E TRABALHAR

Muitos amigos seguidores das coisas que digo por aqui, têm estranhado as críticas que tenho feito ao recém instalado governo-tampão Michel Miguel. Muitos me pedem para maneirar e dar um tempo de confiança ao novo presidente de plantão. 

Entendo o sentimento de esperança e o desejo de êxito que mora no fundo do peito de cada um de vocês. Eu também quero que o Brasil saia dessa crise econômica, política e moral em que está mergulhado. Mas, deixem ver se me explico bem...

Eu fui e sou a favor da transição. isso, no entanto, não quer dizer que eu confio no que aí está e nos que aí estão, só porque expurgaram a Dilma, ou apenas porque tem cara de governo novo. EU quero mais é que esse governo provisório que deve se estender até 2018, faça o que o PT não fez nos seus 13 anos e meio de poder bandoleiro.

Só para não dizer que não falei deflores: eu sou livre-atirador, ou livre-falador; posso falar de tudo que venha de cima e me atinja. Até de flores, ainda que algumas, como as rosas, tenham espinhos. Quem não pode e não tem que falar de tudo e mais um pouco são os ministros que estão chegando.

Nenhum é delator premiado, sua palavra, pois, é palavra nada mais do que palavra. E eles andam deslumbrados demais para o meu gosto e para a expectativa dessa esperançada nação brasileira.

O tempo é de caos. Esse é o legado de Lula e Dilma. A hora é de fazer, ao invés de dizer. Falar, falar, então que falem com o Temer. E assim conversados, mãos à obra. 

O ministro da Justiça, aquele que tem uma cara que parece a do Marcos Valério redivivo, já disse bobagem e teve que engolir as palavras e desdizer o que disse sobre a escolha do procurador-geral. Pegou mal. Ministro da Justiça tem muita coisa para fazer que o Zé Cardozo não fez porque virou advogado do PT e da Dilma.

O Zé Serra até que falou bem quando falou mal da canalhocracia bolivariana. Já o ministro da Saúde, sem mostrar programa algum para o setor, mostrou sérios sintomas de estar contaminado pelo vírus da picadura que tomou conta de Dilma a ponto de ela criar um slogan peripatético: "O Brasil é mais forte que um mosquito". 

O sujeito lá da Cultura, recebido com vaias ficou com cara de Juca de Oliveira. Credo, me pareceu até que ele vai aplicar à vontade a Lei Rouanet sin perder la ternura. Deu ares assim de quem tem medo de ouvir Chico Buarque, ou levar uma cusparada do Zé do Breu.

Tem o Marcelo Cetano na Previdência, mas o Meirelles foi quem falou por ele: "A reforma da Previdência sai em 30 dias". Isso foi ontem. Hoje só faltam 29.

Por falar em Meirelles, até aqui ele só fez beicinho e promessas, além de ameaçar atirar de volta a CPMF nas costas da gente. Escalou a sua turma da economia de tal maneira que falar com um e com outro ou com todos ao mesmo tempo, vai parecer que se está falando com o Meirelles.

Assim é que eu gostaria de dizer aqui, malgrado contrarie os seguidores que me pedem contenção e paciência, que esse governo fale menos e faça mais, já! O tempo é curto. Sobra-lhe menos de 180 dias de vida. Só depende desse governo garantir sua sobrevida até 2018.

Juntem-se todos esses novos ministros, esses novos governantes de todos os escalões em torno de Michel Miguel e deixem que ele diga de um fôlego só, com todas as letras o que é mesmo a herança maldita que o PT nos deixou.  Depois é arregaçar as mangas e fazer nesses dois anos e meio até 2018 o que têm para fazer de tudo quanto o que, em 13 anos e meio, o Partido dos Trabalhadores não fez: trabalhar.

Simples assim. Pode parar com essa onda de lançamentos de pedra fundamental de grandes promessas. De PAC o Brasil está farto e insatisfeito. Não venham distribuindo palitos e fio dental para quem tem fome.