Aos poucos e até aos muitos, a voz rouca das ruas vai sufocando a voz rouca dos discurseiros profissionais; vai engasgando os que nos enfiam suas vontades goela abaixo ; vai em frente sem armas e sem governantes por trás; sem banners com siglas partidárias, nem pirulitos de centrais sindicais, nem posteres de movimentos de fachada, de uniões de estudantes domesticados, ONGs compradas, ou poderes infiltrados pelo crime organizado.
Vai ser meio demorado, vai custar mais do que a gente pode esperar, - ainda é preciso saber direitinho onde e quando chegar e, em lá chegando, o que fazer - mas ainda que armados só de vassouras simbólicas ou de bengalas eletrônicas, ainda assim a vassoura da população consciente há de suplantar o espanador de butique que a dama do Palácio resolveu empunhar para dar uma espanada de leve na pandilha de sevandijas.
A jovem vassoura virtual e as bengalas das gerações já cansadas de ver o Brasil repartido em saborosas fatias para os podres-de-rico e em migalhas humilhantes para os pobres coitados, um dia, sairão das ruas e varrerão as rampas, as escadarias, os corredores dos palácios dessa minoria esmagadora que achata e domina a maioria absoluta.
A maioria está trocando o silêncio do conformismo pela vassoura da indignação porque já não aguenta mais o cheiro fétido que exala da Esplanada dos Ministérios e se espalha sobre os brasileiros que trabalham para pagar a conta dos serviços públicos essenciais que não lhe são prestados.
Dia 15 de Novembro tem festa oficial patrocinada pelo governo, em todas as suas dimensões territoriais. Mais palanque e mais desfiles para a vitrine. O Movimento Anticorrupção tem encontro marcado com as cerimônias de exibição dos donos do Brasil. Vai ser bonito de se ver. Vassouras e bengalas unidas, jamais serão vencidas.
RODAPÉ - A vassoura de hoje, a que o povão está empunhando, não é a mesma vassoura demagógica de Janio Quadros ou da Dilma que a preteriu por um espanador. É a vassoura que vem de baixo pra cima, para varrer a sujeira de cima abaixo.