O medo

TENHA MEDO DO QUE O GOVERNO PODE FAZER COM VOCÊ. NO BRASIL GOVERNAR É SATISFAZER NECESSIDADES FISIOLÓGICAS.

17 de ago de 2016

ENTREVISTA COLETIVA-EXCLUSIVA ENTRE O GARANHÃO DE PELOTAS E SEU GHOSTWRITER.

Perguntas e respostas de uma coletiva-exclusiva, de alma tão isenta quanto a alma das pesquisas de opinião encomendadas pelos senhores dos anéis que se apropriaram dessa Democracia de Gabinete, em que mais de 200 milhões de brasileiros cabem em suas gavetas.

Garanhão de Pelotas, você é um cidadão do mundo por que gosta mais do mundo do que gosta de Pelotas e do Brasil?

Tá me estranhando? Eu adoro o Brasil. Ele é pra mim como se fosse Pelotas, a minha pátria pequena que deixei lá no Sul: sempre que posso estou distante o suficiente para, de quando em vez, ir até lá matar a saudade e logo sentir o desejo de dizer adeus.

Tá bom, vamos ao que interessa. Seguinte: o povo decente está parecendo diante desses políticos, todos esses políticos, com aquela cena antiga do cão que ladra atrás do ciclista e quando o ciclista para a bicicleta e o encara, o cão também para e deixa de latir...

É quase isso mesmo. Só que não. É que a Lava Jato fazendo o que tem feito, parece que já fez tudo por nós. E aí, o brasileiro acha que só votar direito já tá muito bom...

Epa!...

Epa, não, meu confrade. É que hoje existe um Brasil virtual que se acha nas redes sociais, mas não se encontra de verdade. Eu e você mesmo... Há quanto tempo a gente não toma um café com bolinhos de chuva? A gente mais que ideias para trocar. O brasileiro de alma muito diferente da alma do Lula, esqueceram que a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida...

Isso é Vinícius, mas qual é a versão que está nas entrelinhas?

Pra gente dar um jeito nesse país que tem um Estado bandido, gerenciado pelo crime organizado, os brasileiros têm que se organizar também. Tipo assim, tomar pelo menos duas ou três providências, sem truculências ou exageros. Por exemplo: estreitar os seus contatos; tirar os fundilhos da cadeira.

Como assim?

Como assim? ... Comendo, ora bolas! Quanto mais você se encontrar com pessoas, mais poderá apontar injustiças; poderá analisar o que de bom vocês juntos podem fazer contra o que é ruim nos opositores; o que de bem vocês e mais outros e outros mais, podem fazer de bem contra o mal.

Parece fácil.

Nem tudo é o que parece. Essa aproximação tem que ser constante: visitas, cartas, mensagens, webmedia, cafezinhos fortuitos, almocinhos executivos, abaixo-assinados, reuniões, manifestações, encontros. Enfim, uma vida social ativa que, de passivos, esse mundo tá cheio.

Tá, mas já avisaram os adversários que eles vão perder?

Não, nem têm que avisar. Precisam é se encontrar. Essa parada parece fácil, mas não é. Na maioria dos casos os adversários se recusam a se encontrar conosco. Por várias razões: uma, porque somos opositores; duas, porque eles podem ter raiva; três, por desprezo; quatro, por medo: eles podem achar que queremos minar o seu poder. Afinal, eles nos encaram como opressores e se colocam no papel de vítima.

Então?...

Então, a vítima cala e dá no pé, não quer se encontrar com o cara que traz a verdade com ele. É aí que a gente precisa ter uma plano organizado de confrontar essa politicalha que tomou conta do nosso país e usar de muita prudência, para não darmos com os burros n’água, por que se há uma coisa que políticos, governantes e autoridades fazem na vida é se juntarem contra nós. Eles são organizados. São astutos e têm uma vela pra cada santo; um lenço pra cada choro.

E assim, eles acabam ganhando?


Eles vêm ganhando. Ganhando muito. Ganhando demais e o que não podem e não devem ganhar. É que eles se organizam de tudo que é jeito: nos currais eleitorais, nos partidos que eles mesmos inventam, nas leis que eles criam, nas diferenças sociais que estabelecem uma clara divisão de classes nesse país: os políticos e as pessoas. Mas, podem perder...

Como assim? Como assim, não... Como é que se faz para ganhar deles?

Criando um movimento sem truculência, bem organizado, esperto, astuto, com uma ideia clara do que se pretende alcançar. Um movimento, de vários movimentos; uma legião ou várias legiões de pessoas que não se deixem encantar pelo canto das sereias; que não queiram o Estado como patrão; que não se deixem envolver nem se vendam ou queiram comprar.

De novo, parece fácil...

Pô, você não tem outra coisa pra dizer? É o seguinte. Esses grupos formados por nós, os indignados até agora virtuais, comecem por recusar qualquer colaboração com o que seja, por menor que o seja, injusto e desonesto. Temos que partir para a ideia de não sermos cúmplices dessa pandilha, seja por ficarmos calados, seja pelo silêncio ou pela cooperação ingênua.

O que vem a ser esse tipo de recusa de, digamos, não-colaboração?

Tá caindo de maduro. É não receber nem oferecer propina, nem gorjeta, nem cometer fraude fiscal, furar a fila, dar o troco errado, discriminar raça, religião, sexo & rock’n roll. É também não desdenhar dos tais, com o perdão da palavra, Centros de Defesa dos Direitos Humanos. Temos que recusar certas leis, não porque não sejam boas, mas porque elas vêm sendo usadas para os canalhocratas burlarem as leis.

E por que a gente não fez isso ainda?

Peraí, tchê! Não é só isso, tem mais um pouquinho. A gente precisa se organizar – começando pelos vizinhos, pelos colegas de trabalho, pelos companheiros de colégio ou faculdade – para poder partir para o que se chama de desobediência civil.

Mas, isso não dá cadeia?

Ah, peraí maluco beleza! Desobediência civil já deu cadeia pra alguém desses proprietários indébitos do nosso país? A desobediência civil deve ser usada contra uma lei injusta. E quando é injusta, uma lei, qualquer lei, deixa de ser lei. O segredo é desobedecer com disciplina, com método, com organização. Isso, ninguém faz sozinho. O diabo é que nós somos uma multidão dispersa.

Pelo que vejo você está me aplicando o velho preceito de que a união faz a força...

Isso, isso, isso. Mas, há casos em que a União faz açúcar! A gente precisa praticar a desobediência civil, sem violência, sem excessos, com ordem e sem indisciplina. Precisa agir nas fronteiras que estabelecemos em conjunto – quando já tivermos formado um bom grupo. A gente precisa ser um desobediente civil que nada esconde, sem fraude.

Moral da história?
A moral da história é que a gente precisa sair dos encontros no Brasil virtual e nos encontrarmos de verdade com a família, com a tradição, com a propriedade. Epa! O que eu quero dizer é que os políticos e o crime são organizados; eles se juntam e usam suas diferenças para fazer com que sejamos obedientes e submissos aos seus descalabros. Assim, separados, os brasileiros de boa vontade ficam baratos e fáceis de serem comprados ou de se venderem.

O que foi que você me disse nessa coletiva-exclusiva, Garanhão?


Disse que se os brasileiros não forem covardes egocêntricos e se juntarem usando as armas da sua inteligência, da razão, da justiça e da verdade, o Estado deixará de ser bandido e o crime organizado perderá o governo para o povo. Quando a gente descobrir que os grandes só nos parecem grandes, porque estamos ajoelhados, então a gente vai fazer que todo o poder emane do povo; que em seu nome o poder seja exercido e que, esse poder com o povo seja repartido.