O medo

TENHA MEDO DO QUE O GOVERNO PODE FAZER COM VOCÊ. NO BRASIL GOVERNAR É SATISFAZER NECESSIDADES FISIOLÓGICAS.

26 de jan de 2015

A LAVA-JATO TEM UM PÉ NA ÁFRICA

A Lava-Jato está chegando na África. Lá, o bunga-bunga da Petrobras foi ao som dos tambores africanos. 

E adivinhe aí você, qual foi o eco mais retumbante ouvido pelas savanas nos anos dourados da caça ao tesouro escondido no fundo do poço? 

Ora, pois, decerto muito mais que o ribombar dos tambores africanos, o som que até hoje ficou pairado no ar das Áfricas foi o rugido roufenho do encantador de leões e do nem sempre temível Leão da Receita. 

O ruído mais ressonante foi o som gutural do filho preferido dos deuses brasileiros para assuntos de bunga-bunga. 

Foram tantos os safáris; tantas, tantas emoções... 

Certa feita, conta a história da paixão de um homem pelo Nobel da Paz, três grandes empreiteiras contrataram o maior palestrante da Terra, para cuidar do povo desvalido que sofre as agruras de viver em Gana, Benin, Guiné Equatorial e Nigéria. 

Isso não faz lá muito tempo, eis que a aventura se deu em março de 2013, quando o notável orador foi contratado pelas construtoras Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Odebrecht para uma aventura na África inóspita e fazer palestras para mitigar o sofrimento daquele povaréu desvalido, pobre, fraco e oprimido.

Por acaso, as três empreiteiras têm histórico de doações eleitorais para as campanhas presidenciais de quem já goza o poder e, também por mera casualidade, as três empresas são as que mais executam obras do governo federal. Não é por acaso, no entanto, que hoje elas estão enroladas até o pescoço na Operação Lava-Jato.

O grande orador, com doutorado em honoráveis causas próprias, ficou daquela feita, seis dias por lá. Flanando e parlando, parlando, parlando, até que se deu bem e de braçada.

Durante aquela que foi só mais uma de suas estadas pelo continente africano, o paladino da justiça e do bem-estar fez duas palestras custeadas por empreiteiras: a primeira foi em Gana, com patrocínio conjunto da Odebrecht e Queiroz Galvão. 

A segunda conversa fiada, teve a égide da Andrade Gutierrez que doou para a campanha presidencial de 2006 mais de R$ 2 milhões para o contador de histórias ganhar o bicampeonato.

E assim foi que o paladino foi falando para as plateias africanas sobre como a experiência do Brasil no combate à pobreza ajudou a desenvolver a economia e o que isso teria a ver com a relação Brasil-África. Só para que se saiba hoje por anda pisando a turma da Lava-Jato, diga-se que está na trilha dos federais uma armadilha que tem as digitais das três empreiteiras na campanha de 2010 que elegeu a criatura do criador, contador de casos e salvador de pátrias. 

Naquela data querida, a Queiroz Galvão doou para o poste iluminado do grande orador R$ 9,38 milhões; a Andrade Gutierrez entrou com nada menos do que R$ 15,7 milhões e a Odebrecht com miseráveis R$ 2,4 milhões.

As palestras daquele março quente na África foram feitas para convidados das empresas. E, além do cachê até hoje desconhecido, os desinteressados patrocinadores pagaram o transporte e a hospedagem. 

Os pagamentos foram feitos à LILS, empresa aberta pelo próprio bwana palestrante justamente para que ele possa receber pelas palestras.

E então, minhas queridas e meus queridos, não fiquem estarrecidos - como hoje acontece nos palácios republicanos - porque ainda há muito para ser descoberto e contado pelos operadores da Lava-Jato que já estão com o pé na África. 
E não é por nada que este safári investigativo já anda pisando em cima de cada pegada deixada pela trilha que, a cada dia que passa, fica mais perigosa para o aventureiros que salvaram a democracia no Brasil e que agora querem salvar a África. 
A missão desse novo descobridor do continente africano é meritória. E por isso mesmo, por meritória, merece um alto preço. Vai custar caro a muita gente boa. Boa de papo; boa de passar a conversa em meio mundo. Mais, mais... Em todo mundo. 
Ah e se quiserem saber: procurando na Tanzânia, na Namíbia, no Quênia, também vão achar