
A desestabilização democrática se deu há muito tempo. Começou a balançar em 2002, quando Lula subiu a rampa e, dono de um carisma engrossado pelo desassombro de quem sabe o quanto vale uma mentira repetida mil vezes, implantou sorrateiramente a "estratégia de coalizão pela governabilidade". A governança de Lula botou preço em tudo e em todos. Lula descobriu o quanto as burras públicas podiam comprar de inteligência nacional. E quanto poderiam valer as consciências do Estado democrático.

E o jeito Lula continua fazendo assim. Porque agora é assim. Se não faz, manda fazer. Outro dia mesmo, a primeira-presidenta Dilma Vana cumpriu a tarefa de Lula e, como sua corretora, comprou o apoio de Marta Suplicy à campanha do hilário Fernando HaHaHaddad, pagando-lhe a aliança com o Ministério da Cultura.
E cargos e funções e diretorias e presidências de empresas estatais, ministérios e organismos genéricos e similares dos três Poderes constituídos, são usados desde sempre e ainda hoje e para sempre como moeda de troca, numa deslavada cooptação de políticos de todas as alas e de todos os blocos, num carnaval indecente, como se esta emporcalhada "estratégia de coalizão" não fosse um monstruoso e hipócrita atentado ao Estado democrático.

Mensaleiro é o de menos no Brasil, embora seja o que mais tem por aí... O demais, a grande chave da balbúrdia ética nacional é o poder de mexer com os pauzinhos que servem para abrir e fechar cada porta da Esplanada dos Ministérios, cada porta de estatal, cada governo estadual, cada prefeitura, cada sede partidária, cada central sindical, cada político, cada cidadão, cada núcleo social que esteja desprevenido contra a pior e mais perniciosa marca que um político poderia infringir ao tecido social de um país: a estratégia de coalizão pela governabilidade.
A estratégia, verdadeiro jeito Lula de ser, marcou e continua marcando cada coisa e cada pessoa que compra como se fosse só mais uma cabeça de gado do incomensurável rebanho que adquiriu depois de oito anos como proprietário do Brasil, com uma senha mágica muito mais ágil e prática do que a frase "abre-te Sésamo" de Ali Babá: - Qual é o preço?!?