O medo

TENHA MEDO DO QUE O GOVERNO PODE FAZER COM VOCÊ. NO BRASIL GOVERNAR É SATISFAZER NECESSIDADES FISIOLÓGICAS.

5 de abr de 2016

REGOZIJO POR UM FRACASSO RETUMBANTE

A esgotosfera num esforço inaudito para garantir o mandato da patronagem que lhe garante o pão de cada dia, o governo Dilma do presidente de honra Lula da Silva, parece até o samba do barracão de zinco, pois faz das tripas coração pedindo socorro para mostrar ao mundo que tem valor... 

Conseguiu dar um furo sensacional - a fonte deve ter sido a Marilena Chauí - e contar para quem quiser saber e a quem interessar possa que "Mais de 4 mil professores universitários assinam Carta da Democracia". 

E a notícia é a seguinte: trata-se de uma carta aberta de professores universitários brasileiros dirigida à comunidade acadêmica internacional. 

Os arautos da boa nova garantem que houve uma adesão de mais de 4 mil "docentes e pesquisadores" do ensino superior no que chamam de "mais expressivo e amplo posicionamento da academia na denúncia à tentativa de golpe no Brasil". 

E os jornalistas de encomenda anunciam aos quatro ventos que o lançamento oficial da carta será nesta quarta-feira na Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da USP. 

Alardeiam e dão como certa a presença notória e marcante dos seguintes gênios do engajamento político nessa democracia de gabinete, cheia de gaveteiros: professores Alfredo Bosi, Ruy Fausto, Lincoln Secco, Luiz Bernardo Pericás, Marilena Chauí, Laymert Garcia dos Santos, Deisy Ventura, Vera Paiva, João Adolfo Hansen, Vladimir Safatle, Heloísa Buarque de Almeida, Marcio Sotelo Felippe e Dennis de Oliveira. 

Pronto, a notícia é esta. Aleluia, Aleluia, osana nas alturas! São "4 mil assinaturas de docentes e pesquisadores do ensino superior". É a primeira vez que se vê tanto regozijo por um fracasso tão retumbante. 

Só para que vocês tenham uma ideia: o último censo a respeito do número de professores do ensino superior no Brasil foi feito em 2001. E sabe quantos professores esse país tinha naquelas priscas eras? Nada menos do que 219.247 "docentes e pesquisadores". 

Traduzindo do português para o português num rápido exercício de matemática: quer dizer que pelo menos mais de 215 mil docentes e pesquisadores não assinaram essa carta aberta que vai ser lançada com pompa e circunstância nesta quarta, lá na USP. 

São, por supuesto pois, pelo menos 215 mil professores que resolveram endurecerse pero sin perder la ternura e por isso estão, decerto, a favor do golpeachment.