O medo

TENHA MEDO DO QUE O GOVERNO PODE FAZER COM VOCÊ. NO BRASIL GOVERNAR É SATISFAZER NECESSIDADES FISIOLÓGICAS.

7 de abr de 2016


IMPEACHMENT BRINCALHÃO MOSTRA
O JEITÃO ESNOBE DE SER MINISTRO SUPREMO

Ministro Marco Aurélio Mello sobre o brincalhão pedido de seu impeachment formulado pelo Movimento Brasil Livre: "Não sou semideus e, portanto, posso ser questionado no Congresso Nacional". Ah, mas que não é semideus, não é mesmo! Só pensa que é.

Não é, mas se fosse como se acha semideus, seria um semideus chato, palavroso, facundo, difusivo e maçante.

Basta ver o que ele diz de si mesmo, sem que ninguém lhe tenha perguntado. Bolas, ele foi apenas avisado que querem o seu impeachment.

Poderia simplesmente ter dito: "Tá, vou lá...".

Mas, não, ele resolveu perfilar-se: "Sou juiz há 37 anos e eu apenas busco ser e servir com pureza da alma e a partir da minha ciência e consciência e nada mais. Processo para mim não tem capa, tem conteúdo".

Taí, viu é um chato de galocha. E de capa também. Um requintado xaropão.

E já meto o meu bedelho também: ministro do Supremo não precisa ter toga, nem capinha de Batman; basta ser juiz e pronto. Nada é mais supremo do que, simplesmente, ser juiz de uma sociedade civilizada.

Marco Aurélio está levando essa tentativa bufa de impichada por cima porque pediu o impeachment do vice-presidente Michel Temer, o que tumultuou o  processo de impedimento da Dilma que vem correndo frouxo lá pela Câmara do ínclito Eduardo Cunha.

E foi então que, para não perder a chance de mais uma exibição de ergastulosidade do seu palavrório,  Marco Aurélio liberou uma vez mais seu pernosticismo habitual: "Não podemos fechar o protocolo do Tribunal.O interessante é que as instituições funcionem".

Defendeu-se tipo assim, "já que entraram com o pedido contra mim, então que toquem o barco" - claro que não nesses termos chulos; defendeu-se evidentemente na sua permanente versão pedante e esnobe de não ser semideus.

Agora, essa coisa de que "o interessante é que as instituições funcionem", é tudo que essa democracia de gaveteiros quer demonstrar. Só não dizem de quem são, como é que são e nem a favor de quem "as instituições funcionam".