O medo

TENHA MEDO DO QUE O GOVERNO PODE FAZER COM VOCÊ. NO BRASIL GOVERNAR É SATISFAZER NECESSIDADES FISIOLÓGICAS.

8 de jan. de 2011

Rato de redação

Foto: R. Stuckert/PR
Descartado por Dilma, projeto de controle da imprensa enterrado, Franklin Martins - o Caçador de Jornalistas, é o mais novo rato de redação. Se não conseguir uma boquinha nos veículos universais de Edir, o amigo de Lula, o mais provável é que o fotógrafo da foto lhe consiga uma boca de ministro da propaganda de Cuba. Tiete de Fidel Castro ele já mostrou que é; resta saber se a bola de Lula já não murchou também lá por Havana.

RODAPÉ - Macedinho - a única visita espúria na cerimônia do beija-mão na posse de Dilma -  vai entrar numa bola dividida. Se atender aos pedidos de quem tanto o atendeu bem por tanto tempo, pode contrariar aquela que não quer ver Martins nem pintado de ouro. A força vingativa de Franklin contra os veículos globais, não faz nem cócegas no poder de troco que a primeira-presidenta pode ostentar.

Passaportes, pugilistas e bandido

Essa história de passaportes diplomáticos para filhos e netos de Lula, para deputados e senadores, é tão nojenta quanto a hospedagem do italiano Cesare Bettisti que Lula concedeu, premido pela vaidade jurídica de Genro, o Tarso que não faz falta às mãos de ninguém.

Agora, o prendado governador dos gaúchos vem, uma vez mais, defender a soberania nacional e churumelas tais, como se ele tivesse dado àqueles dois pugilistas cubanos que fugiam do regime de Fidel Castro, o mesmo tratamento que sempre dispensou a Cesare Battisti cansado de guerra.

Battisti não passa de um reles condenado à prisão perpétua, em todas as instâncias da Justiça italiana, pela morte - com requintes de crueldade - de quatro pessoas em seu país. Ele cometeu os crimes quando fazia parte da versão italiana do PAC - Proletariado Armado pelo Comunismo.

Tanto no episódio dos passaportes, quanto nessa novela de Battisti, o governo Lula que já se foi, mostrou-se como um contumaz arrepiador da lei e da ordem. Colocou-se acima do bem e do mal; zombou do ordenamento jurídico.

A diferença é que esse tipo de escárnio só cola aqui no Brasil, lá fora o ar é outro. Lula - além fronteiras - mais que cidadão do mundo é um figurão exótico e tão engraçado quanto um clone do palhaço Tiririca. Oooops, palhaço não; humorista.

RODAPÉ - Na hora de pega pra capar, em plena época dos heróis que ficaram por aqui durante a Redentora, muita gente boa fugiu pelas fronteiras do Sul disfarçada de prenda dos Pampas.

7 de jan. de 2011

Interesse do País

"Em caráter excepcional e em função de interesse do país".
Celso Amorim - ex-ministro de Relações Exteriores, justificando a concessão de passaportes diplomáticos para dois filhos e um neto de Lula. Justificou, mas não explicou. Mas, já que é "de interesse do país", então que se mandem logo. (http://www.palavradehonravirtual.blogspot.com/)

Políticos fora do ar!

Foto: Agencia Brasil
Paulo Bernardo, das Comunicações diz da boca pra fora que é a favor da proibição de concessões de TV para políticos. A proibição das concessões de rádios e TVs não passa no Congresso Nacional  - até ele sabe disso - porque a maioria já é de políticos. Além disso, amanhã ou depois, os donos de rádios e de emissoras de TV se metem a políticos, se candidatam e viram vereadores, prefeitos, governadores, deputados, senadores, ministros... E nem por isso - ou principalmente por isso - vão jogar fora suas emissoras, suas rádios, suas TVs, seus jornais.... Se Paulo Bernardo conseguisse acabar com os horário políticos gratuitos na TV já estava de bom tamanho.

Melhor que a encomenda

Não foi dessa vez ainda que o golpe dos caças Rafale foi perpetrado. Jobim das Selvas entregou para Dilma a proposta de compra dos aviões franceses que ninguém no mundo quer. Pensou que eram favas contadas. Pois não eram.

Dilma contrariou Jobim e Patriota que nada entende de caça nem de pesca e mandou o dossiê para análise do amigo de fé, Fernando Pimentel, seu ministro de Desenvolvimento Industrial. Foi assim como se dissesse "em vós confio".

Os velhos afagos entre Lula e Sarkozy comoveram menos a primeira-presidenta do que a desfeita do presidente francês que não veio à cerimônia de sua posse. Outra coisa que a chefa do Brasil não esquece é a falta de atenção que o francês lhe dispensou num encontro em Seul, quando ela era apenas candidata. Sarkozy falou com Lula e ignorou-a como se ela fosse um poste. Dilma já está saindo melhor que a encomenda. A Força Aérea Brasileira, agradece.

6 de jan. de 2011

Mudança no Brasil

Nuncaantesnessepaís a mudança de um presidente custou tanto dinheiro e foi tão volumosa como a que transportou objetos pessoais de Lula para São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista.

A viagem custou por volta de meio milhão de reais e teve, entre 11 caminhões apinhados de presentes e mimos acumulados em oito anos de mandato, uma carreta climatizada só para que não chegasse "vencida" a adega do antigo pobre metalúrgico, hoje "pessoa não comum" de perfil claramente de escol - de elite, melhor dizendo, para que não se misturem marcas líquidas.

Reprodulção/Foto: Agencia Globo
No dia 4 de abril de 2009, a Secretaria Especial da Ordem Pública do Rio de Janeiro estourou dois depósitos clandestinos de mercadorias de ambulantes no centro da cidade. Cerca de 55 toneladas de mercadoria foram retirados em 11 caminhões. Isso não teria nada a ver com a mudança do ex-presideus não fosse o coincidente número de caminhões abarrotados nos servir de base para ver que o acervo de mimos de Lula e sua famiglia vale quanto pesa.

Voltando à vaca fria... Um dos mais elitizados líderes populares do mundo - comparável até ao mito Oscar Niemeyer, o comunista interminável -  Lula esperou cinco dias para que seus pertences chegassem a São Bernardo, desde que deixaram o Palácio da Alvorada, em Brasília.

Quem teve paciência, contou nada menos de um milhão e meio de fotos, cartas, vídeos, presentes, livros e condecorações. Ninguém falou até agora em coleção de dossiês. Devem ter ficado na residência vizinha ao Palácio, a conhecida Minha Casa Civil, Minha Vida.

Vocês podem até não acreditar, mas dona Marisa Letícia deixou de lado a timidez e - incrível, extraordinário! - falou: - Por favor, tenham cuidado com a adega.

Mais preocupou-se com o hobby do marido do que com as caixas que continham objetos pessoais, dignos de uma ex-primeira-dama: vestidos, chapéus, coisinhas assim que, só elas, ocuparam dois bons volumes tipo container. Coisa de gente pobre. Elite no Brasil, pelo que se ouviu durante oito anos de discursos, não é isso.

Elite é o que você é; o que é o seu vizinho; o que são os seus parceiros de happy hour, de cervejinha no bar da esquina...  Elite, no Brasil, somos eu e você que trabalhamos a vida inteira e nos aposentamos com 10 salários mínimos que hoje, fulminados pelo fator previdenciário, estão reduzidos a menos de cinco. Elite, no Brasil, é aquela turma metida a besta que não vota direito para presidente e, muito menos, para presidenta da República - seja ela dos Calamares, ou apenas Tiririca.

Então tá bom, a mudança chegou a São Bernardo, mas Lula e dona Marisa Letícia não estão lá para conferir item por item, tim-tim por tim-tim, como faz qualquer família brasileira que tenha dado duro a tal de vida inteira para chegar a tanto.
Lula já está acostumado com essa praia. A imagem é só uma reprodução do dia 7 de janeiro de 2010.

Lula e a família estão relaxando e gozando férias no Forte dos Andradas, no Guarujá, na Baixada Santista, litoral paulista. O Palácio do Planalto, dá conta a quem interessar possa que a reserva à família new rich foi feita para durar até este dia 18. Nada de ilegal nisso. Meio imoral, apenas. Mas, essa é justamente a praia de Lula. O drible na lei foi dado, comme d'habitude.

Ele e sua famiglia estão no Forte dos Andradas atendendo a gentil convite de quem manda no Exército. Quando uma hospedagem assim acontece a convite do governo, não arrepia as normas. A gentileza deve ser pleito de gratidão e reconhecimento ao tudo e por tudo que tem feito pelos coronéis que não chegam a generais de pijama, porque tem sempre uma Petrobras, ou outro organismo genérico e até similar pela frente, antes de tudo.

Assim é que a conferência dos bens que chegaram agora ao ABC paulista fica para depois, ou para o Dia de São Nunca, já que a transportadora é de confiança. Trata-se da mesma conceituada empresa que já fez as mudanças de João Baptista Figueiredo, Zé Sarney, Fernando Beira-Collor de Mello e Fernando Pé na Cozinha Henrique Cardoso. Tutti buona gente. Todos pobres a dar com pau. Com vida de rico. Noves fora, é claro, aquele que já bateu as botas.

Da parte das "queridas brasileiras" e dos "queridos brasileiros", resta a esperança de um dia poder morrer, porque goza do privilégio de pertencer à diminuta classe de quem tem onde cair morto. Ou, em caso de sobrevivência, poder presenciar uma verdadeira mudança nesse Brasil.

Mudança no Brasil

Dois dedos com Mantega

Caiu na rede: Assembleias aprovam reajuste em cascata

A um mês da posse, todas as Assembleias Legislativas do País já garantiram o aumento máximo permitido aos futuros 1.035 parlamentares estaduais. Impacto será de R$ 133 milhões ao ano.

E o Mantega tá encebando para aumentar o salário mínimo acima de R$ 540. O que é que a gente faz com ele?!? Se não é com ele, o que é então que a gente faz com esses malandros cascateiros que habitam o Congresso Nacional e as casas de tolerância legislativa do Brasil inteiro?!? A vontade que se tem é de fazê-los dançar um último tango, com dois dedos de Mantega.
A garota da foto não tem nada a ver com as travessuras do avesso do Robin Hood. Ela é Marina, filha de Mantega - o que tripudia dos assalariados. Só está aqui, como retaliação. Duvido que um pai - por Mantega que seja - goste de um escorregão assim, de um deslize desses.

CAFÉ DA MANHÃ - Ei você, que foi por Lula e votou na Dilma, já comprou seu quilinho de açúcar esse mês? Ah, sim... Você gosta de café amargo e detesta sobremesa. Você deve adorar Mantega.

OLHO-GORDO - No meio do maior olho-gordo pra cima dos cargos de segundo escalão e de mais gordurama no espaço do núcleo duro do poder, o PMDB ainda tem que se virar para não perder o controle sobre a Embrapa. Aloízio Mercadante já sinalizou que a empresa deveria estar, de forma irrevogável, na estrutura da Ciência e Tecnologia, ministério em que Mercadante costuma atender quando é chamado de Lula.

O PAPEL DE TEMER - O jornal O Estado de S. Paulo lançou uma enquete: Como será o papel de Michel Temer na Vice-Presidência? E deu as opções: a) fiel a Dilma; b) fiel ao PMDB.

Ora, nenhuma das alternativas. Vai continuar sendo fiel a si mesmo, ou não teria chegado à vice-presidência com fortes anseios de que venham por aí notícias de que, mais cedo ou mais tarde, o governo vai visitar as dependências do Sírio-Libanês.

SUSPEIÇÃO - Todo cara de 70 anos que tem a pachorra de andar pela rua de braço dado com uma mulher com menos de 30 deveria ser preso sob suspeita de pedofilia.

BEM FEITO - Só os caciques do PMDB não sabiam que o PT diz uma coisa e faz outra. Bem feito para eles. Agora, vem o Palocci, caseiro da Minha Casa Civil, Minha Vida, para "esfriar os ânimos dos peemedebistas". E os catadores de mordomia, como sempre, vão cair na esparrela. Eles merecem.

HERANÇAS - A Força Sindical subiu nas tamancas diante das declarações de Guido Mantega, ameaçando que o governo vai vetar qualquer reajuste do salário mínimo acima dos R$ 540 - herança bendita de Lula. Para a central Mantega é "um Robin Hood às avessas".

Dizendo que Mantega "demonstra claramente sua insensatez de burocrata", a Força avisa que vai intensificar a luta pelo valor de R$ 580. E bafeja: "Reafirmamos nossa confiança na sensibilidade social da presidente Dilma Rousseff em conceder um reajuste digno e justo para os 40 milhões de brasileiros que recebem salário mínimo e os aposentados que ganham valores acima do piso nacional."

A central, arvora-se assim, a falar em nome de todos aqueles que vem sendo injustiçados há oito anos pela falta de palavra do governo que prometera salários dignos para os trabalhadores, aposentados e pensionistas, além de acabar com o maquiavélico fator previdenciário - uma herança maldita de FHC que Lula consolidou com frieza e crueldade.

O tal fator vem roubando gradativa e paulatinamente os ganhos dos aposentados que percebem mais de um salário mínimo por mes, depois de terem trabalhado mais de 40 anos. Quem se aposentou há oito anos com 10 então merecidos salários mínimos, recebe hoje menos de cinco. Esse Guido com ranço de Mantega já fez o cálculo de quanto é o índice de inflação para essa fatia da sociedade?!?

5 de jan. de 2011

Lula e o Governo Paralelo

Lula que já tem computadores ligados diretamente a Palocci e telefone via satélite com Dilma, já começou a estruturar a transformação do seu Instituto Cidadania em uma entidade com cara de ONG, mas com banca de governo paralelo. Bem como ele fez em 1990 com o Cidadania quando levou aquela lavada de Fernandinho Beira-Collor.

A coisa começa bem. Osvaldo Borges, um dos aloprados, vai ajudar a financiar esse futuro escritório de Lula. Outro que está na boca é o ex-presidente do Sebrae e ex-tesoureiro de campanhas do PT Paulo Okamotto. Ele já anda à cata de, digamos, financiadores para o instituto que o desempregado - mas muito bem aposentado - Lula da Silva mandou recriar.

Meio papa do novo estado independente, Okamotto aparece na janela para dizer que enquanto não define o formato da nova entidade superior, Lula vai usar as estruturas física e jurídica do Instituto Cidadania velho de guerra, que sobrevive graças à bondade extrema e desinteressada de um grupo que é coisa assim de 30 sócios.

Dentre esses denodados participantes se pode encontrar o próprio dadivoso Okamoto, o deputadíssimo Arlindo Chinaglia, a ex-assessora especial da Presidência Clara Ant, o deputado e ex-tesoureiro de campanhas José de Filippi Jr. e o ex-secretário do Ministério do Trabalho Osvaldo Bargas. É o governo invisível dos Ex; porto seguro dos que já foram, mas não afundaram.

Bargas - pra seu governo - foi um dos pomos de Adão no caso da maçã envenenada que quase deixou o rei nu. Aquele achaque num apartamento que ficou conhecido como o escândalo dos aloprados, codinome posto pelo próprio Lula para identificar petistas que foram presos em um hotel em São Paulo, tentando comprar um dossiê para beliscar tucanos na eleição de 2006.

Bargas seria o intermediador de uma entrevista a respeito do que continha o tal dossiê, que detonou uma crise de imoralidade política. Quatro anos já se foram e nenhum dos aloprados foi punido ou denuniado e nem o dossiê foi sequer chamado de banco de dados.

O novo escritório de Lula - seja lá chamado de Cidadania ou de Governo Invisível - está na praça. Mãos abertas e braços estendidos a tantos quantos queiram colaborar a fundo perdido com mais essa novel organização não governamental. Se você não sabe, o Instituto Cidadania engendrou para o governo do PT o programa Fome Zero, que não saiu do marco inicial e acabou sendo engolido pelo Bolsa Famiglia.

Clara Ant/Div.

A ex-primeira-dama Marisa Letícia, terá sua sala no local que está sob reformas. Um cantinho para entrar muda e sair calada. E além de Lula os ex Paulo Vannuchi (Direitos Humanos), Luiz Dulci (Secretaria Geral), Okamoto e Clara, também terão seus gabinetes especiais para promover, no paralelo, as mudanças que o Brasil precisa.

As mudanças que, em oito anos de governo, Lula poderia ter promovido e não promoveu. Agora, num instituto oficioso, mais para pensar do que para fazer, vai ser mais fácil construir o Brasil que esse pessoal sempre sonhou. Sonhou e continua sonhando tanto que não se deu chance de acordar a tempo de fazer do sonho uma realidade.

Em suma, se o governo Dilma não tiver apetite suficiente para alimentar a verdadeira fome de mudanças dos brasileiros, o governo invisível o engole por debaixo dos panos e, em 2014, põe tudo em pratos limpos.
INTERMINÁVEL - E o recenseamento brasileiro como é que foi? Nem o censo do IBGE o governo Lula conseguiu concluir. Quantos somos, afinal? Número de eleitores não vale. Só a quantidade de bolsa-famiglia também não. Lula é como o Tiririca, ou é da elite? Quem recenseou o Brasil no Complexo do Alemão? Quantos já morreram e quantos já nasceram de novo por lá? Essas perguntas, são que nem tiro na Vila Cruzeiro, entram por ouvido e saem pelo outro?!?

SATÉLITE VERMELHO - Assim que tiver relaxado e gozado em férias lá no refúgio hospedeiro do Exército, em Guarujá, no litoral paulista, Lula vai assumir a sua verdadeira identidade para esses próximos quatro anos: presideus virtual. Tem conecção direta e sigilosa de internet armada com Palocci e um telefone secreto, via satélite, com Dilma, a primeira-presidenta. São Bernardo do Campo vai ser o Kremlin republicano do Brasil.

FIQUE ATENTO - Não percam de vista o Instituto Cidadania - mero ponto de fachada para desvios de atenção e, muito menos, a empresa de consultoria - ou gabinete itinerante - de Zé Dirceu. Ambos tem tudo para nadar em dinheiro. São ricos, fortes e geniais. A primeira presidenta é inteligenta, sabe onde a corda arrebenta.

THE DAY AFTER - A coisa que Michel Temer diz num dia, é desdita certa no dia seguinte. Hoje mesmo, o Diário Oficial da União traz nomeações de 2º escalão. Foi só um dia depois do vice-mais presidente da República ter dito que as nomeações estavam "suspensas".

Nesta quarta-feira (5) foram publicadas as nomeações de Mario Augusto Lopes Moysés para a presidência da Embratur e de Frederico Costa para a secretaria-executiva do Ministério do Turismo. Ambos, por acaso, tem carteirinha do PT.
OLHAÍ SÓ: - Lula tira férias em base do Exército em Guarujá, no litoral paulista, meio caminho andado do eixo Rio-São Paulo. Como assim?!? Quem está pagando o pato é o contribuinte. Nem que a conta fosse repartida com a turma do bolsa-famiglia, essa gandaia seria justa.

PINGUIM - Ainda que não seja e nunca tenha sido uma Brastemp, Tarso Genro é uma geladeira no governo Dilma. Quando Lula o desprezou e resolveu indicar um poste para a Presidência da República, o agora governador dos gaúchos tentou desprestigiá-la espalhando que Dilma não tinha "história" dentro do PT. Até agora não emplacou ninguém em escalão nenhum do Brasil sob nova direção. Tarso tem ainda quatro anos de inverno pela frente.

Reprodução/Folhapress
Pelas lentes de Lula Marques, da Folhapress, a primeira-viça-presidenta da República, Marcela Temer, carrega na nuca uma tatoo de seu marido, Michel. Nem sempre quando, em bom aconchego,  quiser lembrar seu nome, o vice-mais-presidente da história do Brasil deverá estar necessariamente diante de um espelho.

No Pincel

Cezar Peluso, presidente do STF deixou o seu xará italiano, Cesare Battisti, pendurado no pincel até fevereiro.

É quando termina o recesso do tribunal. Peluso reabriu o processo do criminoso apaniguado pela última pataquada do ainda presideus Lula da Silva.

Agora, enquanto o caso vai parar de novo nas mãos de Gilmar Mendes, seu relator, o condenado vai ter que aguardar um novo julgamento pelo plenário para saber se fica por aqui, livre, leve e solto, ou se vai cumprir a pena de prisão perpétua que lhe foi imposta pela Justiça da Itália. Isso fica para fevereiro.

4 de jan. de 2011

Escalão desnecessário

Só numa república tiririca como a nossa é que se pode ler uma notícia como esta do jornal O Estado de S. Paulo, sem ter azia e má digestão. Veja parte dessa "herança bendita" que o governo anterior deixou para o mandato da primeira-presidenta desse país de terceiro que assombrou o primeiro mundo de tanta viagem que fez do nada a lugar nenhum nesses últimos oito anos:

Dilma suspende partilha do governo para conter crise entre PMDB e PT
Temor da presidente é que a disputa partidária contamine votações relevantes no
Congresso

Vera Rosa, Christiane Samarco, João Domingos e Marcelo de Moraes - O Estado de S.Paulo

Na iminência da primeira crise política de seu governo, a presidente Dilma Rousseff agiu rápido para tentar conter a revolta do PMDB por conta da disputa com o PT pelos cargos importantes do segundo escalão do governo federal. Na reunião da coordenação política nesta segunda-feira, 3, no Palácio do Planalto, com os novos ministros, Dilma decidiu suspender a definição de cargos do segundo escalão até a eleição das presidências da Câmara e do Senado, em fevereiro. A presidente também acionou o presidente do Senado, José Sarney (AP), para tentar conter a rebelião no partido aliado.

O temor da presidente é que a disputa partidária contamine votações relevantes no Congresso e, sobretudo, crie um clima de revanche nas definições dos comandos no Congresso. A revolta do PMDB é tão grande que ontem o partido boicotou as cerimônias de transmissão de cargo dos ministros petistas Alexandre Padilha (Saúde), Luiz Sérgio (Relações Institucionais) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio).

Foto: R. Stuckert F°/PR
ENTRELINHAS - Ao mostrar pulso pela primeira vez desde que chegou à cadeira de presidenta, Dilma foi diligenta, mas não muito inteligenta. Revelou com toda a explicitude que só os atos públicos permitem, que esse segundo escalão é um saco de gatos, sem a menor utilidade.

Qualquer coisa paga com as burras públicas que pode ser "suspensa" por dois meses, qualquer organismo que possa esperar até fevereiro para receber
tratamento adequado, não precisa de cuidados. Esse organismo está num estado de degeneração tão adiantado que já não tem salvação.
Para o bem da alma nacional, melhor seria que Dilma administrasse uma eutanásia piedosa; aplicasse um tratamento de choque nesse câncer que evoluiu da segunda vértebra cervical da política para se mostrar à flor da pele de governos de ética debilitada, sem estrutura óssea capaz de garantir o equilíbrio e a qualidade de vida da população.

Para o bem de todos e felicidade geral da nação, melhor seria que, ao invés de "suspender" o atendimento a esse mal,  Dilma extirpasse esse câncer incurável em que se transformou o famigerado e famélico segundo escalação. 

O Brasil das "queridas brasileiras" e dos "queridos brasileiros" - livre dessa doença degenerativa e sem cura que se espalha pelo corpo estatal - gozaria de uma vida bem mais saudável.

As fotos não mentiam, jamais...

Foto: R. Stuckert F°/PR
Taí, então, a primeira-presidenta-pink, acompanhada por Michel Temer, o primeiro-vice-mais-presidente que o Brasil já teve e Antonio Palocci, da Minha Casa Civil, Minha Vida, sem a sombra do caseiro Francenildo.

Foto: R. Stuckert F°/PR
Então, taí ó, a primeira-presidenta-pink muito melhor só do que mal acompanheirada.

Rodovias da Morte

De sexta-feira a domingo, nessa passagem de 2010 para 2011, foram registrados 1.844 acidentes nas rodovias brasileiras; 106 pessoas morreram e 1.300 ficaram feridas. Viajar pelas estradas do Brasil é tão perigoso e mortal quanto qualquer atentado terrorista.

3 de jan. de 2011

Refluxo

Dia 2 de janeiro de 2011. Chove em São Bernardo do Campo. Nuncaantesnessepaís a Terra da Garoa teve tanto a cara de São Paulo. Sem mais o que fazer, Lula preferiu não nadar contra a correnteza. Abdicou de ir à praia, como se refutasse um terceiro mandato. Nem sequer mandou que providenciassem um pouco de sol para seu primeiro dia de ex-melhor-presidente que FHC.

Mortal ao extremo, almoçou arroz, feijão e pastéis fritos. Leu os jornais. Sobressaltou-se: - Cadê eu?!? As manchetes falavam de outras pessoas.

Cruz, credo! Lula jamais pensou que teria azia ao não ler notícias suas nos jornais. Pois, foi sestear com azia e um certo sintoma de refluxo. Só pode ter sido pelos pastéis fritos de dona Marisa Letícia. Ela não falou nada. Quanto a Lula... Bom, quem não está acostumado, estranha.

Gelo Internacional

Os figurantes de Dilma para assuntos globais - o aleatório Sargento Garcia, o Patriota do Itamaraty e Zé Cardozo da Justiça - mal entraram nesta segunda década do terceiro milênio, já falaram de tudo um pouco, até dos efeitos colaterais com a Itália pela consagração da tragicômica hospedagem para o bandido Cesare Battisti.

Só não falaram nada sobre o gelo diplomático que Barack Obama, os presidentes europeus e do chamado primeiro mundo deram em Lula, o Viajor. A festa da posse de Dilma acabou pagando o pato, justamente porque se tratava do adeus de Lula. Hillary Clinton, a emissária do Tio Sam, sequer concedeu a gentileza de marcar um encontro posterior, como fizeram os visitantes menos votados, com a primeira-mulher-presidenta do Brasil. Nada foi além daquele cordial e compulsório cumprimento na cerimônia do beija-mão e seja bem-vinda no Palácio do Planalto, na chuvosa tarde de sábado

Ficou evidente que as viagens estrambólicas do Presideus da Silva pelo mundo afora só serviram para lhe pespegar a imagem de mais um governante exótico e histrião, com modos e idéias de terceiro mundo.

A primeira-presidenta agora vai ter que reescrever o script e refazer o roteiro internacional, se não quiser ganhar o título de Presideusa Tiririca.

2 de jan. de 2011

Foi!...

Franklin Martins, o Tesourão - se despediu da Secom. Em seu lugar entrou Helena Chagas, coordenadora de comunicação da campanha presidencial de Dilma. Na cerimônia do adeus que não prendeu ninguém, balbuciou que "...a liberdade de expressão sempre foi respeitada". Só não falou com que azia.

Helena Chagas é jornalista, filha de jornalista. Seu pai é Carlos Chagas que foi secretário da Secom, no governo Costa e Silva. Helena falou bonito: "Abrir mão da mais absoluta liberdade de imprensa seria impensável para minha geração, que cresceu sob o regime militar".

E, para não deixar os anos de chumbo passarem em brancas nuvens, confessou: "Eu me lembro de ler muito Os Lusíadas nas capas do Estadão. À época, eu não sabia que aquilo era colocado ali porque as informações que deveriam ser realmente publicadas haviam sido censuradas". Naquele tempo, já se vê, o diálogo entre pais e filhos era um pouco mais difícil.

Incrível, fantástico, extraordinário!

Quase não dá para acreditar, mas lá se vai o primeiro domingo da segunda década do terceiro milênio e Lula, por incrível que possa parecer, não figurou em nenhuma solenidade para se despedir do cargo de presidente da República. Deve ser um sonho.

Só para que ele não precise se beliscar, a foto ilustrativa do texto é a de Dilma, primeira-mulher-presidenta que, diligenta e inteligenta toma, a partir de hoje, o lugar dele no Palácio, nas ruas, nas chuvas, nas fazendas, nas festas, nos holofotes, nas manchetes e até nos vídeos e nas fotos dos blogs e sites do governo.

Basuras en las pistas, ou O 1° Dia Ninguém Esquece...

R. Stuckert/PR
A ressaca do day after da festa da posse de Dilma foi com Bourbon. Felipe de Bourbon, príncipe das Astúrias. E começou assim o primeiro dia de trabalho da primeira-presidenta do Brasil. Nenhum presidente de verdade veio dos Estados Unidos ou da Europa para a despedida de Lula e as boas-vindas a Dilma. Um claro sinal de que as 85 escalafobéticas viagens de Lula foram jogadas como basuras en las pistas. Dilma vai ter trabalho para desfazer a imagem tiririca que Lula deixou pelo mundo afora.

R. Stuckert/PR
Em seu primeiro dia de expediente, Dilma já deu início ao seu programa social de amparo aos idosos. Aqui, ela segura o octagenário presidente uruguaio, Zé Mujica... Vá que ele fosse vítima de uma queda inusitada, ou coisa que o valha.

R. Stuckert/PR
Primeira-presidenta Dilma recebe, assim meio sem Norte, o primeiro-ministro da República da Coreia, Kim Hwang-Sik. Primeira-presidenta, primeiro dia, primeiro ministro... Plimela implessão chata, né?!?

R. Stuckert/PR
Primeira-presidenta Dilma Rousseff desconversa com o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, no Palácio do Planalto. Acostumado com o portugues de Lula, ele quase não entendeu que ela não queria dançar o Vira. 

R. Stuckert/PR
Primeira-presidenta Dilma em aparente troca flamulas com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, durante encontro no Palácio do Planalto. Houve quem esperasse uma troca de torpedos a respeito da Faixa de Gaza e de Jericó, na Cisjordânia. Quê nada, Dilma e Mahmoud são apenas bons amigos.

R. Stuckert/PR
Primeira-presidenta recebe o importante ex-primeiro ministro japonês, Taro Aso. Quase que ela pergunta: - Ué, você de novo por aqui? Não é nada, não é nada, Taro Aso seria a cara de Kim Sik, não fosse o par de óculos do representante da Coreia.

R. Stuckert/PR
Primeira-presidenta recebe, com um sorriso amarelo, o primeiro-vice-presidente de Cuba, Zé Ramón Machado Ventura. Até los hermanos Castro enviaram representante. Aqueles rapapaés de Franklin Martins em Havana não surtiram efeito nenhum.

Acesso de Gratidão

Os aviões do banqueiro Roberto Setúbal devem garantir os sobrevoos oficiosos de Lula, já como "pessoa comum" da República, mas nem tanto quanto nós outros.

Roberto Setúbal, dono do Itaú, bajulou outro dia, seu notável passageiro num acesso de gratidão: "Lula é o maior presidente da História do Brasil”.

Tinha pelo menos R$ 3 bilhões de razões para justificar sua euforia. Foi quanto o seu banco lucrou só no segundo trimestre do já antigo 2010. Mais que acesso, Setúbal está acometido por um excesso de gratidão.

A Pedra no Sapato


O calcanhar de Aquiles do governo Dilma é Mantega, para quem juro alto é o capital que reduz a nada o valor do trabalho.

Guido Mantega é a pedra que Lula deixou no sapato de Dilma para que ela não calce salto alto. É o selo de garantia do seu retorno em 2014.

Divinal

"Amem a Dilma como vocês me amaram".
Lula, o Divino - ontem, em São Bernardo - paraíso metalúrgico, já ex-presidente, mas ainda presideus. Só faltou complementar: "... E a mim, sobre todas as coisas". (http://www.palavradehonravirtual.blogspot.com/)
LULA, O BOM
Se houve um grande gesto de bondade cometido por Lula antes de deixar republicana e relutantemente a presidência para Dilma, foi não extraditar o bandido italiano Cesare Battisti. Com isso, Lula poupou a primeira presidenta da chatice de, logo de saída, ter que despachar com Nelson Jobim.

MANCHETE VENCIDA
Ronaldinho Gaúcho chega ao Rio e dribla a imprensa. Ora bolas, ultimamente é só quem ele consegue driblar.

FAZ SENTIDO
Páginas esportivas informam que Ronaldinho está na iminência de assinar com o Flamengo. Bolas, de novo! Faz sentido... Com o preparo que ostenta há mais de quatro temporadas, o conhecido futebol malandro dos cariocas é muito mais adequado ao seu jogo que a correria dos gaúchos.

RONALDOS
Um desses Nenens Pranchas que surgiram por aí diz que jogador velho e rico não rende dentro de campo. Grandes coisas. Dá de goleada nas finanças da cartolagem. Ou Ronaldo Fenômeno, já estaria fora do Corinthians há muito tempo.

MARCA GENÉRICA
O gatilho do Blog do José Cruz foi, de novo, o mais rápido do jornalismo esportivo ao detonar a constatação de plágio na "criação" do logotipo dos jogos de 2016 no Rio.

A matéria se espalhou na webmedia e ganha destaque e "chupadas" em todos os grandes portais da internet. O fiasco é internacional.

Matisse se revira no túmulo e a Telluride Foundation morre de vergonha pelo modelo genérico. A Tátil Design e o Comitê Rio 2016 não tinham se tapiocado até agora sobre a clonagem.

O próprio Blog do Cruz, no entanto, edita hoje que "Sócio e diretor de criação da Agência Tátil Design, Fred Gelli, disse que já esperava que a logomarca dos Jogos Olímpicos Rio 2016 fosse alvo de comparação com outras. Ele até afirmou que vários desenhos ou símbolos ainda serão tidos como semelhantes à marca carioca. A declaração foi ao repórter Michel Castelar, do Lancenet." Dá para imaginar o acesso de azia que acomete os cartolas sempre que se deparam com os textos de José Cruz. (http://blogdocruz.blog.uol.com.br/)

1 de jan. de 2011

Habemus Dilma!

Fotos: R. Stuckert/PR

Protegida da chuva pela capota do venerando Rolls Royce, Dilma - A Católica, acena para os populares que se apinhavam no trajeto entre a Catedral e o Congresso Nacional. As seis seguranças que a ladeavam corriam bem melhor do que o par de espevitados cavalos brancos da guarda dos Dragões da Independência.
Dentro de um tailleur claro, Dilma caminhou em direção ao plenário do Congresso Nacional. Andava com jeito de quem não sabia onde colocar as mãos. Não portava a desaparecida bolsa Kelly.


Logo Dilma foi cercada pelos parlamentares que, como sempre, se cutucavam. Foi o primeiro momento de grande risco da primeira-presidenta: estava sitiada, dentro de um dos metros quadrados mais perigosos de todo o território nacional. Na verdade, saiu incólume. Afinal, estava sem bolsa.

Pior, muito pior do que esse breve confinamento, foi a interminável sessão de beijos, abraços e tapinhas nas costas que teve que trocar com seus sitiantes.


Na mesa oficial do Congresso, Dilma jurou e foi seguida por Temer, a assumir o compromisso de cumprir a Constituição. Logo foram empossados. Com letra esse.

Veio, então, o Hino Nacional, fuzilado na voz desafinada dos cantantes compulsórios. Dados os acordes por findos, Dilma tomou posse assinando embaixo com uma caneta Bic que, já acostumada, atendia pelo codinome de Montblanc saída do paletó de Sarney, o presidente da Casa de enorme tolerância.


Dilma leu o discurso e se emocionou ao dizer "a partir desse momento sou a presidenta de todos os brasileiros". Qualquer um se emocionaria, mesmo que fosse um homem, como um dia foram Lula, FHC e até o próprio Sarney ali ao lado.

Em seguida, um pit stop ligeiro para repassar o batom e ver o que havia com o joelho. Bem comportada, Dilma seguiu o script ponto a ponto, sem um único tropeção - bem assim como espera que seja o seu governo, sem percalços e tropicões. Logo passou a tropa em revista e, já como chefe-maior das Forças Armadas, cumprimentou a bandeira - que drapejou emocionada - e a beijou como nunca antes nesse país um presidente fizera.


E, então, aí sim, desfilou de Rolls Royce com capota arriada, tendo a filha ao lado. Foi desse jeito, abanando, sorrindo para os 30 mil populares contados pelos informantes do Palácio que, seguida de perto pelo Cadillac de Michel Temer e sua Marcela, a primeira presidenta chegou à rampa.


Em todo esse roteiro, Michel Temer fez um único pronunciamento. Foi momentos antes do passeio de carro da presidenta Dilma. Fontes imaginárias vazaram a inconfidência. Dizem que ao entrar no carro ele segredou solene e firme ao motorista: - Siga aquele carro. E mais não disse o tempo todo, porque mais não lhe foi perguntado.

Ordem cumprida à risca, Michel Temer e Marcela chegaram a tempo de acompanhar Dilma na íngreme subida da rampa em direção ao casal retirante Lula e Marisa Letícia. Aplaudiram-se ao concretizar o encontro. Eles sabem que se merecem.

A beleza de Marcela chamou nesse momento, menos antenção do que dona Marisa Letícia que, pela primeira vez nos últimos oito anos, estava mais elegante do que enfeitada. Alguém jura que escutou Lula dizer para Dilma: - Pode entrar que a casa é toda sua.

Subiram ao parlatório do Palácio. Depararam-se com cerca de 30 mil republicanos, sem medo de ser feliz na chuva que deu uma estiada colaboracionista. Houve um pequeno vale de lágrimas e Lula transferiu a faixa para Dilma - dessa vez sem derrubar suas lentes oculares como fez com os óculos de Fernando Henrique, há oito anos.
Reprodução/AE

Um momento histórico, definitivamente histórico: pela primeira vez, um presidente do Brasil beija seu sucessor na hora de passar a faixa. Essas coisas só acontecem com Lula. Ou com o Botafogo.


Lula, de comportamento surpreendentemente sóbrio e recatado, saiu de fininho e deixou o palco iluminado para a nova dona do Brasil. Ela foi elegante o tempo todo. Dirigiu-se - à moda Sarney, mas muito mais feminina - "às queridas brasileiras e queridos brasileiros", referindo-se primeiro às mulheres, como manda a educação e como quer seu coração.

Reprodução/AE

Emocionou-se ao dizer que se sentia emocionada pelo "encerramento do mandato do maior líder popular que o Brasil já teve". Não esqueceu de louvar a valentia e a coragem de Zé Alencar, do valor de sua parceria e da grandeza de suas esposas ao acompanhar os passos de seus líderes.

Resumiu a ópera dizendo que sabe do tamanho dos desafios que oito anos de Lula lhe deixaram como herança bendita. Prometeu mudanças na educação, saúde, segurança; prometeu permanente luta pela liberdade e pelo fim da miséria.

Na hora da água para limpar a voz embargada, ainda que firme, ergueu um gentil e suave brinde no gole que ofereceu com um sorriso feliz às milhares de pessoas que já a amavam como amam a si mesmas pelas beiradas da Praça dos Três Poderes.


Dilma foi, nesse primeiro grande momento do governo que começa, uma primeira presidenta, diligenta, inteligenta e eleganta.

Como aquelas "pessoas comuns", quase todos brasileiros que acompanharam a cerimonia da posse provavelmente acreditaram na sinceridade de suas orações. Oremos nós, pois, para que os mensaleiros, sanguessugas, aloprados ingenuos, cuequeiros descarados, churrasqueiros confiados e lavadores das burras públicas que mudaram Lula, não se metam a promover as mudanças que Dilma prometeu.

Porque, acima de tudo, o brasileiro é um crédulo, oremos.
Oremus que, enfim, habemus Dilma!

Festa Tiririca da Posse

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama vem disfarçado de Hillary Clinton, mas nenhum presidente de país europeu estará de corpo presente na cerimônia de despedida de Lula que coincide com a posse de Dilma, a partir das 14h30 deste sábado 1° de janeiro de 2011, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

Assim se conclui que o desprestígio da política externa do governo Lula é flagrante. Suas 85 viagens - média de uma por mês - ao redor do mundo em oito anos, serviram apenas para consolidar a imagem de um loroteiro gabola, mais para Tiririca do que para Phileas Fogg, o nobre inglês que apostou com seus pares e ímpares ser capaz de fazer Volta ao Mundo em 80 Dias.  Com dinheiro público de sobra para protagonizar uma nova versão de um dos maiores sucessos de Hollywood, Lula protagonizou, a bordo do imponente Aerolula, a superchanchada 85 Voltas ao Mundo em 8 Anos.


A resposta das andanças, peripécias e aventuras desse novo Sinbad, o Marujo dos ares, está aí: os presidentes abraçados, beijados e chamados de "meus amigos e companheiros", estão mandando seus representantes porque, na verdade, eles próprios tem mais o que fazer num feriado mundial como esse tal de primeiro dia da segunda década do terceiro milênio.

Como se fosse um relançamento do mais retumbante fracasso de bilheteria nacional "Lula - O Filho do Brasil", a festança rampeira em Brasília, vai ter que se contentar com o time de 11 governantes continentais, todos já se instalados na capital brasileira:

Da Venezuela, Hugo Chávez; da Colômbia, Juan Manuel Santos; do Peru, Alan García; do Uruguai, José Mujica; de El Salvador, Mauricio Funes; da Guatemala, Álvaro Colom; do Chile, Sebastián Piñera; da Bolívia, Evo Morales; da Guiné, Moussa Dadis Camara; do Paraguai, Fernando Lugo; da Palestina, Mahmoud Abbas e do Suriname, Desi Bouterse.

Cristina Kirchner, da Argentina não vem e dizem que chegou a pensar em mandar Maradona como representante, mas como o renomado baixinho soube que seus irmãos de fé e camaradas Fidel e Raúl Castro não vinham, achou por bem declinar da honraria. Fica para a próxima Copa. Melhor, para a próxima posse.

De qualquer maneira, a festa vai ser bonita. Lula vai se despedir de novo; o povo vai se debulhar em lágrimas; os crocodilos descerão rumo ao Paranoá; Dilma até vai assumir com certa pompa e circunstância o cargo de primeira-presidenta desse país tropical, abençoado por Lula, bonito por natureza. Lula, não; o País.

Dilma, a Atleta

Tudo de ruim em matéria de necessidades vitais básicas para o brasileiro - moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte, previdência social, segurança - que os governos anteriores deixaram de herança maldita para o governo Lula, hoje oito anos depois, é deixado do mesmo jeito e até pior, como herança bendita de Lula para Dilma, a primeira presidenta. Não é nada, não é nada, é só o jeito honesto do PT mandar no Brasil.

Toda vez que Dilma fala em cada uma dessas necessidades básicas, deixa de ser política para virar atleta: salta oito anos de Lula e cai nos anos FHC. É como se nunca antes nesse país tivesse acontecido o governo Lula. Vai ver que essa é a maior e mais republicana verdade do período Dilma.

Você sabia que...

Antes de Lula invadir o terceiro milênio, só Stálin e Hitler disseram no século passado, que eram a "encarnação do povo"?

O novo messias Lula da Silva diz que vai "desencarnar da presidência" porque, como presideus que sempre se julgou, já prepara o milagre da reencarnação?

Segundo a Constitutição, o Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos princípios - dentre outros - da prevalência dos direitos humanos, além do repúdio ao terrorismo? E que Cesare Battisti sempre foi um terrorista?

Não é admitida a interceptação de comunicações telefonicas quando a prova puder ser feita por outros meios disponíveis?

Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular?

A voz

Nem bem distante dos holofotes que o cargo de presidente lhe proporcionou por longos e intermináveis oito anos, Lula já ameaça que vai "viver a vida das ruas". Nosso ouvidos nem bem descansaram e já sofrem as agruras de serem agredidos, agora sim, pela cansativa voz rouca das ruas. Lula bem que poderia dar um tempo. Os nossos ouvidos merecem.

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A primeira década do terceiro milênio está chegando ao fim, deixando meia dúzia de ameaças no terreno político para a nova década que hoje começa:

1) O mala sem alça dos cariocas, Sérgio Cabral, já está se preparando para ser vice de Lula em 2014;

2) Geraldo Alckmin assume o governo de São Paulo com a intenção de ser candidato outra vez ao Palácio do Planalto;

3) Aécio Neves, senador por enquanto, se acha e pensa que é o candidato natural da oposição à cadeira que Dilma acaba de tomar de Lula. Pensa, inclusive, que é capaz de ter eleitores fora de Minas Gerais;

4) Zé Serra frustrou todo mundo no day after das eleições de outubro e, ao invés de dar adeus, deu apenas um até logo.

5) Dilma inicia sua jornada como primeira mulher presidenta tendo Lula como capataz do pomar de 37 ministérios de laranjas.

6) Lula pensa, seriamente, em continuar se despedindo da presidência da República pelo menos uma vez por semana;

7) Dilma é, por quatro anos, a presidenta do Brasil.