Em outubro, como de hábito, somos obrigados a votar em alguém que os donos dos partidos escolheram por nós. Quem não cumprir esse direito constitucional é multado e ainda passa por incivilizado e antidemocrata.
Saber que o cara é um ficha-limpa é pouco, muito pouco. Você tem que perguntar qual é a ficha completa do postulante. Quais são as suas aptidões; ele é bom em quê? É casado, tem filhos? É bom pai, bom chefe de família? Dá propina só para garçom? Não rouba para ganhar o pão nosso de cada dia? Sabe tudo de saúde, previdência, educação, transporte, trabalho, turismo, segurança, esporte, higiene, comida em cima da mesa, igualdade social, qualidade de vida, justiça, lei, ordem e progresso?
Se a figura para quem você está perguntando isso concorre à Presidência da República, ao Senado, à direção-geral do balcão da sua loja, ou à chefia da mesa dois ali do bar da esquina, vai ter que ser bom, bonito e barato nessas coisas todas. E bem melhor do que você. Do contrário, a ficha dele sujou. E você dançou.
Se, assim mesmo, por força de lei, você votar em algum deles, em qualquer deles, fique sabendo que a carteirinha do partido ao qual seu filho se associou vale dez vezes mais que o diploma da universidade que você se danou para pagar e garantir que ele fosse doutor. Dez vezes mais é força de expressão. A carteirinha só vale mesmo dez vezes mais que qualquer diploma se for do partido do governo.
E então, só para ficar inserido no contexto, assim que o candidato for eleito, você se vinga: dá-lhe um carteiraço e ganha uma terceirização em cargo público na mesma hora. Aí, só tem uma coisinha: você vai ser do mesmo time de aloprados, sanguessugas, vampiros, panetoneiros, vavás-de-luxo. O resto é lixo. Ou bolsa-familiarizado.

Sorria! Você é um pai gótico, acaba de criar um hodierno Victor Frankenstein brasileiro. Esse monstrengo nas urnas será imbatível.