O medo

TENHA MEDO DO QUE O GOVERNO PODE FAZER COM VOCÊ. NO BRASIL GOVERNAR É SATISFAZER NECESSIDADES FISIOLÓGICAS.

16 de out de 2014

CÃO QUE LADRA... MORDE
No dia da eleição vou de bengala

Por prazer e por recomendação médica, meu vizinho, um idoso simpaticão e boa gente, combatia a ociosidade de sua merecida aposentadoria caminhando pelos inícios das manhãs ao longo das ruas pacatas do condomínio, tendo o bom sol por testemunha.

Ontem, o cachorro de um morador recém chegado ao conjunto residencial, atacou o velhote boa gente, latindo irritadiço e mordendo furioso a perna do surpreendido e assustado caminhante.

Como o meu bom vizinho não sabia latir, chutou o cachorro que ladrou, contorceu-se e voltou à carga. O cão já feroz foi chutado outra vez. E foi então que o dono do bicho apareceu e, com uma tonitruante voz de comando fez o cachorro parar e recolher-se à porta da sua casa.

Parecia uma estátua. Ele ficou manso. Mas seu dono era furioso. Encheu o meu vizinho de desaforos e ameaçou até mesmo levá-lo à barra do tribunal instituído de uma dessas associações de proteção aos animais, em regime de plantão permanente, sempre depois que o desagradável acontece.

O meu velho bom vizinho, nivelado ao cão, deu as costas ao novo morador. Voltou para casa, cabisbaixo e entristecido. Ontem, ao contar-me o incidente, ele me disse que, daqui pra frente vai mudar o itinerário de suas caminhadas. Não vai aprender a latir "nem que a vaca tussa". Mas agora vai levar com ele a bengala que já não usava há muito tempo.

Voltei para dentro de casa, com a sensação de que eu já tinha visto aquele filme. E tinha mesmo. Foi na noite desta última terça-feira. Eu me deparei, naquele embate dos dois candidatos à Presidência do Brasil, com uma cena muito parecida, quase igual.

A diferença do encontro do cachorro com o meu vizinho para o confronto entre Dilma e Aécio é que na TV os dois latiam. Entretanto, um deles latia com um ódio tal que lhe dava um prazer enorme.

Confesso, eu me senti acuado. E como não sei latir, vou chutar o que ladra por ódio com prazer. E, no dia da eleição, vou de bengala.