O medo

TENHA MEDO DO QUE O GOVERNO PODE FAZER COM VOCÊ. NO BRASIL GOVERNAR É SATISFAZER NECESSIDADES FISIOLÓGICAS.

5 de dez. de 2009

O Poder Humano na Ucrânia, Alemanha & Brasil Da Silva

O PODER DO CARA

Não há direito humano ao poder - diria um politizado observador carola, longe de ser adepto de um regime teocrático.

O poder na mão de um rei ou de um plebeu; de um doutor ou de um metalúrgico tem a mesma essência de perigo que revela quando foi exercido por um Hitler, um Stálin, um Mussolini; é a mesma ameaça contida no poder que esteve nas mâos de um Richelieu, de um Golbery, de um PC Farias - pondera a redação em peso do Sanatório da Notícia.

O poder - já está consagrado - não é um direito; é um dever. Só se admite o poder nas
mãos de um homem se for em nome do bem e da verdade - dizemos nós, os insensatos.

O poder sem freio, destemperado, prepotente é um poder funesto: leva à morte a alma de uma nação. Destrói quando finge que constrói. Uma coisa é ter o poder de um povo, outra é usar o poder do povo como se fosse o povo. Esse é o poder dos tiranos; dos coveiros da democracia - soluçam com razão as carpideiras terceirizadas que ocupam a Ala das Funerárias deste Sanatório.

RODAPÉ - Texto parido diante dos brados retumbantes que chegaram da Ucrânia e de Berlim, no período de gestação de mais uma rápida visita ao Brasil do governante mais popular que esse país já teve, depois de Ernesto Geisel.

4 de dez. de 2009

CONTRAVENENOS GENÉRICOS & SIMILARES

A CNBB se reúne na próxima semana para definir posição sobre impeachment de Arruda. Afora aquele terço da propina, o que é mesmo que os bispos têm que ver com as cuecas e meias do bando de Arruda?!? Até parece o Lula se metendo em Honduras!

Dois membros da comitiva de Lula do Brasil Da Silva pegaram gripe suína nessa viagem a Alemanha. Um deles é da segurança de Lula e chegou a ter contato com o presidente. O outro contaminado é da Aeronáutica. Seus nomes são que nem as notícias sobre o filho de Sarney no Estadão: não podem ser revelados. Diz a Agência Brasil, empresa oficial do governo, que eles tiveram febre alta ontem à noite. Agora, já que não são tão virís assim, os dois membros foram isolados da comitiva. Ambos ficaram por lá.

Roberto Carlos contratado pelo Corinthians para a Copa Libertadores. Mas o São Paulo já prepara o troco: vai contratar Erasmo. São tantas emoções...

Se o DEM, como se regozijam os governistas, "está provando do próprio veneno" nesse escândalo do Arruda, os governistas também serão inoculados pelo mesmo antídoto, aplicado pelos aliados do DEMoníaco governador do Distrito Federal. Os pedidos de impeachment que forem aceitos contra Arruda terão que ser lidos em plenário para depois seguirem para avaliação da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).
Ag.Brasil

Para que vinguem por lá, são necessários três dos cinco votos. A comissão tem apenas um deputado da oposição: Chico Leite (PT). E, para melhorar a situação, não há prazo definido para a CCJ se manifestar.

Como que por milagre vindo do céu, a CCJ passou a ser comandada esta semana por um correligionário do governador dos Panetones: é que o deputado Raad Massouh (DEM) suplente da deputada Eliana Pedrosa (DEM), que deixou a Câmara Legislativa para assumir a Secretaria de Desenvolvimento Social está fazendo o sacrifício de ocupar sua cadeira.

Nesta segunda-feira ainda, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) deve protocolar mais um pedido de impeachment. Até a mãe do Badanha pode entrar com pedido de impechment do Arruda. Ele bem que merece. O diabo é que no plenário ele dá de goleada em razão do seu bem arquitetado plano de "governabilidade por coalizão" - remédio genérico usado à la farta pelos governos fiéis a Lula do Brasil Da Silva. O veneno, pois, é similar para o mestre e seus apóstolos.

Dunga no ponto G africano

O Brasil encontrou o ponto G na África do Sul. A gandaia vai ser com a Coréia do Norte, Costa do Marfim e Portugal.

A estréia do time de Dunga será contra os coreanos, em Joanesburgo, no dia 15 de junho, às 16h30 pelo horário de Brasília.

Depois, na mesma cidade, os brasileiros dão de cara com a Costa do Marfim, no dia 20, também às 16h30 do mesmo relógio.

No dia 25/6, ao meio-dia, em Durban, o Brasil vai enfrentar Portugal já sabendo o que precisa fazer para continuar na Copa. Vai ter que dizer para os irmãos lusitanos qual é a saída para eles chegarem à segunda etapa da competição. Se explicar bem direitinho, quem sabe até - no melhor estilo da "coalizão", novo apelido do velho jeitinho brasileiro - as duas seleções joguem por oportuno e honroso empate.

Dunga - como já se esperava - não moveu um músculo da face. Nem para rir um pouquinho quando soube que seu primeiro jogo era contra um time em que tudo é "japonês". É que, para Dunga, todos os jogos são difíceis.

Maradona - punido porque tem a boca suja - viu tudinho em casa, pela TV. Pô, o Uruguai caiu no Grupo A e a Argentina ficou no B. Isso, para Maradona pareceu retaliação: - De amigo a amigo, sangre en el ojo. E, engolindo os vitupérios, el rechoncho conformou-se: - Bueno, a falta de pan, buenas son tortas!

Afora isso, Maradona gostou. Acha que sua chave é mole. Tem Nigéria, Coréia do Sul e Grécia pela frente. Ficou mais contente pelas dificuldades do Brasil que, de galinha morta, só tem a Coréia do Norte pela frente. Para quem encontrou o ponto G na África, não há muito o que gozar. Por enquanto.

L'OSSERVATTORE PIANÍSSIMO

Os debates nem tão supremos assim no STF
Carlos Eduardo Behrensdorf
Roma

Com a proximidade do fim de semana muitos pacientes deste Sanatório da Notícia se mandam com licenças especiais liberadas pelo diretor (quando ele se encontra em Brasília...).
Quem vai, vai, quem fica, fica...!

Assim é possível fazer algumas pesquisas sobre palpitantes assuntos nacionais. Assim sendo, fiquei sabendo que o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF) não abre mão (ou abre a boca melhor dizendo) de uma boa discussão com seus pares e ímpares.
No site Consultor Jurídico www.conjur.com.br uma matéria detalhada mostra algumas passagens polêmicas da atuação no plenário do STF.

Eis algumas:

Acusou o ministro Marco Aurélio de fraudar distribuição de processos. Marco Aurélio entrou com representação e provou que não houve fraude, mas apenas a redistribuição de um processo cujo relator, Joaquim Barbosa, não estava em Brasília na sexta-feira à noite. Marco Aurélio abriu mão da representação. Barbosa retratou-se.

Barbosa acusou o ministro aposentado Maurício Corrêa de promover tráfico de
influência. Corrêa pedira preferência no julgamento de uma causa, mas não compareceu ao plenário para fazer sustentação oral. Corrêa exibiu da tribuna do STF a procuração que tinha nos autos daquela ação. Corrêa representou contra Barbosa que se retratou judicialmente.

Acusou o ministro Eros Grau de conceder Habeas Corpus a “um cidadão que apareceu no Jornal Nacional oferecendo suborno”. O cidadão em questão era Humberto Braz, investigado na Operação Satiagraha. Por pouco não houve pugilato quando Eros Grau lembrou que Barbosa concedera um HC ao banqueiro Daniel Dantas.

Em abril, bateu boca com o presidente do STF Gilmar Mendes, que não gostou da forma como Barbosa se pronunciou, dizendo que o colega tentou desqualificar uma decisão sua argumentando que o ministro pretendia guiar suas decisões de acordo com as classes sociais envolvidas na ação. Barbosa reagiu. Disse que Mendes estava “destruindo a Justiça desse país”. E mais: “Vossa Excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso".

O último episódio teve como participante o novo e promissor ministro do STF, Dias Toffoli. Coisa simples, depois eu conto... (CEBehrensdorf, da Ala dos Marcha Lenta, temporariamente em Roma mas já arrumando as malas para voltar ao SdN)

VERBORRÉIA NUCLEAR

Foto: R. Stuckert/PR (3/12/2009)
Em Berlim, Lula do Brasil Da Silva, aproveitou o púlpito e orou para seus apóstolos espalhados por esse mundão de Deus - seu Pai - pedindo "paciência com os planos nucleares do Irã".
Sua verborréia escorreu pela indelicadeza, uma vez mais: a chanceler alemã, Angela Merkel acabara de falar sobre os quatro anos que seu país gastou tentando acordos com o governo iraniano de Mahamoud #@*+#$!&# - companheiro bom e batuta de Lula - o Superstar, como foi classificado pelos jornais berlinenses que, desta feita, não lhe causaram azia.
Lula subiu o tom de voz e, sem constrangimento nenhum foi explícito e grosseiro: "O melhor é acreditarmos nas negociações e termos muita paciência... Que não tenha arma nuclear no Irã e que não tenha arma nuclear em nenhum país do mundo... Que os Estados Unidos desativem as suas; que a Rússia desative as suas... Sabe, porque autoridade moral para a gente pedir para os outros não terem, é a gente também não ter".
E assim é que, para defender o belicoso Mahamoud, Lula afastou o seu Brasil mais ainda do bom senso e das democracias organizadas, enquanto mais se aproximou das confusas ditaduras bolivarentas com as quais se sente bem.

ALUGUEL GARANTIDO

Agora que tudo acabou; que Honduras tem um presidente eleito, quando é mesmo que Manuel Zelaya vai começar a pagar aluguel na Estalagem Brasil Da Silva, em Tegucigalpa?!? O Itaramaraty pode locar de vez o imóvel para o Ratinho da nossa casa, nossa vida em Honduras. Lula é o seu avalista. Em caso de calote está tudo em casa.

SORRIA...

Sorria... Você está sendo filmado. Grande coisa. O bando de Arruda também estava.

A Secretaria de Saúde é um dos setores mais implicados no escândalo DEMsalão do Arruda, no Distrito Federal. Fernando Antunes, um dos fundadores da ONG Transparência Brasil, é agora ex-secretário adjunto de Saúde de Brasília. A Transparência Brasil é especialista em denúncias contra corrupção. Dê uma chegadinha até a página e... Sorria, você pode ser monitorado.

Durval Barbosa, o alcagüete premiado, já não é só um delator. É um alvo fora da linha de tiro. Enquanto tiver estoque de vídeos estará a salvo. Especialistas em arapongagem garantem que, quando começarem a surgir as gravações com a turma de Joaquim Roriz, estará chegando ao fim o seu período de fama. Esse filme não vai ter final feliz.

Essa coisa de vídeos está deixando todo mundo pirado. No caso Arruda, não vale nada; no caso de Eduardo Azeredo, o ministro Toffoli não encontrou provas de corrupção porque faltava justamente um vídeo desses para comprovar as denúncias.

Gravações do ex-secretário do DF Durval Barbosa apontam a participaçãodo presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (SP), do líder do PMDB na Casa, Henrique Alves (RN), e dos deputados Eduardo Cunha (RJ) e Tadeu Fillipelli (DF) no pagamento de propina. Todos eles já entraram com ações na Justiça contra Durval Barbosa - o Delator Premiado. Pronto, são todos inocentes.

É uma pena para a oposição esse envolvimento com propinas que a Caixa de Panetones - de Pândora! - descarregou em cima dos ombros de Michel Temer. Acabou com suas pretensões de pré-vice da pré-candidata Dilma Roucheffe. Nuncanessepaís se teve uma dupla tão simpática concorrendo à presidência da República.

3 de dez. de 2009

GOVERNO MEIA BOCA

Pelos jeitos e trejeitos com que aparecem nos vídeos, dá até pra desconfiar. Esses DEMensaleiros do Arruda são tão unidos na mentira que deixam a nítida impressão de que sua amizade vem desde os tempos da adolescência quando eram tão amigos, tão amigos. que "faziam meia".

É bem como disse o Macaco Simão outro dia, "no governo Arruda os fins justificam as meias".

Pela primeira vez um pé de Arruda usa meia.

L'OSSERVATTORE PIANÍSSIMO

Pole Position
Carlos Eduardo Behrensdorf
Berlim

Comunicamos que apesar da falta de apoio governamental de qualquer esfera (municipal, estadual, federal, internacional ou intersideral) a Ala dos Marcha Lenta esteve em Berlim antes mesmo do destacamento precursor do sorridente presidente desse país-continente (rima rima comi...).


Sabe como é, não custava nada saber o que Lula e La Merkel iriam falar a nosso respeito. Nada de muito importante. Conversinha amena com tradutores bocejantes. A foto desta voz que fala é para comprovar que exterminamos o ofídio e exibimos a clava, ou seja, matamos a cobra e mostramos o pau!


Como nossos informes são quentes preferimos o uniforme de verão desse tremeluzente Sanatório. (Carlos Eduardo Behrensdorf, de Berlim)

Escândalo DEMensaleiros do Arruda & Otras Cositas

Sem qualquer exceção, todos os propineiros do Escândalo Arruda filmados pelo alcagüete Durval Barbosa, desqualificam a data das filmagens em que aparecem como famosos canastrões.

Atores principais de uma tragicômica pornochanchada, os políticos não explicam o enredo que mais interessa aos eleitores: o que eles estavam fazendo naquela superprodução escondendo em bolsas, roupas, bolsos, cuecas e meias de grife o dinheiro limpo que recebiam aos montes das melhores lavanderias do ramo. Não explicam também por quê, se não era sujo, não mandavam depositá-lo em suas contas bancárias.

Todos resolveram entrar na Justiça contra o delator premiado que já carrega, desde os velhos e bons tempos de Joaquiim Roriz, mais de 20 processos nas costas. Duro vai ser algum oficial de justiça entregar a intimação a Durval, já que pela delação ele está sob proteção federal, em lugar incerto e não sabido por razões óbvias e lulantes.

Nesse interim, Toffoli o ministro que não precisou ter notório saber jurídico para virar ministro apadrinhado de Lula no Supremo Tribunal Federal, já mostrou a que veio e por quê foi parar lá: livrou a cara do tucano mineiro Eduardo Azeredo, acusado de corrupção e um mal-explicado envolvimento com o valerioduto.

O choro é livre: Manuel Zelaya, o golpista do referendo protegido de Lula na Estalagem do Brasil Da Silva, disse hoje da sacada brasileira em Tegucigalpa que "a democracia morreu em Honduras". Pranto de perdedor: ele é que já morreu e não sabe.

Enquanto anda para cima e para baixo, pelo mundo afora e uma lá que outra visitinha ao Brasil, Lula quebra a cabeça para encontrar um laranja para contrariar a extradição do bandoleiro Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália. Não demora nada vai aparecer um cão fiel para assumir o triste papel de cachorro morto. Afinal, só assim pode escapar de levar um chute. A permanência de Battisti no Brasil de Genro - o Tarso de Lula na Justiça é só uma questão de escolha. Pode ser um desses honoráveis senhores públicos e notórios que gostam de pagar o pato.

Lula vive mesmo num mundo à parte. Talvez até porque nasceu virado pra Lua. O mundo dele está tão virado que o bordão "uma imagem vale mais que mil palavras" se transformou na sentença peremptória: "as imagens não falam por si".

No horário gratuito de TV, dona Dilma Roucheffe está contente Da Silva com o Brasil de Lula: "Sabemos como vencer. Lula nos ensinou". Faz sentido, uma senhora sem diploma receber aulas de um displomado.

Esse governo pode saber de tudo, só não sabe trabalhar. Lula não lhes ensinou nada disso, pois faz muito tempo que está aposentado. Mais que isso, inativo.

PEREMPTORIAMENTE, NÃO!

Foto: R. Stuckert/PR (3/12/2009)
Dilma, Lula e o Sargento Garcia como papagaio de pirata reserva, em Berlim. Lula não perguntou para o chanceler alemão quanto tempo ele esteve preso durante a 2ª Guerra Mundial. Já se sabe que o egresso de Garanhuns "não aguentaria".


Quando Lula do Brasil Da Silva diz "não, não, não, pereptoriamente não" às eleições realizadas em Honduras, não está defendendo Manuel Zelaya. Lula defende é o seu plano-B para 2010: o estratagema do referendo popular para saber se deve, ou não, abocanhar o terceiro mandato.
Não adianta nada ele - "que não pode ficar sem perereca" como revelou o companheiro Cesinha, o Cesar Benfica no Estadão - acender uma vela pra cada santo em Kiev, nem pular o muro em Berlim com seu poste preferido embaixo do braço, porque dona Dilma Roucheffe não consegue baixar os 40% de rejeição em quaisquer dessas pesquisas de opinião em que alguém tenha coragem de acreditar.
Lula já entendeu - mas faz ouvidos moucos - o que a Procuradoria Geral da República de Honduras demonstrou ao mundo inteiro: "La Constitución misma, y no ese Congreso Nacional, cesó de su cargo inmediatamente al ex presidente de la República y a todos los que participaron en la pretensión de derogar la Constitución de la República con él, inhabilitándolos a todos por 10 años para el ejercicio de toda función pública".
Assim que voltar ao Brasil para mais uma de suas rápidas visitas ao seu país de origem, Lula vai continuar teimosamente indispondo-se com o povo e o governo de Honduras, só para não desagradar Hugo Chávez: "Não, não, não, peremptoriamente não"!

PALAVRA DE HONRA

Não deixe por menos, em 2010, ao invés de usar o voto como arma, não dê um tiro no próprio pé: enfie sua bengala na urna. Use o mouse para recobrar a memória.

Enquanto isso, o projeto que vincula INSS ao salário mínimo ficou para 2010. É que o governo do Lula do Brasil Da Silva de hoje, pensa exatamente ao contrário do que o Lula de ontem pensava e dizia dos dentes pra fora.

BOLA GENÉRICA - Moisés Pereira

Nosso amigo e internauta Richard, o provisório titular no melhor salão de cabeleireiros do Rubem Berta, em Porto Alegre, e futuro Inspetor de soldas de empresas terceirizadas da Petrobrás pesquisou sobre um assunto pertinente e me encaminhou este texto que postamos no Sanatório da Notícia.

"Moisés, estive pesquisando um pouco sobre a história do nosso futebol e pensei que seria um belo assunto para o seu blog, se é que o amigo ainda não abordou esse tema. Eu, como gremista, muitas vezes me sinto constrangido quando o assunto é racismo no futebol.Lembram-me, a cada bate papo com os amigos, que o nosso clube não aceitava negros no futebol.

Isso é verdade , eu sei, mas a história nos diz que todos os clubes da época tinham restrições a pobres e negros. Inclusive o Internacional. Em Porto Alegre e Pelotas que eram os maiores centros de futebol da época, os negros tiveram que criar ligas independentes para jogar futebol.

No final da 1ª década do século XX foi formada, em Porto Alegre, a Liga da Canela Preta, de onde surgiram equipes muito fortes como o Primavera, BentoGonçalves, Riograndense, Aquidabã, entre outros. Era a forma encontrada pelos negros para participar de campeonatos. Em Pelotas, a liga negra era a José do Patrocínio. Somente em 1928, o Americano (time de futebol da época) foi o primeiro a quebrar o preconceito.

O primeiro negro a jogar no Inter foi Dirceu Alves em 1928, mesmo assim o aproveitamento de negros ainda era muito restrito. Somente a partir de 1940 começou a existir uma quantidade maior de afro-descendentes nas equipes ditas européias (Inter, Cruzeiro, São José).

O Grêmio, oficialmente, abriu suas portas aos jogadores negros somente em 1952 com a contratação do famoso Tesourinha, porém a história nos conta que desde 1920 o tricolor já aceitava jogadores negros em suas equipes. ( Antes doInter).

Adão Lima é um exemplo, jogou de 1925 a 1935 - 10 anos. Também jogaram Hélio, Mário Carioca e Hermes da Conceição. O grande goleiro Lara era mestiço e de origem humilde; o autor do nosso Hino, Lupicínio Rodrigues era negro.

Everaldo, único representante gaúcho tricampeão do mundo, também era negro. Me diga o nome de um dirigente negro no Inter que tenha se destacado na política do clube. No Grêmio, eu lembro de dois: Dênis Abraâo e Alceu Collares. O que mais me frustra em bate papos com amigos e com qualquer pessoa, é que eles não conhecem a história e fincam o pé batendo sempre na mesma tecla de que negro não pode ser gremista.

Isso não é um preconceito? Já ouvi, inúmeras vezes, no salão onde trabalho, clientes negros ficarem constrangidos quando outros clientes também negros vociferam enfáticamente que não é digno para a raça negra torcer para o Grêmio. Sei que é assunto polêmico, mas assuntos dessa natureza é que prendem o leitor. O Grêmio não pode levar esse rótulo sozinho! Cadê os outros?".


RODAPÉ GENÉRICO - Sem dúvida um texto bem fundamentado do amigo Richard. Eu assinaria tranquilamente. Obrigado Richard. Ótima colaboração.

VIDA QUE SEGUE

Foto: Agência Brasil
De repente, não mais que de repente, ressurgem os caras-pintadas. Devemos isso aos DEMensaleiros do Arruda. Se fosse coisa de aliados e aloprados, como tem acontecido com sanguessugas, churrasqueiros, zésdirceus e seus 40 companheiros, a capacidade de indignação talvez ficasse recolhida, bem assim como tem sido até agora. De qualquer maneira, mais vale um cara-pintada de encomenda que um bando de aves de rapina como essa bandidagem do DEM distrital.


Cada dia aumenta mais a pressão a que estão sendo submetidos técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente. O motivo: liberar logo a licença ambiental prévia do projeto da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu. Isso tem que ser agora. O palanque já está pronto e não pode esperar. As pressões do governo Lula sobre os técnicos do Ibama são graves. Muito mais do que parecem. Revelam o autoritarismo incontido que não admite contraponto de ninguém. Se a lei não permite que o PAC se transforme numa plataforma eleitoral, então mude-se a lei.

Pois não é que, lá em Kiev, na Ucrânia, Lula do Brasil Da Silva deplorou o escândalo Arruda?!? E fez alguns salamaleques para mostrar que sabia antecipadamente da operação da Polícia Federal: "O governo tinha ciência da operação Caixa de Panetone" - gargarejou contrariado aos jornalistas. Pandora, presidente... Caixa de Pandora!

E o Michel Temer... Com que dignidade no olhar ele diz que nunca botou os olhos em um centavo único centavo daqueles 345 mil dólares que a lista da Construtora Camargo Correa deixou que saísse da gaveta secreta e chegasse às mãos dos homens da lei.

Um novo vídeo que corre pelas redações convencionais e nas mais variadas salas virtuais mostra o envolvimento de quatro deputados federais no escândalo Arruda. Na conversa gravada no dia 17 de setembro de 2009, secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa - o Dedurador e o empresário Alcir Collaço, dono do jornal Tribuna do Brasil, conversam sobre valores remetidos a parlamentares do PMDB: Tadeu Filippelli (DF), Henrique Eduardo Alves (RN), Eduardo Cunha (RJ) e o presidente da Câmara, Michel Temer (SP).

Michel Temer nega suposto envolvimento com denúncias de corrupção no DF. Grande coisa, o Cesare Battisti, Fernandinho Beira-Mar, Marcola, Daniel Dantas, Renan também negam.



Assim é que o pré-Zé Serra perdeu seu pré-vice Zé Arruda para 2010, assim como é também que dona pré-Dilma Roucheffe fica sem o seu também pré-vice Michel Temer. Cada vez fica mais perto o terceiro mandato lulático. Coisa de louco.



Justiça condena o casal Renascer. Não o dinheiro que caiu do céu e mereceu a oração da propina no escândalo Arruda não veio da igreja da dupla Hernandes. Há controvérsias.



A CCJ do Senado acaba de aprovar exigência de diploma para jornalistas. Nada mais justo. No Brasil há diploma para tudo e para todos. Corretor de imóveis tem; lavador de carro tem; metalúrgico tem; os egressos do Senai e Senac têm; vendedora da Avon tem; até dona Dilma tinha e não sabia... Diploma é bom e vale muito. Muito menos do que a carteirinha de aliado do governo. Também... precisando do aval e do poder de decisão desse Senado que aí está, um diploma não pode mesmo valer coisa nenhuma.



A Camargo Correa deu propina a 200 políticos, diz PF. Isso que recém abriram a Caixa de Panetone... Pandora, Pandora! "Deplorável" isso tudo.

O presidente do STF, Gilmar Mendes, disse que irá aguardar o desdobramento das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público sobre o suposto pagamento de deputados distritais da base aliada para poder formar um "juízo seguro" sobre a participação e a responsabilidade do governador Zé Roberto Arruda no caso. Nem precisa ser seguro; se tiver juizo já está bom demais.

ZELAYA, O MICO DE LULA

Foto: El Heraldo/Tegucigalpa Pronto, o Congresso Nacional de Honduras acabou de resolver que não vai restituir a presidência a Manuel Zelaya. Os congressistas mantiveram a mesma posição adotada em 28 de junho, quando o golpista do referendo foi destituído. Zelaya agora é só um fugitivo hospedado na Estalgem Brasil da Silva, em Tegucigalpa. A Lei não admite que o amigo de Lula volte ao poder. Mas ninguém está iludido de que Zelaya se submeta à lei. Da sacada do Bar Brasil vai continuar com suas macaquices, agitando a vida dos hondurenhos e pregando a desunião e a instabilidade do país que o recusa, em nome de sua torcida visão de democracia. Com o amor e graça de Hugo Chávez e Lula do Brasil Da Silva - dois bolivarianos que usam o voto como arma contra os direitos constituídos.

2 de dez. de 2009

BOLA GENÉRICA

Até a fórmula é culpada
Moisés Pereira
Porto Alegre

Nunca antes neste país vivemos uma semana decisiva do Campeonato Brasileira tão polêmica e discutida. Mesmo no certame de 2005 quando tivemos jogos cancelados e repetidos e um erro de arbitragem definiu o título em favor do Corinthians a semana decisiva foi tão badalada.
Ao observarmos as manifestações sobre o tema notamos muitos tipos de enfoque sobre a questão. Há os lógicos e coerentes que dimensionam corretamente a rivalidade, Gre Nal no caso, e aceitam o episódio que se avizinha como contingencial.

Perfilam-se os moralistas pontuais pregando a ética acima de tudo, para os outros, esquecendo-se de que quando tiveram oportunidade de praticá-la não o fizeram. Sou daqueles que pensam que o campeonato não ficará menor porque os caminhos levaram o Grêmio à encruzilhada do Maracanã impedido de vencer sob pena de dar o título ao seu maior rival o que é inaceitável.
Entendo que há outros interessados além do Inter, e o Palmeiras e São Paulo são coadjuvantes desta circunstância. Sei também que o Inter pode não ganhar do Santo André, e sei o que todos sabem: o futebol é uma caixinha de surpresas como vaticinou na década 60, Dino Sani, então treinador.
Mas de tudo que sei e do que não sei, resta uma certeza. Este campeonato de pontos corridos é perfeito e num ano de paridade de forças e de fraquezas trouxe equilíbrio até o fim e emoção envolvendo mais de 10 torcidas interessadas no título, G4, e Z4 na outra extremidade.
Entre muitas opiniões que li e ouvi a respeito do atual desfecho surgiu agora uma excêntrica. É a fórmula do campeonato a culpada pelos resultados decorrentes de times desinteressados nas rodadas finais.

Convenhamos nas fórmulas dirigidas, mata-mata, formulismos, etc. os defeitos também podem ser citados , com times em férias um mês antes do fim do campeonato, arranjos na formação dos grupos, e “otras cositas más”.

Também foi proposto que os clássicos fossem disputados nas finais para evitar a “entrega” de resultados. É pensar pequeno. Os clássicos não são apenas Grêmio x Inter e Cruzeiro x Atlético. Ou alguém pensa que um Fla Flu em que a vitória do Fla daria o título ao Vasco esta vitória aconteceria.

Grande Campeonato de 2009, não tecnicamente, mas pela disputa até o final. E grande campeão o Flamengo, porque os títulos do Grêmio este ano foram a invencibilidade no Olímpico há 15 meses e o maior espaço na mídia na semana decisiva do certame.

Mesmo que o Imortal ganhe a pecha de Imoral por conta da paixão que cega, mas que justifica tudo numa hora tão complicada como esta.

CARAS & BOCAS PINTADAS

Não que os DEMensaleiros não mereçam; merecem. Mas, por quê só agora ressurgiram os caras-pintadas?!? Por onde andavam no escândalo dos sanguessugas; na hora do dossiê da Casa da Dilma; no bolofedô com o Zé Dirceu e seus 40 mensaleiros; no fiasco dos aloprados; na rebordosa das ambulâncias; no rol de roupa suja da Famiglia Sarney; na venda do gado fantasma de Renan Calheiros?!?

O Brasil já estava com saudade das caras pintadas daqueles descamisados e pés descalços, daquelas caras pintadas das donas de casa, das caras pintadas de todas as classes sociais. Eis que agora os caras pintadas invadem a maior e mais degradada Casa de Tolerância do Distrito Federal... O episódio matou um pouco a saudade de quem ainda não perdeu a capacidade de indignar-se. Mas está deixando no ar um cheiro de grito da UNE que ninguém agüenta mais.

Não só esse bafo que vem de cabestro, mas esse resto todo nos provoca náusea, nos dá ânsia de vômito. E esse é, ao fim e ao cabo, o lado bom desses neo-caras pintadas: se temos que vomitar não há melhor lugar para se fazer isso do que nas mesas em que os corruptos comem às nossas custas; não há melhor saco de lixo para expelir nosso nojo do que os bolsos e as meias dessa canalha imune e impune que debocha de uma nação inteira de simplórios que ainda não perceberam que o voto foi transformado na face mais infame e mais cruel da democracia brasileira. Caras pintadas de hoje, não nos enganem que a gente pode não gostar!

OUTRAS COISAS...


Pobre país que vê seu presidente abandonar o cargo e se transformar em um simples cabo-eleitoral. O Brasil Da Silva vale menos do que um poste para 2010.

Com Zé Arruda embuchado até os gornes com panetones vencidos e Joaquim Roriz engasgado com um bezerro de ouro, o comunista Agnelo Queiroz cresce na sua longa jornada rumo ao governo do Distrito Federal. Até agora preterido por Lula que prefere no Esporte o ministro Tapioca, Agnelo logo em seguida vai fazer de Brasília a sua Pásargada e pronto será de novo amigo do rei.

Podem ficar certos de uma coisa: depois desse escândalo, Zé Beto Arruda cresceu no conceito do Palácio do Planalto. Já é encarado como um aliado a ser levado em conta. Tem tudo agora para ser um dos baluartes do chamado sistema de garantia para a "governabilidade de coalizão".

Gilmar Mendes diz que as "denúncias são extremamente graves" no escândalo Arruda, mas que "é preciso aguardar o curso das investigações". E pensar que aquelas câmerazinhas indiscretas dos supermercados têm sido as responsáveis pela prisão em flagrante das donas-de-casa sem teto que furtam uma caixa de leite ou uma barra de cereal...

Em nome do PAC vale tudo. Que pressão o presidente do IBAMA está sofrendo. Agora, quando Lula chegar da Ucrânia para mais uma visita ao Brasil, a coisa vai esquentar. O cara vai virar rainha da Inglaterra.

VELAS PARA TODOS

Foto: R. Stuckert/PR (2/12/2009)
Em Kiev, Lula do Brasil Da Silva visita monumento em memória às vítimas do Holodomor - Grande Fome de 1932-1933, na Ucrânia. A claque quase cantou o "Parabéns". Dona Dilma não foi. Não queria correr o risco de um inesperado apagão.
SORTUDO - Vagner Love foi agredido por fanáticos da torcida "Mancha Verde". Sorte dele. Se fosse jogador do São Paulo - segundo o presidente Luiz Gonzaga Beluzzo - hoje ele seria um bambi morto.

JEITINHO - Esses oito dias que o DEM concedeu para Arruda se explicar estão pegando mal. Todo mundo já percebeu que se trata de uma reles estratégia de enterrar de vez o defunto. A memória do brasileiro vai - segundo Millôr - só até à Missa de 7° Dia. É o jeitinho brasileiro do DEM fazer política.

RADICALIZANDO - Zé Arruda é a versão adulta do guri que solta pum na sala de aula. Se o DEM radicalizar, ele vai radicalizar também. Guerra é guerra. Como radicalização não é coisa que se cheire em política, os DEMensaleiros já não querem mais brincar. Cara que esconde dinheiro no pé, não tem vergonha... nem olfato.

COMO DE HÁBITO - O Flamengo tem tudo para perder o título para o Inter no Maracanã. É que o Grêmio vai fazer de tudo para não ganhar.

DEU NO ESTADÃO - Em Kiev, Lula se recusa a responder sobre Arruda
TÂNIA MONTEIRO - Agência Estado
KIEV, UCRÂNIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se recusou a responder, nesta manhã, em Kiev, na Ucrânia, sobre as denúncias de suposto esquema de corrupção no governo do Distrito Federal. A pergunta era se diante de sua popularidade, o presidente não estaria banalizando o escândalo no DF, ao declarar, ontem, que as imagens, autorizadas pela Justiça, não comprovam a culpa do governador José Roberto Arruda. "Para mim é desagradável, acabando de assinar seis acordos, e na nossa vez (de perguntar), a gente perguntar uma coisinha que o presidente da Ucrânia nem sabe o que é que é", declarou Lula, acrescentando que responderia em um outro momento, quando acabasse a sua visita à Ucrânia.

RODAPÉ - Como se vê Lula continua dando aulas de jornalismo e querendo pautar os repórteres. Ele gosta mesmo é das perguntas que vêm do seu ministro da Verdade, Franklin Martins. Seu sonho é que um dia todo jornalista trabalhe na Agência Brasil.

DEM - Dinheiro Escondido na Meia. Os 500 manifestantes que depredaram o prédio e material de trabalho (!?) da Câmara Distrital, deram o seu recado. E o partido, depois de virar chacota, ainda deu oito dias para Arruda se explicar.
AS SOBRAS - Prudente, o deputado que escondeu dinheiro nas meias se licenciou. Vai ver que tinha algo sobrando dentro da cueca.

VERDADE E IRONIA

O jornal El Heraldo, de Tegucigalpa, interpreta Lula do Brasil Da Silva conforme ele se mostra ao povo de Honduras, país cuja soberania não mereceu o menor respeito do governo brasileiro, subjugado à influência belicista de Hugo Chávez. Melhor do que tudo é ler o perfil factual que o jornal da capital hondurenha traça, com fria e oportuna ironia, do presidente do Brasil Da Silva. Leia. Essa é a mais perfeita tradução do senhor dos nossos anéis.
El Heraldo/Tegucigalpa

El presidente brasileño cree que en Honduras son los presidentes los que convocan a elecciones.



Ignorancia y desinformación
El gobierno brasileño prestó su embajada en Tegucigalpa para que desde ahí se hicieran llamados a la violencia e insurrección popular.


Tegucigalpa, Honduras - El presidente Luiz Inacio Lula da Silva mostró la poca información que tiene de la crisis en Honduras, al afirmar que la "historia hubiera sido diferente si el golpista no hubiera convocado a elecciones".

En declaraciones difundidas ayer por BBC Mundo, Silva afirma que el reconocimiento del gobierno de Lobo Sosa "está fuera de lugar".

"No, no y no. Definitivamente no", enfatizó, ante la insistencia de periodistas que le preguntaban si Brasil reconocerá la legitimidad del nuevo gobierno, expresada de forma masiva y contundente en las urnas.

Marco Aurelio García, asesor brasileño, había dejado una puerta abierta a la normalización de las relaciones entre ambos países, sin embargo, ayer Lula se encargó de cerrarla.

"Este ciudadano (Lobo) tiene el derecho de hacer las gestiones que él crea convenientes. Si pasa algo, vamos a discutir lo nuevo pero por ahora, la posición brasileña es de no aceptar el proceso electoral en Honduras", reveló.

Lula, quien es parte de los gobernantes chavistas de Sudamérica, ha evadido cualquier posibilidad de hablar con el presidente Roberto Micheletti. "Honduras le faltó el respeto al principio más elemental de la vuelta a la normalidad democrática de un país. El golpista actuó cínicamente, dio un golpe de Estado en el país y convocó a una elección cuando no tenía derecho a convocar una elección", afirmó Lula.

Quizás la afirmación anterior responde las interrogantes de millones de personas y de varios países de corte democrático, que no entienden cómo un presidente puede desconocer la voluntad de un pueblo expresada de forma masiva y contundente en las urnas.

Y es que, a juzgar por sus declaraciones, Lula está desinformado y, por tanto, ignora que los hondureños acudieron a las urnas en noviembre de 2008 para escoger a sus candidatos en elecciones primarias y en mayo de 2009, cuando Manuel Zelaya era presidente, 4.6 millones de hondureños fueron convocados a votar el 29 de noviembre por un nuevo presidente, 128 diputados propietarios e igual número de suplentes y por 298 corporaciones municipales.

"Las cosas se pudieron haber hecho con una mayor normalidad, que volviera el presidente y este convocara a elecciones. La vuelta a la normalidad en Honduras es todo lo que queremos y no daremos concesiones a los golpistas".

Lula, además ignora que en Honduras no es el presidente del Ejecutivo quien convoca a elecciones (ni primarias ni generales), sino el Tribunal Supremo Electoral (TSE) como ente autónomo, lo que da más independencia a los procesos electorales.

Para Lula el hecho de que la cúpula iberoamericana no haya adoptado una posición clara con respecto a Honduras no significa el fracaso de la reunión.

"La cumbre no fue convocada para eso. Si la cumbre hubiese sido convocada para discutir el caso de Honduras yo no hubiera venido. Yo vine porque se vino a discutir una cosa que encuentro muy importante: innovación y conocimiento, un tema esencial sobre todo para los países en desarrollo", afirmó.

RODAPÉ - Bom seria que Lula só estivesse equivocado quanto à convocação das eleições em Honduras. Seu equívoco é - além de desrespeitar a soberania hondurenha - condenar o pleito em Honduras e aceitar as eleições do Irã. E abraçar Khadaffi, a quem chama de líder e companheiro. E ser chavista roxo, a ponto de fazer o bispo Lugo brochar e Evo se desmoralizar. E... pois é: ser o que é.

REPÚBLICA DOS CALAMARES

O FILME - "Não, não, não... Peremptoriamente, não! Sabe, a gente não pode mais admitir golpes desse tipo na América Latina...". Desse tipo não, mas tipo assim Zé Beto Arruda, pode. Para Lula "um filme não diz nada". Nem mesmo quando, os seus protagonistas duvidam da veracidade das imagens, mas não negam a legitimidade do dinheiro que enfiaram nos bolsos, saltearam as cuecas e meteram nas meias. Só quem não está acostumado é que estranha. Lula - O filho do Brasil, já viu esse filme.

BESTEIRA - O dinheiro é a prova irrefutável do assalto praticado pela quadrilha Arruda. Sai dos cofres das empresas que prestam serviços superfaturados para o governo e entra por tudo quanto é bolso e meia dos quadrilheiros sob a capa de "contribuição" de campanha. É dinheiro sujo, seja lá qual for a sua maquiagem. Não paga o imposto que nós pagamos. Se fosse limpo, não precisaria entrar às escondidas como entra. Bastaria fazer como todo contribuinte faz, contar nota por nota e entregar no guichê do banco. Besteira é insistir nesse assunto, como se fosse adiantar alguma coisa.

O REPUBLICANO - Arruda fica, porque se sair não entra Paulo Otávio que está implicado; nem o presidente Prudente - o Descuidado. Viria o representante do Judiciário - que não é chegado a bancar alça de mira. Então, tudo seria bem pior: a intervenção viria - imagine só! - do Palácio do Planalto que você já conhece de sobra. É a República da Esperteza.

DIGNIDADE, JÁ! - Nuncanessepaís o DEM teve um candidato tão forte à Presidência da República. Arruda hoje é tão digno de chegar ao Palácio do Planalto quanto os que - de JK pra cá - lá estiveram até agora.

A CARA DO CARA - Que cara de bolofedô ficou o Lula do Brasil Da Silva. Os povo hondurenho deu um banho de democracia no golpista do referendo, Manuel Zelaya. Logo, logo o governo de Pepe Lobo será reconhecido pelo mundo democrático. No caso da teimosia de Lula, o homem de Chávez, o Lobo vai ser o lobo do homem.

TORCIDA CALAMARESCA - Boçal será o jogador gremista que fizer o desejo de sua torcida neste domingo no Maracanã. Se entregar o jogo para o Flamengo dirá com todas as letras que não merece a confiança de ninguém. Nem mesmo dessa caterva de imbecís que, com a camisa tricolor, assimilou a falta de dignidade e honradez que a República dos Calamares implantou nesse país.

DAS DUAS, AMBAS - Pobre dos jogadores reservas do Grêmio. Trocaram a camisa tricolor por uma de onze varas. Se ganharem do Flamengo - o mais provável de acontecer, pela lei das probabilidades (não há tabu que sempre dure) - serão tidos como burros pela torcida ignara; se perderem, serão desprezados pel a malta insana. De qualquer forma, nenhum deles chegará um dia a jogar no Inter.

CPI DA COBERTURA - A patifalha distrital criou a CPI do Executivo para livrar a cara do Legislativo mais caro e inepto do Brasil. Vão fingir que investigarão o governo Arruda que, na verdade, não precisa ser investigado por mais ninguém. Só o que lhe falta é cadeia.

AS BANDAS - Quanto mais o PT explorar o DEMensalão do Arruda, mais estará comprometendo Zé Dirceu e os 40 mensaleiros que estão sub judice no Supremo Tribunal Federal. A banda está na marca do pênalti.

BOLA GENÉRICA

Andrezinho é o culpado
Moisés Pereira
De Porto Alegre

Tem jogadores que são marcados por incidências inusitadas em suas carreiras. Andrezinho o meia que foi criado no Flamengo, e depois de ir ao exterior foi repatriado pelo Inter não é um craque. É bom jogador e, fosse eu treinador, no grupo colorado seria titular.

Acontece que não é e eventualmente vem o time para acontecer. Na Copa do Brasil que o Inter seria campeão foi Andrezinho o responsável pela presença colorada na final com uma cobrança de falta magistral que eliminou o Flamengo no Beira Rio numa das grandes injustiças do futebol se a justiça fosse fator de avaliação em futebol.

E o Mengo, berço do Andrezinho chorou. Mas na roleta do futebol, como na vida a banca paga e recebe, eis que Andrezinho na "semifinal", agora do Brasileiro, cobra mais uma falta perfeita lá em Recife, ressussitando Inter e devolvendo as glórias ao Flamengo.

Andrezinho é o meu personagem da rodada .

A semana será tensa. O Inter está nas mãos do Grêmio, como esteve nas mãos de Tite, do Botafogo, do Fluminense, e outros quepoderiam ter sido derrotados no Beira Rio por este time milionário, com gestão moderna, com "craques"repatriados por milhões de dolares, e incompetente na hora de decidir.

Tudo poderá ser dito em relação ao título que vai serconquistado pelo Flamengo domingo no Maracanã. Os hipócritas falarão até em ética e tentarão atingir o Grêmio que pelas circunstâncias está proibido de ganhar no Maracanã. Negar isto é desconhecer a história da maior rivalidade futebolística deste país.

Aliás não faltaram líricos e poetas que abordaram a ética quando Tierry Henri colocou a mão na bola e classificou a França para a Copa do Mundo da África doSul .

Certamente queriam um monumento à ética com a imagem de Henri para redimir as simulações de milhares de jogadores espalhados pelo mundo desde que os ingleses inventaram este esporte, que por sua vez deixaria de ser dirigido pela FiFA e passaria para a jursdição doVaticano.

Convenhamos deliram os que insinuam que o Grêmio será o primeiro time que vai perder um jogo que não pode ganhar, e esquecem quantos fizeram isso inclusive o laureado em tudo irmão aqui da"Província"como diz a Tati Klix que no ano passado tabém tinha que perder para o São Paulo e perdeu. Qual foi a ética?

Estava se preservando para a maior "competição"do Mundo, que atende pelo nome de Sul-americana e que é consolo para os excluídos das glórias a cada ano.

Acertou quem disse que o Campeonato só acaba quando termina -frase lapidar. A festa só vai acontecer no dia 6 de dezembro e será no Maracanã. Não poderia ser em Porto Alegre, por exemplo, porque aqui seria uma tragédia .

Não existe a possibilidade de o Grêmio ganhar do Flamengo, até porque só ganhou um jogo fora do Olímpico no atual certame, e os dirigentes, conselheiros e jogadores tricolores não são loucos de partirem para o suicídio coletivo, exatamente no ano em que não perdeu nenhum jogo dentro do templo tricolor.

Nelson Rodrigues redivivo falaria que está escrito há 20 séculos este destino e a vida é como ela é. Culpa ? A culpa é do Andrezinho, meu personagem da semana.

1 de dez. de 2009

O LAGO DOS MONSTROS

O Distrito Federal é Brasília e suas circunstâncias. O governador é o mercador que compra lordes e plebeus, deputados distritais - verdadeiros vereadores de luxo e de lixo da República da Esperteza.

O governador é quem manda nos seus circunstantes e suas circunstâncias que atendem pelo codinome de cidades-satélites - todas sem prefeito e sem edís. Desse jeito assim é que elas se espalham aos borbotões pelas margens plácidas do lago Paranoá, tão artificial quanto a quebrada e portentosa Dubai.

Brasília e suas circunstâncias formam a grande Ilha da Fantasia que nem os falecidos canastrões Ricardo Montalban e o nanico Tatoo conseguiriam imaginar.

É muito poder nas mãos de um governante só. Venha esse tipóide de onde quer que venha; tenha o caráter que seu passado recomende, ou condene; seja lá do partido que for...

O Escândalo Arruda bem que poderia servir agora como ponto de partida para lavar e enxagüar Brasília. Mas quê nada. Esse é um sonho que nem mesmo JK e Niemeyer, juntos e sem qualquer licitação, conseguiriam sonhar um dia.

A canalha política é muito real e mais poderosa do que qualquer prodígio da natureza. Em Brasília toda quimera morre no lodo que escorre dos gabinetes para as beiradas do Paranoá - o lago dos piores monstros da fantástica história que vem sendo construída tristemente por esse Brasil Da Silva que nasceu com o Palácio do Planalto.

A maldição do Lago Paranoá desce pela rampa e inunda a Praça dos Três Poderes. O melhor período presidencial que esta nação já teve foi o mandato de Tancredo Neves - O Breve. Durou o suficiente para não ser engolido pelos monstros do Lago Paranoá.
O ESCÂNDALO ARRUDA
Não se iluda, aloprado do DEM é igual a aloprado do PT e todo e qualquer partido, seja aliado ou não, governista ou não. Não é e jamais será punido. Logo o escândalo será substituido por outro e os jornais falarão de futebol.
Agora está faltando no Brasil Da Silva um pastor alcagüete com delação premiada. Vai chover bispo com as mãos cheias de dinheiro caído do céu.
Governabilidade por coalizão é isso aí. Mais que moda, uma culktura da política nacional. A segunda pele dos poderosos e seus partidos.
Leonardo, o presidente Prudente estava apenas fazendo jús ao seu próprio nome. Se aprecesse naquele vídeo metendo grana nas cuecas, poderia ser processado como ator de filme pornô.
O terço da propina: Durval Barbosa - o Dedo Duro; Júnior Brunelli - o corregedor distrital; Leonardo - o presidente POrudente da Cãmara do DF. Rezaram dando gfraças ao dinheiro caído do céu. É por essas e outras que tem gente botando Jesus Cristo no saco de Judas.
A mala branca do Brasileirão nem se compara com a mala-preta de Paulo Otávio em Brasília.
Agora é que a gente entende o que Lula quer dizer quando fala em "negociação política". É negociação mesmo!
A Polícia Federal inovou: ao invés de botar um pé de Arruda atrás da orelha, quer botar Arruda atrás das grades.
Está mais que provado, o PT não inventou a corrupção. Dizem que apenas a organizou. Mas já está precisando se reciclar.
Antes, três políticos reunidos era um comício; agora é missa de ação de graças pelo dinheiro que cai do céu.
Naquela brincadeirinha de mau-gosto, quando um moleque soltava um pum dentro de aula, o outro na classe de trás encarava o desafio: - Ah é, você quer guerra?!? Pois, a política está bem assim: um corrupto se suja todo, de cima abaixo e diante do primeiro flagrante ameaça seus colegas: - Ah é, vou "radicalizar"!
Os assessores de marketing do governo Lula que se cuidem. Esse escândalo no governo Arruda só favorece o DEM. Agora sim, o partido de oposição tem as mesmas condições de simpatia popular que os governistas para as eleições de 2010.
Por esta o governo Lula não esperava. O Escândalo Arruda acaba de equilibrar as eleições de 2010.
Que propina nas cuecas, quê nada. A moda agora está nas meias.
Nem Zé Dirceu e seus 40 mensaleiros seriam capazes de superar Zé Arruda nessa jogada de marketing.
Dilma Roucheffe está mais perplexa do que a CNBB com a oração da propina. Nuncanessepaís a perplexidade contoiu tantos votos entre os católicos.
Nos restaurantes de Brasília aquele cliente solitário naquela mesa lá do fundo é um cara honesto, isolado pelos demais frequentadores da casa. Até o dono do estabelecimento já se sente constrangido com sua presença incômoda. Esses caras sérios não se tocam.
Toda vez que um honesto se aproxima de uma roda de políticos, acaba estragando o ambiente.
O PT já não sabe mais o que fazer com esse Escândalo Arruda. A primeira medida vai ser demitir o departamento de marketing do partido.
Arruda reage e adota estratégia de choque. Mandou sondar dona Dilma para o cargo de porta-voz do governo do DF. Arruda precisa de alguém que minta melhor do que ele.
Nada no Brasil dá mais voto que um bom escândalo. Zé Arruda disse ao povo que fica. E vai ganhar a eleição de 2010.
Esse conceito de moral pelo avesso pega: os gremistas exigem que o Grêmio perca nesse domingo para o Flamengo.
Até que enfim a oposição resolveu reagir. Esse Escândalo Arruda colocou tudo no mesmo nível para 2010.
Não, não é o troco do bezerro de ouro pelo panetone envenenado. Roriz não tem nada a ver com isso. Ele só não gosta é de perder eleição.
Sai o governador por suspeita de corrupção e entra o vice... Não, o vice está envolvido. Então entra o presidente da Câmara; não, o cara tem as meias sujas. Então tá tudo dominado: entra o Judiciário em cena... A menos que pinte por lá uma pornochanchada com o mesmo enredo. Do jeito que a coisa vai, diante da implosão do castelo de cartas, deve sobrar uma vaguinha de interventor. E o valete vem lá do Palácio. Aí sim, a capital do país volta de uma vez por todas para o Rio de Janeiro. A não ser que... a Guanabara se candidate. Tudo pode acontecer nessa República da Esperteza... Se Fernandinho Beira-Mar permitir.
L'OSSERVATTORE PIANÍSSIMO
Carlos Eduardo Behrensdorf
De Roma
Piração geral dentro e fora do Sanatório

Fase Um: Tudo começou no dia 27 de novembro deste ano sem graça de 2009 com a publicação do artigo que transcrevemos a seguir, dentro do lema desta casa de saúde (?): “Eu vou mas não vou sozinho”. Vamos lá tan-tan, com ou sem Lexotan!

Os filhos do Brasil
CÉSAR BENJAMIN
ESPECIAL PARA A FOLHA

A PRISÃO na Polícia do Exército da Vila Militar, em setembro de 1971, era especialmente ruim: eu ficava nu em uma cela tão pequena que só conseguia me recostar no chão de ladrilhos usando a diagonal. A cela era nua também, sem nada, a menos de um buraco no chão que os militares chamavam de "boi"; a única água disponível era a da descarga do "boi". Permanecia em pé durante as noites, em inúteis tentativas de espantar o frio. Comia com as mãos. Tinha 17 anos de idade.

Um dia a equipe de plantão abriu a porta de bom humor. Conduziram-me por dois corredores e colocaram-me em uma cela maior onde estavam três criminosos comuns, Caveirinha, Português e Nelson, incentivados ali mesmo a me usar como bem entendessem. Os três, porém, foram gentis e solidários comigo. Ofereceram-me logo um lençol, com o qual me cobri, passando a usá-lo nos dias seguintes como uma toga troncha de senador romano.

Oriundos de São Paulo, Caveirinha e Português disseram-me que "estavam pedidos" pelo delegado Sérgio Fleury, que provavelmente iria matá-los. Nelson, um mulato escuro, passava o tempo cantando Beatles, fingindo que sabia inglês e pedindo nossa opinião sobre suas caprichadas interpretações. Repetia uma ideia, pensando alto: "O Brasil não dá mais. Aqui só tem gente esperta. Quando sair dessa, vou para o Senegal. Vou ser rei do Senegal".

Voltei para a solitária alguns dias depois. Ainda não sabia que começava então um longo período que me levou ao limite.

Vegetei em silêncio, sem contato humano, vendo só quatro paredes -"sobrevivendo a mim mesmo como um fósforo frio", para lembrar Fernando Pessoa- durante três anos e meio, em diferentes quartéis, sem saber o que acontecia fora das celas. Até que, num fim de tarde, abriram a porta e colocaram-me em um camburão. Eu estava sendo transferido para fora da Vila Militar.
A caçamba do carro era dividida ao meio por uma chapa de ferro, de modo que duas pessoas podiam ser conduzidas sem que conseguissem se ver. A vedação, porém, não era completa. Por uma fresta de alguns centímetros, no canto inferior à minha direita, apareceram dedos que, pelo tato, percebi serem femininos.
Fiquei muito perturbado (preso vive de coisas pequenas). Há anos eu não via, muito menos tocava, uma mulher. Fui desembarcado em um dos presídios do complexo penitenciário de Bangu, para presos comuns, e colocado na galeria F, "de alta periculosia", como se dizia por lá. Havia 30 a 40 homens, sem superlotação, e três eram travestis, a Monique, a Neguinha e a Eva. Revivi o pesadelo de sofrer uma curra, mas, mais uma vez, nada ocorreu. Era Carnaval, e a direção do presídio, excepcionalmente, permitira a entrada de uma televisão para que os detentos pudessem assistir ao desfile.

Estavam todos ocupados, torcendo por suas escolas. Pude então, nessa noite, ter uma longa conversa com as lideranças do novo lugar: Sapo Lee, Sabichão, Neguinho Dois, Formigão, Ari dos Macacos (ou Ari Navalhada, por causa de uma imensa cicatriz que trazia no rosto) e Chinês. Quando o dia amanheceu éramos quase amigos, o que não impediu que, durante algum tempo, eu fosse submetido à tradicional série de "provas de fogo", situações armadas para testar a firmeza de cada novato.

Quando fui rebatizado, estava aceito. Passei a ser o Devagar. Aos poucos, aprendi a "língua de congo", o dialeto que os presos usam entre si para não serem entendidos pelos estranhos ao grupo.

Com a entrada de um novo diretor, mais liberal, consegui reativar as salas de aula do presídio para turmas de primeiro e de segundo grau. Além de dezenas de presos, de todas as galerias, guardas penitenciários e até o chefe de segurança se inscreveram para tentar um diploma do supletivo. Era o que eu faria, também: clandestino desde os 14 anos, preso desde os 17, já estava com 22 e não tinha o segundo grau. Tornei-me o professor de todas as matérias, mas faria as provas junto com eles.

Passei assim a maior parte dos quase dois anos que fiquei em Bangu. Nos intervalos das aulas, traduzia livros para mim mesmo, para aprender línguas, e escrevia petições para advogados dos presos ou cartas de amor que eles enviavam para namoradas reais, supostas ou apenas desejadas, algumas das quais presas no Talavera Bruce, ali ao lado. Quanto mais melosas, melhor.
Como não havia sido levado a julgamento, por causa da menoridade na época da prisão, não cumpria nenhuma pena específica. Por isso era mantido nesse confinamento semiclandestino, segregado dos demais presos políticos. Ignorava quanto tempo ainda permaneceria nessa situação.

Lembro-me com emoção -toda essa trajetória me emociona, a ponto de eu nunca tê-la compartilhado- do dia em que circulou a notícia de que eu seria transferido. Recebi dezenas de catataus, de todas as galerias, trazidos pelos próprios guardas. Catatau, em língua de congo, é uma espécie de bilhete de apresentação em que o signatário afiança a seus conhecidos que o portador é "sujeito-homem" e deve ser ajudado nos outros presídios por onde passar.

Alguns presos propuseram-se a organizar uma rebelião, temendo que a transferência fosse parte de um plano contra a minha vida. A essa altura, já haviam compreendido há muito quem eu era e o que era uma ditadura.

Eu os tranquilizei: na Frei Caneca, para onde iria, estavam os meus antigos companheiros de militância, que reencontraria tantos anos depois. Descumprindo o regulamento, os guardas permitiram que eu entrasse em todas as galerias para me despedir afetuosamente de alunos e amigos. O Devagar ia embora.

São Paulo, 1994. Eu estava na casa que servia para a produção dos programas de televisão da campanha de Lula. Com o Plano Real, Fernando Henrique passara à frente, dificultando e confundindo a nossa campanha.

Nesse contexto, deixei trabalho e família no Rio e me instalei na produtora de TV, dormindo em um sofá, para tentar ajudar. Lá pelas tantas, recebi um presente de grego: um grupo de apoiadores trouxe dos Estados Unidos um renomado marqueteiro, cujo nome esqueci. Lula gravava os programas, mais ou menos, duas vezes por semana, de modo que convivi com o americano durante alguns dias sem que ele houvesse ainda visto o candidato.

Dizia-me da importância do primeiro encontro, em que tentaria formatar a psicologia de Lula, saber o que lhe passava na alma, quem era ele, conhecer suas opiniões sobre o Brasil e o momento da campanha, para então propor uma estratégia. Para mim, nada disso fazia sentido, mas eu não queria tratá-lo mal. O primeiro encontro foi no refeitório, durante um almoço.

Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: "Você esteve preso, não é Cesinha?" "Estive." "Quanto tempo?" "Alguns anos...", desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: "Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta".

Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de "menino do MEP", em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do "menino", que frustrara a investida com cotoveladas e socos.

Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o "menino do MEP" nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.

O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu.

Dias depois de ter retornado para a solitária, ainda na PE da Vila Militar, alguém empurrou por baixo da porta um exemplar do jornal "O Dia". A matéria da primeira página, com direito a manchete principal, anunciava que Caveirinha e Português haviam sido localizados no bairro do Rio Comprido por uma equipe do delegado Fleury e mortos depois de intensa perseguição e tiroteio. Consumara-se o assassinato que eles haviam antevisto.

Nelson, que amava os Beatles, não conseguiu ser o rei do Senegal: transferido para o presídio de Água Santa, liderou uma greve de fome contra os espancamentos de presos e perseverou nela até morrer de inanição, cerca de 60 dias depois. Seu pai, guarda penitenciário, servia naquela unidade.

Neguinho Dois também morreu na prisão. Sapo Lee foi transferido para a Ilha Grande; perdi sua pista quando o presídio de lá foi desativado. Chinês foi solto e conseguiu ser contratado por uma empreiteira que o enviaria para trabalhar em uma obra na Arábia, mas a empresa mudou os planos e o mandou para o Alasca. Na última vez que falei com ele, há mais de 20 anos, estava animado com a perspectiva do embarque: "Arábia ou Alasca, Devagar, é tudo as mesmas Alemanhas!" Ele quis ir embora para escapar do destino de seu melhor amigo, o Sabichão, que também havia sido solto, novamente preso e dessa vez assassinado. Não sei o que aconteceu com o Formigão e o Ari Navalhada.

A todos, autênticos filhos do Brasil, tão castigados, presto homenagem, estejam onde estiverem, mortos ou vivos, pela maneira como trataram um jovem branco de classe média, na casa dos 20 anos, que lhes esteve ao alcance das mãos. Eu nunca soube quem é o "menino do MEP". Suponho que esteja vivo, pois a organização era formada por gente com o meu perfil. Nossa sobrevida, em geral, é bem maior do que a dos pobres e pretos.

O homem que me disse que o atacou é hoje presidente da República. É conciliador e, dizem, faz um bom governo. Ganhou projeção internacional. Afastei-me dele depois daquela conversa na produtora de televisão, mas desejo-lhe sorte, pelo bem do nosso país. Espero que tenha melhorado com o passar dos anos.

Mesmo assim, não pretendo assistir a "O Filho do Brasil", que exala o mau cheiro das mistificações. Li nos jornais que o filme mostra cenas dos 30 dias em que Lula esteve detido e lembrei das passagens que registrei neste texto, que está além da política. Não pretende acusar, rotular ou julgar, mas refletir sobre a complexidade da condição humana, justamente o que um filme assim, a serviço do culto à personalidade, tenta esconder.

CÉSAR BENJAMIN, 55, militou no movimento estudantil secundarista em 1968 e passou para a clandestinidade depois da decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro desse ano, juntando-se à resistência armada ao regime militar. Foi preso em meados de 1971, com 17 anos, e expulso do país no final de 1976. Retornou em 1978. Ajudou a fundar o PT, do qual se desfiliou em 1995.
Em 2006 foi candidato a vice-presidente na chapa liderada pela senadora Heloísa Helena, do PSOL, do qual também se desfiliou. Trabalhou na Fundação Getulio Vargas, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Prefeitura do Rio de Janeiro e na Editora Nova Fronteira. É editor da Editora Contraponto e colunista da Folha.

Fase Dois: Ombudsman da Folha critica artigo do "menino do MEP"
Da Redação

O ombudsman da Folha de S. Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, em sua coluna dominical (29/11), criticou o artigo “Os filhos do Brasil”, do colunista César Benjamin. “O ideal seria a apuração factual dos eventos relatados e os argumentos contraditórios saírem com o artigo”, afirmou.

O artigo, publicado na última sexta-feira (27/11), diz que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em conversa durante uma reunião de campanha em 1994, teria dito que “havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de ‘menino do MEP’, em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir”.

A publicação do artigo causou repercussão entre os leitores. Alguns consideraram absurda a suposta atitude do presidente, outros, a atitude da Folha. "Emocionante o artigo de César Benjamin. Desnudou outro lado do presidente Lula, desconhecido para muitos", escreveu um leitor. "Sou leitor e assinante da Folha desde 1973. Será difícil modificar um hábito prazeroso de 36 anos, mas esse jornal não mais entrará em minha casa enquanto não se desculpar por ter publicado o artigo ignóbil de César Benjamin", escreveu outro.

Assim como recomendou o ombudsman, a equipe da Folha apurou e publicou, no sábado (28/11), as versões de outras pessoas que, de acordo com Benjamin, também estavam presentes na reunião.

Envolvidos negam teor de conversa

O publicitário Paulo de Tarso da Cunha Santos, citado pelo articulista, afirma que a reunião realmente aconteceu, mas não se recorda da presença de Benjamin no almoço, assim como nega qualquer menção sobre os temas tratados no artigo.

“Não compreendo qual a intenção do articulista em narrar os fatos como narrou (como disse, sequer me lembro de sua presença na mesa)”, afirmou Tarso, em nota divulgada para a imprensa.

A reportagem da Folha também procurou o ex-chefe do Gabinete Regional da Presidência da República em São Paulo José Carlos Espinoza, outro citado no artigo e que também negou o episódio.

“Nunca ouvi nada disso. Estou completamente perplexo, não me lembro desse americano, quanto mais da conversa com Lula", afirmou Espinoza.

Colegas de cela negam história

A Veja localizou João Batista dos Santos, que seria o “menino do MEP”. Ele foi identificado após a reportagem da revista entrevistar cinco pessoas que dividiram cela com Lula. Todos negaram a história contada por Benjamin e indicaram Santos como sendo um militante do MEP que estava preso. Procurado, Santos também negou.

“Isso tudo é um mar de lama. Não vou falar com a imprensa. Quem fez a acusação que a comprove”, disse Santos.

Governo critica a Folha

O governo tratou o artigo como uma “loucura” e atacou a Folha. De acordo com o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, o artigo é “coisa de psicopata”.
“Nos estranha muito a Folha ter publicado isso. É coisa de psicopata, para nós, é uma coisa que só pode ser explicada como psicopatia”, afirmou.
O ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, também criticou o jornal. “(O artigo é) um lixo, um nojo, de quem escreveu e de quem publicou”.

Para o ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, a “Folha passou completamente do limite”.

“Não tem o menor sentido fazer uma matéria desta. É um negócio que não tem a menor veracidade. Usar uma palavra ou outra de baixo calão, vá lá, agora uma história de, ‘ah, um menino do MEP’, é uma coisa nojenta”, afirmou.

Fase Três: O Jornalismo irresponsável, Luis Nassif (*)

Watergate tinha dois repórteres espertos – Bob Woodward e Carl Bernstein – e um editor memorável – Ben Bradlee – que filtrava todas as informações e só permitia a publicação daquelas confirmadas por pelo menos três fontes.
Até hoje Bradlee é um dos símbolos do bom jornalismo e exemplo para jornalistas de todas as partes do mundo. O caso Watergate foi citado pelo comentarista Ronaldo Bicalho e ressalta a importância da apuração jornalística.

O escândalo divulgado pela Folha na sexta-feira – um artigo de um dissidente do PT, César Benjamin – acusando Lula de ter currado um militante do MEP no período em que esteve preso no DOPS, é um dos mais deploráveis episódios da história da imprensa brasileira. E mostra a falta que fazem pessoas da envergadura de Bradlee.

Qualquer acusação, contra qualquer pessoa, exige discernimento, apuração. Quando o jornal publica uma acusação está avalizando-a.

Quando a acusação é gravíssima e atinge o Presidente da República – seja ele Sarney, Itamar, FHC ou Lula – o cuidado deve ser triplicado, porque aí não se trata apenas da pessoa mas da instituição. Qualquer acusação grave contra um Presidente repercute internacionalmente, afeta a imagem do país como um todo. Se for verdadeira, pau na máquina. Se for falsa, não há o que conserte os estragos produzidos pela falsificação.
A acusação é inverossímil.
Na sexta conversei com o delegado Armando Panichi Filho, um dos dois incumbidos de vigiar Lula na cadeia. Ele foi taxativo: não só não aconteceu como seria impossível que tivesse acontecido.

Lula estava na cela com duas ou três presos. A cela ficava em um corredor, com as demais celas. O que acontecesse em uma era facilmente percebida nas outras.

Havia plantão de carcereiros 24 horas por dia. E jornalistas acompanhando diariamente a prisão.
Não havia condições de nenhum fato estranho ter passado despercebido. Panichi jamais ouviu algo dos carcereiros, dos presos, dos jornalistas e do delegado Romeu Tuma, seu chefe.

Benjamin não diz que Lula cometeu o ato. Diz que ouviu o relato de Lula em 1994, em um encontro que manteve em Brasília com um marqueteiro americano, contratado pela campanha, mais o publicitário Paulo de Tarso Santos e outras testemunhas.

Conversei com Paulo de Tarso – que já fez campanha para FHC, Lula – que lembra do episódio do americano mas nega que qualquer assunto semelhante tivesse sido ventilado, mesmo a título de piada. E nem se recorda da presença de Benjamin no almoço.

E aí se chega à questão central: com tais dados, jamais Ben Bradlee teria permitido que semelhante acusação saísse no Washington Post.

Antes disso, colocaria repórteres para ouvir as tais testemunhas, checaria as informações com outras fontes, conversaria com testemunhas da prisão de Lula na época. Praticaria, enfim, o exercício do jornalismo com responsabilidade.

A Folha não seguiu cuidados comezinhos de bom jornalismo. Não apenas ela perde com o episódio, mas o jornalismo como um todo.

É importante que leitores entendam: isso não é jornalismo. É uma modalidade especial de deturpação da notícia que os verdadeiros jornalistas não endossam.
(*) Colunista do iG

Fase Quatro: A opinião febril de um interno

Luis Nassif é um jornalista. Bom jornalista e bom de bandolim. Por isso faço aqui uma das minhas populares microsínteses e desta vez o alvo é a coluna do Nassif do Portal IG. Assim sendo vamos ao que interessa.
Nassif diz que Watergate tinha dois repórteres espertos – Bob Woodward e Carl Bernstein – e um editor memorável – Ben Bradlee – que filtrava todas as informações e só permitia a publicação daquelas confirmadas por pelo menos três fontes.

E diz mais: Até hoje Bradlee é um dos símbolos do bom jornalismo e exemplo para jornalistas de todas as partes do mundo. Qualquer acusação, contra qualquer pessoa, exige discernimento, apuração. Quando o jornal publica uma acusação está avalizando-a.

O dissidente do PT César Benjamim escreve em artigo publicado pela Folha de S.Paulo na sexta-feira, 27/11, que em 1994 Lula relatou em conversa a “ tentativa de subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de ‘menino do MEP”. Eu li.

A organização de esquerda MEP não existe mais. Nassif escreveu que César Benjamin acusou Lula “...de ter currado um militante do MEP no período em que esteve preso no DOPS”. Isto eu não li. Lá pelo meio de seu comentário Nassif escreve que Benjamin não diz que Lula cometeu o ato. Se não disse então por que está escrito que disse? Eu hein!....

Concordo com Nassif quando ele diz que quando se acusa um Presidente da República a instituição País é atingida internacionalmente, como um todo. Se a acusação for mentirosa é pior a emenda do que o soneto. Eu sei, tu sabes, ele sabe... Nós sabemos.

Como repórter que eventualmente usa gravata e interno bem comportado da Ala dos Marcha Lenta tento manter-me consciente da importância e a força dos meios de comunicação quando disparo meus foguetes. Nem sempre o que é assinado tem a força da verdade. Opinião até anônimo tem. E como tem.

Como notícia ruim viaja com velocidade supersônica cá estou eu sob interrogatório com os poucos italianos com que converso, brasileiros que aqui vivem há anos, garçons e garçonetes do restaurante onde almoço quase diariamente.

Como se não bastasse, enfrento a repercussão das inúmeras entrevistas dos “viados brasilianos” amigos de Brenda – “China”, “Natali”, “Michele” – nas TVs e nas páginas policiais dos principais jornais italianos, sem falar nos tablóides. Eu não mereço... (Carlos Eduardo Behrensdorf, de Roma).