O medo

TENHA MEDO DO QUE O GOVERNO PODE FAZER COM VOCÊ. NO BRASIL GOVERNAR É SATISFAZER NECESSIDADES FISIOLÓGICAS.

30 de nov de 2010

O seguro esconderijo da droga

Hoje mesmo, em Estreito, no Maranhão, cercado de repórteres, Lula estufou o peito cheio de azia e tratando da Guerra do Rio rouquejou galhardamente que vai manter as forças aliadas por lá "o tempo que o governador Cabral pedir e precisar".

É o regozijo expresso em tom de basófia; a consagração da cobertura retardada; o elogio à providência que já vem tarde; que chegou atrasada. Só agora veio, mais do que socorrer, abafar o descaso e a incompetência do prefeito, do governador e do seu próprio governo que deixaram o Rio desmoronar até chegar a esse lastimável estado de terror, de decadência moral, de insegurança social e de beligerancia civil.

R. Stuckert/PR - Complexo do Alemão - 29/05/2009
E sabe onde os traficantes escondiam esse tempo todo 50 toneladas de maconha, milhões de pacotes de cocaína, bilhões de pedras de crack, 400 mil veículos roubados, um número incalculável de fuzís, metralhadoras, granas e material bélico pesado?... Embaixo do nariz de Sérgio Cabral! Embaixo do nariz dele e das barbas dos seus eventuais companheiros de pelada no Complexo do Alemão.

Levou desaforo pra casa

Ao aceitar a sugestão de Lula para nomear Antônio Palocci, dona Dilma levou desaforo pra Casa... Civil.

Temer abedece à Presidenta Obedienta

Da meia dúzia de ministérios que tem hoje, o PMDB deve perder três: Comunicações, Integração Nacional e Saúde. Quer dizer, Temer está para Dilma, assim como Dilma está para Lula: aguenta calado e faz o que mandam.

Dignidade - Barbalho renuncia

O peemedebista Jader Barbalho, aquele de quem Lula beijou a mão num palanque lá no Pará, pediu hoje a renúncia do cargo de deputado federal.

Ele disse, em carta enviada a Michel Temer, que se resolveu assim por causa da decisão do Supremo Tribunal Federal que o considerou inelegível, com base na Lei da Ficha Limpa.

Mais de um milhão e 800 mil votos foram para o lixo da história política brasileira. De onde nunca deveriam ter saído.

Na carta ao presidente da Câmara, Jader chamou a posição do STF de "extravagante" por causa do empate. Classificou também a decisão de seguir o entendimento do TSE, tribunal inferior, de "absurda e grotesca". Isso é que seria uma demonstração de dignidade. Mas, em política e no Brasil, nada é aquilo que parece.

Há quem veja nisso apenas mais uma jogada, uma esperta manobra. Sem o cargo, ele perde foro privilegiado no STF e eventuais processos podem voltar à primeira instância - lugar onde há menos inimigos na trincheira. Há controvérsias.

Cadê?!?

Como perguntaria Dilma, em tom de cobrança e desafio:
- Cadê?!? Mostrem, cadê?!?...

Mas, não é só ela. Todo mundo quer saber onde foram se meter os mais de 200 narcotraficantes que fugiram do Complexo do Alemão enquanto os combatentes aliados subiam os morros. Há quem diga que a ratazana de elite fugiu pelos esgotos construídos clandestinamente durante as obras do Programa de Aceleração do Crescimento. Então, cadê?!?

Não, não é cadê os bandidos; é cadê a fiscalização nas obras do PAC!  As tais redes de águas pluviais que chegam até o Engenho Raínha não constavam do projeto original do PAC. Dona Dilma quer saber, cadê?!? Afinal, ela não é genitora do PAC só pela grandeza de ser uma mãe brasileira. Cadê, a fiscalização do PAC, cadê?!?
VOCACIONADOS
Todo mundo fala de advogados de porta-de-cadeia, mas tem cada jornalista porta-voz por aí...

ÀS ESCÂNCARAS
Se a ocasião faz o ladrão, os partidos políticos estão sempre de portas abertas.

PAIXÃO
Azar no jogo, sorte no amor... Muricy Ramalho acha que o Washington deve estar perdidamente apaixonado.

BRASIL DESARMADO
Nuncanahistoriadessepaís um programa de desarmamento da população recolheu tantas doações como no Complexo do Alemão.

O TROCO PAULISTANO
Encontrados quase 400 quilos de dinamite nas proximidades do presídio Franco da Rocha-SP. É mais do que todo material bélico recolhido até agora pelas forças aliadas na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão. É o troco paulistano aos cariocas. Olha a Guerra de São Paulo aí, gente!

TRATAMENTO ADEQUADO
A polícia levou para o presídio de Catanduvas, no Paraná, os 20 presos mais perigoso que conseguiram prender. Eles ficarão 20 dias, em 20 celas individuais. Serão submetidos a rigoroso exame médico para saber se são portadores de alguma moléstia terminal. Se não forem... Bem, o futuro a Deus pertence. Mas, pesquisa médico-científica taí pra quê?!?

RESSACA DA GUERRA
Chamadinha de rodapé na tela da Globo News: Alemão viveu uma noite de tranquilidade. Dito assim parece até que se trata de um boemio de ressaca.

APOSENTADORIA
Já tem malando dos morros cariocas querendo aposentadoria precoce por neurose de guerra. Bolas, se tem bolsa anistia e se Lula se aposentou por acidente de trabalaho... Faz sentido.

O DESCOBRIDOR
Foi preciso uma guerra civil para que Cabral descobrisse o Rio de Janeiro. Estácio de Sá, hoje é só o retrato de um português caolho num quadro de parede.

RETUMBANTE FRACASSO
Sem ficar corado, Sérgio Cabral propala aos quatro ventos que a operação das forças aliadas é que salvou o Rio de Janeiro. Quer dizer, se não fosse  a "estratrégia da coalizão pela governabilidade" tirada do papel pelo Exército, a Marinha, a Aeronáutica, as polícias civil e militar que tomaram uma atitude, o tal projeto das UPPs - Unidades Policiais de Pacificação continuariam sendo mesmo um rotundo e retumbante fracasso. Tão pirotécnicos quanto as tais de UPAs - Unidades de Pronto Atendimento tem sido para a saúde dos cariocas.

HERANÇA
Lula está deixando de "herança bendita" para a primeira-presidenta-eleita dona Dilma, nada mais nada menos do que o redescobrimento do Brasil. É redescobrimento, porque o Brasil foi descoberto por ele, em 2002.

Rocinha


Vazou: a próxima operação na Guerra do Rio pode ser na favela da Rocinha.

Por favor, não maltratem, os amigos de Vagner Love. E todo cuidado é pouco para não cabar de vez com o turismo-adrenalina.

Comandante descobriu: ainda há traficantes no Alemão

Coronel-geral da PM, Mário Sérgio Duarte, afirmou que ainda há traficantes no Complexo do Alemão. Foi ele quem descobriu a pólvora!

Mas não se contentou com isso. Ele também disse aos jornalistas que a polícia recebeu informações de que os comerciantes estão sendo obrigados a colaborar com os traficantes durante as operações de tomada do território nas favelas do Alemão, Zona Norte do Rio. Então, pronto! É só os soldados fingirem que estão indo às compras: pegam os bandidos no balcão.

Pô, a operação de guerra foi boa. Não precisa nada disso.

29 de nov de 2010

Os homens de preto ou... O Brasil é de cinema!

Enfim, o poder estabelecido está entrando no regime de controle social que Lula e seu porta-recados Franklin Martins sempre sonharam para deixar como herança bendita para o Governo dos Tres Porquinhos: o policialesco.

Agora sim, patrulha é que não falta. Um guarda em cada esquina. Alguém sempre de olho em todo mundo. O mesmo olhar pra quem não presta e pra quem é de boa vontade.

Por enquanto é só nos morros, no Rio de Janeiro que dá samba. E holofote. Logo será em cada rua, em cada quebrada. E onde quer que caiba um  tanque, um caveirão, uma unidade móvel de pronto atendimento à saúde de quem a perdeu subitamente para uma bala perdida, ou outra nem tanto.

Mas o que parece agora a concretização de um sonho pode ser apenas o início de um pesadelo. A fortaleza dos homens é, inexoravelmente, sua fraqueza. Nos regimes de governo também é assim; tem sido assim através dos tempos. É uma espécie de boomerang da justiça que procura a liberdade como caminho de paz. 

Essa cena e esse tipo de enredo a gente já viu muito nas fitas de patola dos anos 40/50; que se transformaram em filmes de faroeste pelos anos 60 afora; que viraram superproduções de bangue-bangue nos anos 80 e que, da virada do milênio para cá são minisséries de bufas democracias sul-americanas, todas de acanhado sucesso de bilheteria.

É que, como nas velhas películas de patola, o cenário se repete: uma comunidade, à mercê dos criminosos e um xerife covarde e corrupto.

A população oprimida, além dos limites de sua indignação, chama o homem de preto que, com seu revólver fumegante e munição interminável, acaba com os bandidos.

A felicidade dos moradores da cidade é efêmera. O homem  de preto vira algoz e adona-se da vontade e da vida das pessoas da comunidade. Seu domínio dura pouco. Sempre chega um mocinho que namora o cavalo, mata o homem de preto, beija a mocinha e, então, todos vivem felizes para sempre. Até que venha outro... Outro filme que a gente já viu.
CINEMA
Eduardo Paes, prefeito do Rio, disse que vai recapear ruas, reformar escolas e construir até cinema
nos Complexos da penha e do Alemão. O filme de estréia já foi escolhido: "Tropa de Elite-3".

ENFIM, UMA OBRA DO PAC
A Polícia já na dondição de dona do Complexo do Alemão, agora está apurando se funcionários do PAC ajudaram na fuga dos narcotraficantes mais graúdos. De acordo com informações passadas ao disque-denúncia, eles foram obrigados a construir túneis. Tá bom, obrigados eles foram, mas não precisavam ser tão eficientes. Das obras do PAC essa foi a única efetivamente inaugurada.

FORA DO PENICO
As forças aliadas conseguiram prender Zeu, um dos mais cruéis matadores do repórter Tim Lopes. Ele estava escondido embaixo da cama, numa casa que não era a dele. Zeu fez xixi nas calças. A foto que correu o mundo mostrou que Zeu estava se borrando de medo. Sacanagem, ele estava mijando fora do penico.. Aloprados atentos, já descartaram a hipótese de promover um leilão da cueca do bandido.

Inveja

Os paulistanos estão tiriricas da vida. O mundo inteiro só fala agora no Rio de Janeiro.

Querem saber do prefeito Kassab e do governador Goldman, o que é que o Complexo do Alemão tem que a Cracolândia não tem. A inveja é uma droga.

De Presideus a Papa

Nuncanahistoriadessepaís Lula foi tão Presideus brasileiro quanto no "Café com ele mesmo" desta segunda-feira. Falou como se fosse um Papa: mandou mensagens, pediu otimismo e desejou paz e tranquilidade para os moradores das favelas cariocas.

Afinal, quantos somos?!?

O IBGE divulgou ontem que, em 1° de agosto, quando iniciou o recenseamento de 2010, a população do Brasil era de 190.732.694 de pessoas. A população brasileira é composta por 97.342.162 mulheres e 93.390.532 homens. Mas de lá pra cá, só aqui num condomínio irregular de Brasília, três homens fizeram cirurgia de redesignação sexual. Cá pra nós, mas a essa altura dos acontecimentos, sem considerar as mortes dos traficantes no Complexo do Alemão, o IBGE já deve ter perdido as contas.

Jobim disse que fica

Nelson Jobim aceitou como se fosse convite de Dilma e como se estivesse pensando, permanecer no Ministério da Defesa. O acerto foi concluído sob a condição de tirar a aviação civil da pasta. Pronto, agora mesmo é que os assentos dos aviões de carreira vão virar banquetas. É nisso que dá o Lula ficar indicando tudo que é ministro.

De Boneca a Robô

Por enquanto, dos nomes que foram confirmados como ministros do Governo dos Tres Porquinhos, todos tem o dedo de Lula. Ops! Dito assim, parece até que se desvendou o mistério que cercava a razão da primeira precoce aposentadoria de Luiz Inácio da Silva, o metalúrgico acidental.

Nada disso. Trata-se apenas da formação inicial da administração da República Tiririca que vem aí. Pelo que se vê, dona Dilma não é - como FHC aventou um dia - uma boneca de ventríloquo. Parece-se muito mais com um robô. O controle remoto está com Lula.

Complexo de Craque no Alemão

Cheio de si, como se ele próprio tivesse invadido o Complexo do Alemão nessa Guerra do Rio, Sérgio Cabral deu entrevistas ontem desde suas trincheiras governamentais, dizendo que "estamos virando a página dessa história de mais de 30 anos de domínio do tráfico ..." e outras basófias disparadas na mesma linha de tiro e queda.

Agora que a eleição já passou, o que está virando mesmo é o cocho em que seus mais de tres porquinhos comiam. Não é nada, não é nada, hoje 29 de novembro de 2010 "está fazendo um ano e meio, amor / que o nosso lar, desmoronou"... - só para repetir a música de Ary Barros.

O que se precisa mesmo é lembrar que Cabral e Lula estavam jogando bola no Complexo do Alemão no dia 29 de maio de 2009. Há, precisamente, um ano e meio.

Naquela luminosa manhã, eles só viram os risos e escutaram os aplausos dos moradores das favelas. Fecharam os olhos e fizeram ouvidos moucos para o imponente aparato dos narcotraficantes donos daquele pedaço. Como sempre disseram que não ouviram, nem viram nada. Assim é que se justifica a demora para, até que enfim, convocar alguém com coragem e competência para enfrentar o crime organizado que usa fuzís, metralhadoras, granadas e chinelos de dedo.

Reprodução-foto: Wilton Junior/AE
No dia 29 de novembro de 2009, há exatamente um ano e meio, com complexo de craques, Lula e Cabral só tinham olhos para o futebol. Não deram a mínima bola para o governo paralelo do narcotráfico no Complexo do Alemão.

Reprodução-foto: Wilton Junior/AE
Descontraídos, como velhos conhecidos do ambiente em que se encontravam, os dois amigos fizeram a festa. Um fingiu que sabia bater pênalti, o outro fez de conta que queria defender. A poucos metros dali, a droga corria livre, leve e solta, como de hábito "há 30 anos" conforme Sérgio Cabral confessou que está careca de saber, ao falar ontem com jornalistas. 

Diário de Guerra

ENTREVISTA
Num dos sopés do Complexo do Alemão, o repórter com seu colete de correspondente de guerra, quis saber do oficial sobre os riscos e resultados da operação recém realizada. O combatente das forças aliadas foi deveras esclarecedor:
- Positivo. Os meliantes tinham idéias belicosas. Adentramos o recinto-alvo. Ocupamos o território. No decurso do enfrentamento, alguns meliantes empreenderam fuga; outros entraram em óbito.

CALMA! CALMA!
Em pleno fragor da Guerra do Rio, ao fim da tarde de domingo, ouviu-se o espoucar do que parecia tiros. E uma voz rouca das ruas que gritava:
- Calma, calma! Até aqui, a gente não ganhou nada.
Não, não era um morador das favelas. Era só um torcedor fanático do Fluminense, bebemorando com amigos, a penúltima vitória do tricolor carioca, antes que o Brasileirão termine.

PÓS-GUERRA
Nuncanahistoriadessepaís se viu tanto cientista político entendido em guerra. Mais do que esses profetas do acontecido, só mesmo repórteres com colete à prova de bala.

INSALUBRIDADE
Um dos maiores riscos do trabalho dos repórteres que cobrem a Guerra do Rio, é dizer que estão falando ao vivo para os programas noticiosos de suas emissoras.

AUTOR
Desde o aconhego de seu gabinete, todo se achando, acobertado pelos microfones, o audaz governador Sérgio Cabral, estufou o peito :
- Estamos virando essa página da História.
Não disse que ele foi um dos que fizeram a tal história e nem mesmo informou se teve coragem de pelo menos ler algum capítulo.

Lula disse hoje, no seu "Café com ele mesmo", que vai visitar o Complexo do Alemão. Não disse novidade nenhuma. Ele já foi aplaudido por lá, como em maio do ano passado. Só não foi capaz de perceber quem é que o ovacionava. Lula esteve no Alemão acompanhado da sua então ministra-chefe da Minha Casa Civil, Minha Vida - Dilma Rousseff. Naquela data solene, entre um almoço no Palácio Laranjeiras e a inauguração de mais uma pedra fundamental de alguma obra do PAC, achou tempo para bater uma bolinha com o goleiro frangueiro, Sérgio Cabral. 


ERRO DE IMPRENSA
A repórter de TV, linda dentro de seu coletinho fashion, abriu seu boletim já na quase calma manhã de segunda-feira:
- Estamos falando, ao vivo, aqui da entrada do Complexo do Alemão, na Avenida Itararé..
Avenida, ou... Batalha de Itararé?!?

LIMPEZA
O soldado das forças aliadas de combate ao narcoterrorismo foi muito claro:
- Nossa missão está apenas começando. Agora vamos começar a varredura das favelas.
Que não seja pra baixo do tapete.

GÃO, O ESCORREGADIO
E então, as forças aliadas descobriram um verdadeiro palácio do crime. Pertencia a um dos seus mais perigosos e cruéis chefões do narcotráfico, o bandido Gão. Assim que invadiram o bunker superbacana, Gão se mandou às carreiras. Um dos combatentes coalizados ainda o desafiou no momento em que o traficante pulava a janela:
- Não fuja, covarde... Venha cá, Gão! Venha cá, Gão!
De nada adiantou. O soldado ainda tentou correr atrás do meliante, mas escorregou... Adivinhe em quê? Nisso mesmo que você está pensando. Nunca Gão fez tanto jus ao nome.

TOP ERÓTICO
A fixação das bandeiras do Brasil e do Rio de Janeiro no ponto mais alto dos morros conflagrados, foi na verdade uma cena erótica para as redes de TV: soldados em cima do Alemão.

O DIÁRIO
É como dizia um carioca da gema, à beira de uma quase calma e serena Copacabana:
- Mermão, se a coisa continuar assim, não demora nada a Garota de Ipanema vai ser a Anne Frank da Guerra do Rio.

ZEU
As forças aliadas conseguiram recapturar o matador do jornalista global Tim Lopes. Conhecido como Zeu, vai pro museu de Bangu, o presídio de segurança máxima para ele e seus comparsas. Fosse na Grécia esse bandido seria intocável. Seria mais que um chefe do crime, o maior de todos os deuses, um deus singular: ao invés de Zeus, simplesmente Zeu.

TIM MAIA
Cerca de 600 chefões do narcotráfico fugiram do Complexo do Alemão. O governo vai descobrir que os 21 mil soldados aliados que estão concentrados nos morros cariocas, logo estarão viajando para as outras capitais brasileiras. Ou será que o governo vai dizer que São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e outros grandes centros não cheiram, não fumam, não bebem, não se picam?!? Só se o governo for Tim Maia... De vez em quando, ele mentia.

GUERRA É GUERRA
Devagar com o andor. Não dá para fazer tudo de uma vez só. Não é porque, enfim, o governo descobriu que poderia acabar com o narcotráfico que agora vai mandar 21 mil soldados das forças aliadas para cada uma das capitais brasileiras. Se operasse assim em todos os estados da Federação, o Brasil estaria hoje no meio de uma guerra civil maior que a da Secessão, nos Estados Unidos. Enquanto isso, vamos apenas curtir a idéia de que onde há fumaça, há fogo... E quem sabe, uma maconhazinha maneira.

Entrementes...

Placar no jogo das cadeiras ministeriais: Lula 4x0 Dilma.

Porque o cachorro entra na igreja.

A pegadinha é antiga:
- Sabe por que o cachorro entra na igreja?
- Não...
- Porque a porta estava aberta.
O prazer de botar saia justa nos outros leva o descontraído exercício de lógica adiante:
- Sabe por que ele saiu?
- Hmm...
- Porque entrou.

Pois na Guerra do Rio foi assim. Sabe por que, os bandidos sairam do Complexo do Alemão? Porque entraram. E sabe por que entraram? Porque as portas estavam escancaradas.

O governo era o único que não re/conhecia o poder de fogo, a eficácia estratégica, a competência tática e a seriedade da Inteligência das Forças Armadas do Brasil. No momento em que delas se ocorreu, descobriu que pode dar à nação a segurança que lhe deve há muito tempo.

O narcotráfico não acabou. Essa guerra ainda tem muitas batalhas pela frente. Os tanques, camburões, caveirões, fuzís, metralhadoras, granadas ainda tem muito colete à prova de bala e chinelo de dedo para enfrentar nessa luta contra o crime desorganizado.

Dos mais de 600 gerentes do narcotráfico no Rio de Janeiro, menos de duas dúzias deles foram presos nessa rocambolesca e necessária ação das forças aliadas. Prenderam muita droga, pouco bandido e menos dinheiro ainda. A bandidagem continua rica, solta e com bala na agulha.

Lula politicamente mal-vestido, usa um colar de coca.
A favor do narcotraficante está a sociedade de consumo. Está o convivio de mocinhos com bandidos. Está o mau exemplo - aquele que vem de cima e nos atinge.

Os chamados usuários, os drogaditos, o viciados já se organizam para continuarem sendo abastecidos. E, para esses, o narcotráfico nem precisa de armas, ataca com seringas.

Enquanto o viciado não for tratado pela lei com o mesmo rigor do que está escrito para os traficantes, o crime vai continuar vencendo. Mesmo com algumas derrotas aca/chapantes como a desta semana, no Complexo do Alemão.

O vendedor de droga só existe porque existe o comprador. E bandido com dinheiro é quase tão perigoso quanto muito governante que anda solto por aí. Na Guerra do Rio, a primeira batalha foi vencida. Mas... A luta continua, companheiros!

RODAPÉ - Vejam que a memória do brasileiro vai mesmo só até à missa de 7° Dia (Millôr)... Agora só se fala no Complexo do Alemão. A Tomada da Vila Cruzeiro já caiu no esquecimento.

28 de nov de 2010

1° Rescaldo do Rio em Chamas

Isso é que é!

Primeiro rescaldo do Rio em Chamas... As Forças Aliadas tomaram de assalto o Complexo do Alemão. Mataram um bandido lá que outro; não encontraram nenhum chefão do pedaço; as tocas de luxo tinham poucas armas e muita maconha.

Até parece que há uma crise de crack e cocaína no mercado. O sumiço dos donos do Complexo deixa a nítida impressão de que dentre todos os procurados, escaparam todos.

Há um toque de regozijo no ar dos morros. A operação Tomada de Monte Castelo - ops! - Tomada do Alemão foi um sucesso. O Complexo é de paz. O Complexo é. O Rio de Janeiro, ainda não.

E porque hoje é domingo, há a perspectiva de segunda. Os narcotraficantes de grosso calibre estão acuados, mas continuam livres. Logo, logo a guerra continua, companheiro. É bom ficar atento e forte: os compradores já estão tiriricas da vida com a falta de suprimento. Em seguida, os consumidores irão às compras em outros balcões; logo estarão se municiando em outros quartéis generais. Para eles, a vida sem droga é uma droga.

A paz é apenas uma trégua que vem, ainda que tardia, da mais eficaz operação bélica brasileira das últimas gerações pós-2ª Grande Guerra. O que garante a vida é a segurança constante. A mesma segurança que políticos e governantes desfrutam em suas casas civis, suas vidas...

O Rio hoje está condenado a um contínuo tratamento de choque. Assim que tirarem os tubos, sucumbe sufocado em fumaça, apedrejado por crack, ou por excesso de coca... Isso é que é!

Overdoses

MAU ATENDIMENTO
O saldo mais positivo até agora nesse bala com bala da Guerra do Rio é que toda vez que um narcotraficante é baleado, quando o socorro médico chega, já é tarde. Os narcotraficantes já deixaram um bilhete à mão das autoridades, reclamando do tratamento: "Ninguém merece ser atendido pelo SUS".

SEGREDO DO SUCESSO
O grande segredo para o sucesso dessa operação Tomada do Alemão é dar prejuizo ao crime organizado. Político e narcotraficante não podem ser ricos. Eles acabam falando a mesma língua.

USUÁRIO
Num cochicholo mais estreito que uma unidade do Minha Casa, Minha Vida, os soldados encontraram armazenados, sob ar condicionado e outros cuidados, nada menos de duas toneladas de maconha. Vizinhos dizem que o dono do depósito, antes de fugir, deixou um recado: - Sou usário, isso aí é pra consumo próprio. Diante disso, as Forças Aliadas acham que ele deve se entregar a qualquer momento.

RODAPÉ - A Força Expedicionária Brasileira (FEB) enviou para a Itália, em julho de 1944, 25.300 soldados, conhecidos como pracinhas. Uma vez na península, os brasileiros lutaram várias batalhas contra forças alemãs, entre elas a Batalha de Montese e a famosa tomada do Monte Castelo. Ao final da guerra, mais de 20 mil soldados inimigos haviam sido aprisionados e quase 500 brasileiros mortos. Na foto acima italianos de Montese dão boas vindas aos pracinhas, em 14 de abril de 1945. (Portal Ciência & Vida)

"I have a dream"...

Se a Guerra do Rio não acabar com a riqueza do narcotráfico, essa mobilização toda das forças aliadas - surgidas por honra e glória da "estratégia de coalizão pela governabilidade" autorizada pelo comandante supremo da nação, vai dar em absolutamente nada. Um retumbante nada.

A opulência dos cofres desses agora ditos narcoterroristas que habitam os morros e aprisionam favelas é a sua fortaleza. Eles são tão ricos ou tão mais ricos do que a elite que hoje habita os poderes constituídos e aprisiona os organismos estatais.

Pegar um menino de nove anos de idade com 30 mil dólares na mochila escolar é, senão um lance de loteria, apenas mais um exercício de mera pirotecnia. Só serve para que se faça as contas do que ele teria na cueca se chegasse à idade dos nossos governantes.

Essa Guerra do Rio - por enquanto só do Rio - é o crime organizado de gravata contra o crime organizado de chinelo de dedo. De dedo, mas Havaianas. O disfarce de uns é botinão; o de outros, é sandália. Ambos usam colete à prova de bala.

Quem está de peito aberto e com o buzanfan que é uma rosa, no meio dessse fogo cruzado, desse bala com bala, é a população de homens de bem, mulheres de boa vontade, crianças nem bem-criadas que jamais desfrutaram da mesma segurança que gozam as autoridades, porque não são "pessoas não comuns".

Pergunta aí, se Sarney, Collor, Renan, Lula, genéricos e similares já estiveram sob alça de mira, alguma vez na vida. Afora Zé Serra - vitima eventual de uma bem bolada fita durex e de Dilma que se esquivou de um saco daquele líquido misterioso corriqueiro em arquibancadas de futebol, só mesmo Zé Dirceu teria do que se queixar: levou uma bengalada pelas ventas em pleno corredor da maior casa de tolerância nacional. O indignado agressor até já bateu as botas.

Enfim, essa Guerra do Rio é briga de cachorro grande. Uma elite oficial contra uma elite de governo paralelo. Bronca de rico. Quem leva bala perdida é o pobre.

But, I have a dream... Um dia, mesmo que seja em sonho, todos seremos iguais. Pobres como eles, bem protegidos, habitantes de condomínios de segurança máxima, com boa saúde pública, educação, aposentadorias justas, merecidas pensões e fanáticos praticantes do sagrado direito de ir e vir.

E quem sabe até haverá casa, vida e luz para todos.

RODAPÉ - Assim que deixar o cargo de presidente da República, Lula da Silva terá direito a quatro seguranças, dois motoristas, dois assessores, dois carros oficiais. Nada demais, o Brasil já concede a mesma coisa para os ex-presidentes que ainda estão aí, vivinhos da Silva: Sarney, Collor, Itamar e FHC.

Dominguices

QUESTÃO DE ÓTICA
Para os médicos do hospital Sírio-Libanes, cirurgia de Zé Alencar foi boa. E para o Zé Alencar, como é que foi?!?

Reprodução/AE
A mais corriqueira paisagem carioca dos últimos dias. A Guerra do Rio continua linda.

O CÓDIGO
Aquela declaração do comandante Mário Sérgio na porta de entrada do Complexo do Alemão, não foi um ultimato. Foi tipo assim a quebra de sigilo do Código 007. Um jeito de dizer que as forças de pacificação tinham ordem oficial de atirar para matar.

MARKETING
Na Vila Cruzeiro, mal os traficantes foram escorraçados e as empresas de TV por assinatura já montaram suas barracas para vendas de planos de ocasião. Ontem de manhã, cedinho, cerca de cinquenta pessoas se cutucavam ao redor de uma mesa com guarda-sol vermelho onde vendedores de planos de televisão por satélite tentavam conquistar novos clientes. A isso é que os cursos de propaganda e marketing das universidades chamam de marketing de guerrilha.

O CONFRONTO
O Rio de hoje é inacredtável. Tá na TV: as forças aliadas da República em confronto com narcotraficantes de metralhadoras, granadas, coquetéis molotov, coletes à prova de bala e chinelos de dedo. Esse é o Rio que passou ontem na TV.

NA ALÇA DE MIRA
A Guerra do Rio é séria. Mas, nessa minissérie de TV que mostra a troca de tiros entre bandidos e mocinhos, é preciso ressaltar a qualidade de imagens que os cinegrafistas conseguem colocar no ar, ainda ao vivo e a cores.

Numa dessas cenas de bala com bala, deu para perceber o capricho com que um daqueles denodados guerreiros de coletes à prova de bala fazia mira num daqueles cracks ambulantes da facção criminosa.

O rosto do atirador era de pura concentração. Lábios contraídos, narinas fumegantes... Mas o olhar tinha um certo brilho de prazer. Decerto, a satisfação do dever cumprido.

HERANÇA BENDITA
Criação da Comissão Nacional da Verdade, descriminalização do aborto, união civil gay... Essas são apenas algumas questões do Plano Nacional de Direitos Humanos que Lula resolveu deixar como "herança bendita" para o Governo dos Tres Porquinhos.


Foto:Anderson Ramos/Último Segundo iG
Manchete de jornais: "Suspeitos são baleados na Vila Cruzeiro". E se as suspeitas não se confirmarem? Eles já estão pensando em devolver os balaços, pô! Se você olhar com atenção, vai ver que a dupla aí de cima, Faustão e Branquinho, tem tudo para ser inocente. 

Banalização da Violência

O descaso dos governos redundou nesse grau de segurança social.

27 de nov de 2010

O Oriente Médio é Aqui

Guerra no Iraque

Guerra no Rio

Guerra no Iraque

Guerra no Rio.

Como, decerto, pediria a primeira-presidenta toda diligenta: - Cadê?!? Cadê?!? Quero ver para crer. Como ela, a gente quer saber: - Cadê Lula, O Pacificador do Oriente Médio que ainda não deu as caras pelo Rio de Janeiro?!?

CÂMARA & CASCUDOS

OS 50 ANOS DA MORTE DE NEWTON MENDONÇA:

APENAS UMA MISSA E O SILÊNCIO.
Marcelo Câmara

No dia 22 de novembro, Dia da Música e Dia do Músico, completaram-se cinquenta anos da morte precoce e repentina, aos 33 anos, do pianista e compositor Newton Mendonça (1927-1960), o primeiro e fundamental parceiro de Tom Jobim, com quem formou a mais importante parceria da Bossa Nova.

Mantendo a tradição cinqüentenária de omissões e erros, cinismo e hipocrisia, de boicote sistemático ao seu nome e à sua obra, não foi produzido nenhum programa especial no rádio ou na TV, nem editado nenhum suplemento especial em jornal ou revista, nenhum show foi realizado, nenhuma homenagem dos artistas, instituição ou governos, nenhuma celebração. Apenas uma Missa que o jornalista Marcelo Câmara, biógrafo do compositor, e a família de Newton mandaram celebrar na Igreja N. Sa. da Paz, pela sua alma e memória, em Ipanema, bairro aonde chegou aos treze anos.

E a expectativa de que o Governo do Estado do Rio de Janeiro denomine “Parque Newton Mendonça” o Parque da Bossa Nova, a ser construído no Leblon, para homenagear a arte revolucionária e a memória de Newton na sua cidade, que nunca se lembrou dele para dar nome sequer a uma sala de aula. Na Missa, o Padre Jorge Luiz Neves, o popular Padre Jorjão, que é músico e admirador da obra de Newton, numa bela homilia, no Dia de Santa Cecília, protetora dos músicos, destacou “a simplicidade, a genialidade e a vanguarda” do compositor.

Nas “Preces Comunitárias”, o celebrante pediu a Deus “que o Governo do Estado do Rio de Janeiro se sensibilize e denomine, por justiça, ‘Parque Newton Mendonça’ o Parque da Bossa Nova”. Apesar da ampla divulgação, estiveram presentes à cerimônia apenas o crítico e historiador Marcelo Câmara, o neto de Newton, o jovem Victor Lopes de Mendonça e sua mãe, Rosália Lopes de Mendonça. Nenhum artista, ninguém da Imprensa, nenhuma autoridade.


Para Marcelo Câmara, “Newton Mendonça é o principal compositor da Bossa Nova, quem mais alto e longe foi na estruturação composicional, na sistematização melódica e harmônica da Bossa Nova, quem verdadeiramente fez vanguarda, mais ousou, mais transgrediu e promoveu mais invenção na estética nascida na Zona Sul carioca, na segunda metade dos anos 1950. Caminhos melódicos inusitados, ricas e surpreendentes soluções harmônicas, insinuações rítmicas inovadoras” – explica Marcelo Câmara.

Newton Mendonça, sozinho e com Tom Jobim, é o compositor dos primeiros e maiores clássicos e músicas-matrizes da Bossa Nova. Deixou 35 músicas: 19 de autoria exclusiva (onze continuam inéditas), 15 com Tom (treze gravadas) e 1 com Fernando Lobo. Newton é o criador, com Tom, de clássicos como Desafinado, Samba de uma nota só, Meditação, Discussão, Caminhos cruzados, Foi a noite, Só saudade, O domingo azul do mar, entre outros, além de obras-primas exclusivas, reconhecidamente precursoras e vanguardas da estética como Você morreu pra mim, Verdadeiro amor, Seu amor, você (uma das finalistas do Festival do Rio - As mais belas canções de amor, 1960), Canção do azul, Nuvem, O mar apagou, Canção do pescador (vencedora do primeiro festival de música popular brasileira de âmbito nacional, promovido pela Record, em 1960, no Guarujá, SP) e Quero você, principal tema da trilha do filme Os desafinados, de Walter Lima Júnior.

Das sete músicas de Tom Jobim com mais de dois milhões de execuções no mundo, três são resultado de uma parceria de apenas sete anos com Newton Mendonça, três são de autoria exclusiva de Tom e uma foi feita com Vinicius de Moraes.
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Marcelo Câmara
(Marcelo Nóbrega da Câmara Torres)
Jornalista, escritor, editor e consultor cultural.
e-mail: ilhaverde@ilhaverde.net
website: www.ilhaverde.net
Cidade do Rio de Janeiro RJ Brasil

Gincana

Fernando Haddad, anuncia para o dia 15 de dezembro um novo teste do Enem. Essa brincadeira deixou há muito tempo de ser um exame nacional do ensino médio. É tanta prova, uma atrás da outra que já virou gincana estudantil.

O Exército da Salvação

O povo brasileiro há muito tempo que precisa de um governo forte. Ele quer ser mandado. Gosta de obedecer e, mais ainda, de ser desobediente. É da sua natureza. O grande perigo é quando os governos se metem a governar demais.

Lá pelo meio dos Anos-80, Zé Sarney inventou que cada contribuinte deveria ser um fiscal a serviço do seu governo.

Foi o que bastou para, no dia seguinte, em Curitiba, o já falecido Omar Marczinski, então um bem-intencionado contribuinte paranaense fechar as portas de um supermercado, porque os preços estavam fora da tabela do Plano Cruzado.

Interpelado pelos diretores do estabelecimento, antes de trancar a porta, ele bradou retumbante e patrioticamente:

- O supermercado está fechado. Eu sou fiscal do Sarney!

A euforia virou decepção profunda assim que se descobriu que a guerra deflagrada contra a inflação era apenas um blefe do homem dos Marimbondos de Fogo que subiu a rampa no lugar de Tancredo, o melhor presidente que o Brasil não teve.

Agora, na Guerra do Rio, cercados de tanques, caveirões, tropas de elite em nome da elite, os moradores dos morros e das favelas soltam brados retumbantes de saudação à presença das polícias e das Forças Armadas coalizadas que operam a seu favor.

A operação é necessária; é de emergência; é tratamento de choque; é de guerra contra os narcotraficantes que - vejam só! - já foram promovidos a narcoterroristas. A invasão é providencial. Já o brado retumbante é apenas um grito de alívio; um ingenuo berro pela paz perdida. Uma manifestação que vem da alma do povo, do coração dessa gente humilde, da voz rouca das ruas, certa de que afinal a liberdade que se anuncia é a libertação definitiva do jugo maldito dos traficantes canalhas que vendem drogas para os consumidores cretinos. Vendedores e compradores são, na mesma medida, pústulas humanas, escarros da sociedade.

A ocupação desse conjunto de forças armadas, por mais que se demore, será temporária. Nuvem passageira. Mais adiante os senhores do tráfico se refortalecerão pela volta paulatina dos robustos negócios de compra e venda da droga que satisfaz aos estúpidos viciados.

E assim, gradativamente, a fumaça voltará a encobrir morros, favelas e as melhores casas do ramo no centro da cidade - ponto referencial dos grandes e rentáveis negócios entre traficantes e ususários. Os morros são apenas o melhor refúgio para os melhores estoques. Não tem a exclusividade do mercado.

O pior disso tudo é que - diante do descaso oficial permanente que levou o país é essa lamentável penúria moral - só a ação dos coturnos, das metralhas, dos tanques, camburões e caveirões é capaz de provocar no cidadão comum, nos homens de bem, o desejo de saudar a plenos pulmões que o Exército com todas as suas armas é a salvação.

E aqui estamos nós, eufóricos e cheios de esperança de que vem aí bom tempo, vem aí a boa brisa de paz e felicidade, graças ao regime democrata-militaresco que o governo Lula está deixando como uma de suas "heranças benditas" para o governo Dilma.

RODAPÉ - O empresário Omar Marczynski, a convite do presidente Collor de Mello, atuou em Brasília como Superintendente Nacional da extinta Sunab, exatamente o órgão da administração federal responsável pelo abastecimento e controle de preços. Ele faleceu na cidade de Manaus, em 2007, onde morava há cinco anos. Marczynski sofria de câncer no pulmão e tinha 64 anos.

UPP é uma droga!

Não deu certo, nem nunca vai dar, esse projeto de controle autoritário disfarçado em "ocupação humanística das favelas" posto nas ruas por Sérgio Cabral, dono do Rio, com a única finalidade de continuar governando os cariocas.

Cabral maquiou o domínio da sua polícia sobre as camadas pobres, como se fosse uma capa de proteção armada e camarada contra a truculência do narcotráfico que se esbalda pelos morros - área de maior concentração da violência urbana.

Nada é mais evidente e assustador para o crédulo favelado do que constatar que as UPPs - Unidades de Polícia Pacificadora instaladas nas áreas de risco, verdadeiro cinturão do reino da bandidagem, eram cegas, surdas e mudas.

Esse tempo todo foi de afável convivência; de notável conivência. Até agora - uma semana atrás, nem isso - ninguém fora preso, o tráfico era livre, leve, solto, a vida era boa, calma e serena. Mocinhos e bandidos se coalizavam.

Até que veio o pleito de outubro. E então se soube: UPP teu nome é Voto. Polícia de Pacificação rima com eleição.

Bastou o espoucar de foguetes na carnavalesca celebração da vitória de Cabral e de seus acólitos nas urnas de outubro vermelho, para o imenso piscinão de águas mornas transformar-se num enorme e tenebroso barril de pólvora.

A máscara caiu e Cabral foi acometido pelo Complexo do Alemão. A pirotecnia tomou conta do Rio e virou guerra. O Fanfarrão chamou a Marinha, o Exército, as Forças Armadas de Paz do irmão de fé, camarada, companheiro Lula, ainda presideus do Brasil e mais honrado dirigente do PT.

Pronto! O Exército chegou. Tomou a Vila Cruzeiro, ao melhor estilo da tomada de Monte Castelo. Cercou o Complexo do Alemão. Os narcotraficantes estão fugindo.

Muitos carros, no entanto, ainda separam os cariocas de boa cepa dos bandidos incendiários. Mas logo virá, sob as armas da pacificação, a tão almejada paz.

E, por um bom período, assim será. Assim viverão quase felizes os cariocas no mais pleno e surreal regime democrático policialesco que o PT sempre abominou enquanto não dominou. Rima e é verdade.

Logo, a Guerra do Rio estará migrando para o resto do Brasil. Vai tirar o sono dos governantes que apostam na promessa  da primeira-presidenta que prometeu ser diligenta na adoção e pulverização da "política de segurança pública de Sérgio Cabral para todo o país".

Estaremos, então, todos nos sentindo como cariocas. Cercados de bondes de narcotraficantes e de comboios das Forças Armadas de Pacificação. Essa guerra civil vai perdurar enquanto não for estabelecida, mais do que troca de tiros, borzeguins, tanques e caveirões, uma política séria de combate ao vício.

Até que cheguemos lá, todos viveremos pequenos períodos de trégua. Gozaremos uma vida de armistícios. Até que as paciências se esgotem, a cautela e a canja de galinha passem a fazer mal e tudo volte à anormalidade de sempre.

Enquanto a lei não tratar o usuário da mesma forma, com o mesmo rigor, com as mesmas penas que tratam os senhores do tráfico, os traficantes de palácios e das beiras de calçadas, o narcotráfico será imbatível; continuará carnavalizando, balançando a pança e comandando a massa. O tráfico é o maior negócio do mundo porque o consumo é um dom universal, compartilhado por ricos e pobres, mocinhos e bandidos. O traficante só existe porque existe o viciado.

O que não se pode admitir é que agora o governo Dilma, por inspiração cabralina, estabeleça no Brasil a banalização da força que, um dia, vai nos convencer de que para acabar com o viciado "só matando"! Alguém que acredite nessas coisas, leia a Bíblia para essa gente: violência gera violência!

Esse folclore da polícia da capitania hereditária do Rio realizar a "ocupação humanística das favelas" é uma droga. Antes que ela se espalhe pelo Brasil, algo precisa ser feito para nos libertar desse estado de opressão. Ou logo o brasileiro se sentirá tão mal com suas virtudes, quanto gostará dos seus vícios.

Sob Velha Direção

O título de propriedade da Minha Casa Civil, Minha Vida, passado de mão-beijada para Antonio Palocci, é o sinal evidente de que a República Tiririca vai manter no Governo dos Tres Porquinhos, o conceito básico da manutenção do poder: escandalo não dá cadeia; dá prestígio.

O Complexo de Cabral

Não adianta a pose de superioridade do governador do Rio, Sérgio Cabral. Ele continua sofrendo com o Complexo do Alemão.

As Casas de Palocci

Então é isso... Antonio Palocci volta ao governo. Volta depois do caso Francenildo. Dito assim, até parece que a sua retirada estratégica de cena se deveu a uma antiga briga de botequim com o caseiro de uma mansão no Lago.

É um pouco mais que isso. Seu oportuno ostracismo desmemorizou a estupefação pública que, meia dúzia de anos atrás ainda não estava acostumada à banalização dos escândalos. O tempo - já repetia o filósofo companheiro Fernando Collor - é o senhor da razão.

Basta remexer um pouco no fundo do baú que aparecem coisas do arco da velha: de bingos a cestas básicas; de cestas básicas a cestas de lixo; de extorsão por contratos da eficaz GTech com a Caixa Econômica Federal ao sumiço da grana do Caixa-2... Esse remelexo pode dar um dossiê. Mas vai continuar dando em nada.

Antonio Palocci ressurge das brumas, qual Fênix que renasceu das cinzas.

Deixa pra lá, bem pra lá do fim do mundo a Casa do Lobby da República de Ribeirão Preto para ocupar a Casa Civil da República Tiririca que, para os íntimos, atende pelo digno codinome de Governo dos Tres Porquinhos.

Se perguntarem a Francenildo, ele dirá que não foi sondado para o perigoso cargo de caseiro. Como também não tem vocação para mordomo, continuará desempregado. Prefere ter hoje uma bolsa-familia do que ser acusado, amanhã ou depois, de alguma inconfidência. Decerto seria condenado.

26 de nov de 2010

Garantia de Paz?!?

Nem é preciso mais ouvir o programa "Café com o Presidente" para ter frouxos de riso nervoso ouvindo o Presideus Lula rouquejar nos microfones.

Lá em Georgetown, na Guiana, ele foi valentão e otimista numa provável ação conjunta do governo federal com o carioca: "Juntos nós teremos força para vencer o crime organizado e garantir paz à população".

O que é isso, companheiro?.. "garantir paz"?!? Não senhor, nada disso... Garantir Segurança!

Para ter paz, basta fazer-se amigo dos narcotraficantes, como muita gente boa é companheira das Farc, parceria boa e batuta das florestas colombianas.

Que o governo garanta a segurança. É só o que se quer diante dessa guerra do Rio. Segurança!... já que o povo é de boa paz.

Falando sério

SEGURANÇA EM JOGO
Pobre país aquele, cujo governo precisa de uma copa de futebol ou de jogos olímpicos para prometer ao povo a segurança que lhe é devida.

HEROISMO
Por essa linha de conduta, logo teremos no Brasil dois grandes heróis nacionais: Ricardo Teixeira e Arthur Nuzman.

COALIZÃO
Lula, em Georgetown, na Guiana, preocupado com a segurança, sugeriu a criação de um Conselho Sul-americano para combater o narcotráfico: "O crime organizado não pode continuar sendo uma ameaça a todos nós". Duas coisinhas: primeira, ninguém pode ser companheiro das Farc; segunda, coloca em prática a "estratégia da coalizão" que deu certo com os partidos políticos brasileiros. Logo todos serão aliados e viverão felizes por muitos e muitos anos.

República Tiririca

GUERRA É GUERRA
Quem diria que, um dia, o Exército do Brasil - um país que não briga com ninguém - invadiria o Rio de Janeiro, a mais romântica e bela capital dahistoriadessepaís?!? A isso é que se chama guerra intestina. Já não está cheirando bem.

HERANÇA
Nunca, nem nos tempos bicudos de Jango - quando a casa caiu - o Rio de Janeiro, tambor de ressonância nacional, esteve tão conturbado. Essa é a "herança bendita" que Lula está deixando para dona Dilma Vana. Se fosse "maldita"...

REMORSO
A primeira-presidenta vai ter que ser inteligenta. Há bem pouco, num palanque do Rio, em pleno fragor da guerra eleitoral, ela prometeu para os cariocas - que votaram em Cabral aos borbotões - e para todo e qualquer cidadão brasileiro que acompanhasse suas andanças, que levaria "a política de segurança pública do governador do Rio para todo o País". Se a primeira-presidenta for diligenta e eficienta vai se morder de remorso. E olha que, pelo seu currículo de guerrilheira sacrificada, de segurança dona Dilma Vana entende.

CARESTIA MAQUIADA
Guido Mantega, uma vez confirmado como fazendeiro oficial da República Tiririca, já ameaçou: vai alterar os mecanismos de avaliação da inflação. A carestia já não vai se basear no consumo de combustíveis e alimentos de primeira necessidade. Faz sentido. É só dar uma olhadinha aí no seu supermercado preferido, ou no armazem da esquina, e conferir o preço de hoje da carne, do feijão, do frango, do pão, do açúcar, do tomate, da banana, do álcool...

CARTÕES
A nova equipe econômica do governo já disse que vai moralizar o negócio dos cartões de crédito no Brasil. Deveria começar pelo cartão de crédito corporativo do governo.

O Estrategista

Se Lula não estivesse tão ocupado lá por Georgetown, na Guiana, já teria liquidado com esse confronto no Rio de Janeiro entre "os que não respeitam a lei" e os que respeitam a lei muito pra lá do que devem respeitar.

Basta colocar em prática a sua tão usada e abusada "estratégia de coalizão pela governabilidade". Logo, logo bandidos e mocinhos seriam todos aliados. Deu certo na paz e na política, por que não daria na guerra e na polícia?!?

O ministro descartável

A permanência de Jobim da Selva de Pedra, codinome adequado à guerra do Rio, custa alguns caças franceses - aqueles que caem em dobro.

Assim que tudo saia conforme Lula e Sarkozy estão querendo, abre uma brecha na barreira do Ministério da Defesa.

O Pronasci nasceu morto

Olhando o Rio de Janeiro, assim de longe, dá vontade de perguntar:

- Alô, alô, gauchada! Cadê o Plano Nacional de Segurança com Cidadania, aquele do Genro - Tarso que não faz falta ao dedo de Lula na Justiça?!?

Tudo o que o peremptório governador dos Pampas fez quando era ministro e ainda queria o lugar que agora é de dona Dilma Vana, foi lançar com pompa e circunstância, o tal de Pronasci.

O lançamento, na época, só empatou em pirotecnia, com o discurso de inauguração dos milhões de moradias do Minha Casa, Minha Vida. Foi empate, mas com sabor de derrota. Como aquela carta de intenções habitacionais, o Pronasci também não saiu do papel. O Pronasci nasceu morto. E a gente fica aqui assim, sem saber o que mandar essa turma fazer com tanto papel sobrando por aí.

Poderiam quem sabe, enrolar os crédulos de sempre, aqueles que acreditam - como esse governo faz acreditar - que um título pomposo, um slogan bem arranjado, um factóide qualquer, sejam a pronta solução, a pá de cal que sepulta qualquer problema; a pedra fundamental do que nunca será concluído.

A bem da verdade, Genro até fez um pouco pior do que esse engodo, em sua fase de apóstolo do Presideus: livrou a cara do condenado italiano Cesare Battisti - hóspede do governo Lula da Silva até hoje...

Tomara que a nossa primeira-presidenta seja mais inteligenta e bem mais diligenta que esse pessoal que nunca foi chegado a arregaçar as mangas na hora que o discurso tem que sair do maldito papel.

Já que a esperança venceu o medo, pode ser que esteja vindo por aí uma fase de higienização governamental. Quem sabe lá se o que está por surgir no ano que vem seja alguém que tenha aquilo roxo na hora do pega pra capar. Há controvérsias. De ordem anatômica, inclusive.

Cupulando na Guiana

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Entrementes... Longe da guerra do Rio, Lula está na Guiana. Olha só ele aí com o presidente Bharrat Jagdeo que o condecorou por tudo quanto foi feito pelo bem de todos e felicidade geral da nação. Depois, lá mesmo em Georgetown começou a Cúpula da Unasul, onde o Presideus Lula foi tratar de dizer que não quer presidir esse novo cabidão de emprego para político sem mais o que fazer, ou que Jagdeo o que tinha que dar.

Fórmula Tucana

Na corrida política pós-outubro vermelho, surge o movimento "pró-FHC" na presidência do PSDB. Isso não é movimento; é pit stop. Para a escuderia do PT nesse início de temporada, FHC não passa de um Rubinho tentando se manter nas pistas.

A Democracia de lado

O lado ruim da democracia é que depois de um político, sempre vem outro político.

Rio abaixo

O CARGO
Beltrame, secretário de Segurança do Rio: "Quem entrar na nossa frente vai ser atropelado". Ele tá se achando. Foi só aparecer uns tanques do seu lado para logo esquecer os caveirões. O que mais impressiona, no entanto, é a firmeza com que um secretário defende o seu emprego.

RECEPÇÃO
Suspeitos de ordenar ataques, Elias Maluco e Marcinho VP chegam ao presídio de Rondônia. Já estava tudo prontinho lá para eles: cama feita, lençóis limpos, lanche e celulares.

CÚPULA
O confronto entre Coreia do Norte e Coreia do Sul virou retiro espiritual diante da pirotecnia da guerra do Rio de Janeiro. Logo a Secretaria de Turismo do Rio vai promover a 1ª Cúpula Turisbélica, para visitantes que gostam de viver perigosamente.

DEDO E CARA
Novidades na composição do ministério para o governo permanente da primeira-presidenta: todos os ministros tem o dedo de Lula. No bom sentido, é claro. Não é nada, não é nada, dos seus preferidos Dilma não emplacou um só até agora. A turma da transição acha que mais do que o dedo, os novos ministros tem a cara de Lula. Palocci, então, tem até a língua presa.

TROPA DE ELITE
Nem aí para a verdade bíblica que ensina que violência gera violência, Lula autorizou mais uma expedição do Exército brasileiro para uma frente de guerra. Dessa vez foi para o mais novo Haiti brasileiro, o Rio de Janeiro. Agora, só lhe resta aguardar no home theatre do Palácio, para saber qual o fim dessa espécie de versão pirata do Tropa de Elite-2. Uma coisa Lula já não pode esconder, bancar o tiririca pacificador na guerra do Oriente Médio é mais fácil do que fazer o Rio de Janeiro voltar à vida de paz e normalidade.

ZERO
Para que se tenha idéia do quanto é decisivo o dedo de Lula na formação do ministério de Dona Flor, é tida como pra lá de certa a permanência do estapafúrdio Fernando Haddad no MEC. Como um bom mala sem alça que se preze, tem andado à tiracolo de Lula que não pretende encerrar seu mandato engolindo um sapo do tamanho do fiasco do Enem. Estudante no Brasil continua sendo um zero à esquerda.

25 de nov de 2010

Palocci na Casa Mal-Assombrada

Então, pronto! Depois de Zé Dirceu, Dilma Vana, Erenice Guerra na administração da Minha Casa Civil, Minha Vida, vem aí um dos tres porquinhos da República Tiririca: Antonio Palocci.

Ele quebrou o sigilo em torno do assunto e aceitou o inesperado convite. Vai ocupar a casa mais mal-assombrada do governo nesses últimos oito anos.

Até agora, no entanto, o nome do caseiro ainda é uma icognita. Pelo que zune nos corredores da mansão, não haverá caseiro dessa vez.

Faz sentido, governo que tem um mordomo de filme de vampiro como vice-presidente, não precisa de fantasmas; já tem em quem botar a culpa de tudo quanto é assombração que possa aparecer.

Carioca, antes de tudo, um forte!

Bastaram oito anos para o governo Lula despersonalizar o Brasil. Ao implantar na alma do povo o espírito da esperteza, criou o maior contingente de macunaímas do mundo. O Brasil é hoje, com honrosas exceções, apenas um conglomerado de 195 milhões de votantes desossados, sem qualquer sentido de nação.

O vírus cabralino da guerra intestina carioca logo será disseminado pelo país afora. Não é preciso bancar pitonisa para prever que em seguida o conflito estará generalizado pelos quatro cantos do Brasil. O crime organizado que se infiltrou no Estado é o mal que vem de cima e nos atinge. Já os tiros vem de tudo que é lado.

Se mensaleiros roubam; se os governos são companheiros das Farc; se os sanguessugas sugam; se a polícia prende e os juízes soltam; se a polícia vira milícia; se o futebol tem mala preta; se as gavetas da Casa Civil botam dinheiro pelo ladrão; se nem bengalada adianta, por que o trabalhador que paga imposto, o brasileiro que não tem trabalho, o cidadão que não tem onde cair morto não pode ser igual a essa companheirada hoje podre de rica que se recusa a ser chamada de elite?!?

Nessa guerra do Rio que vai virar churrio nacional, ninguém está sendo mais, nem menos criminoso do que os senhores do crime organizado estatal; apenas iguais. É que mau exemplo pega fácil. Contamina. E apodrece.

Essa tragédia cotidiana que desmorona dos morros e desliza das favelas cariocas deixou de ser uma luta para policiais civis e militares do Rio, para ser uma guerra para a FEB e a FAB relembrarem os velhos tempos da Tomada de Monte Castelo, na Itália ou na missão de patrulhar o Atlântico Sul, na 2ª Guerra Mundial.

E que ninguém ouse duvidar de que, amanhã ou depois, surja algum heróico e retumbante projeto no Congresso Nacional, propondo dar ao Complexo do Alemão, ou à Rocinha, à Vila Cruzeiro, ao Morro do Macaco, o nome de Pistóia. Credo, cruz é que não vai faltar.

Nesses cinco dias de bala com bala, num confronto pirotécnico entre criminosos e o governo, mais de 30 mortos e centenas de veículos incendiados depois, começaram a surgir grandes soluções: os tanques da Marinha se juntaram aos Caveirões cariocas; 12 presos acusados de comandar os ataques foram transferidos para presídios de segurança máxima em Rondônia e no Paraná. O governo descobriu a pólvora: tirou o sofá da sala. Só não se deu conta que - tá na Bíblia! - violência gera violência.

De tudo isso, entre mortos e feridos, fica a certeza absoluta de pelo menos duas grandes e definitivas realidades: primeira, todo repórter que estiver trabalhando no Rio de Janeiro, é um correspondente de guerra; segunda, "o carioca é, antes de tudo, um forte"!

Há uma outra verdade explícita que nos dá azia: Lula tem razões de sobra para ser amigo e companheiro de Hugo Chávez... Nem é bom pensar o que seria capaz de fazer a nossa Força Nacional de Segurança numa guerra contra a Venezuela.

Mas isso já não é mais uma missão impossível para o ainda Presideus Lula; essa história fica para a nossa primeira-valenta presidenta.